
COXA SÉCULO 21
Eu já mandei várias mensagens para o COXAnautas tratando desse assunto, defendendo até mesmo a construção do GGzão desde que com investidor certo e conhecido, uma empresa de renome e não um grupo de iranianos ou russos, mas uma entidade notoriamente capacitada.
Também já comentei que o Couto Pereira, por mais que seja reformado, está ultrapassado e que acho bobagem discutir o terceiro anel porque ele apenas fará o clube adiar mais uma vez a decisão maior de construir um novo estádio que não necessariamente precisa ser no Alto da Glória.
Eis alguns dos meus pontos de vista:
1. Localização: O Coritiba pode, sim, desde que fazendo um negócio sério, com o aval de todos os setores do clube, ter um estádio fora do Alto da Glória, até porque, lá, nenhum projeto de estádio moderno vingaria pela falta de espaço ou, pelo menos, pelo altíssimo custo dos imóveis à volta.
Há vários bairros emergentes na capital paranaense, com ótimos terrenos que poderiam abrigar um complexo esportivo e comercial agregando valor em pouquíssimo tempo, a questão é apenas procurar. Por outro lado, demolindo o Couto Pereira, o Coritiba pode muito bem manter uma sede social no Alto da Glória, onde, pelo menos eu acho, seria um bom lugar para abrigar o seu museu, manter a churrascaria lá existente, uma loja de produtos do Coxa e quem sabe alguns equipamentos sociais, como uma bela academia de ginástica. Ou seja, venderia parte do imóvel e usaria outra para continuar a ser o clube do Alto da Glória.
O Grêmio de Porto Alegre tem uma situação similar, e decidiu por buscar um imóvel longe da área central onde hoje existe o Estádio Olímpico, mas não sairá totalmente da Azenha.
2.O Projeto do Celso Moreira: Não sou nem engenheiro, nem arquiteto. Achei o projeto do Celso Moreira muito bonito, mas prestando atenção, não é difícil constatar que é inexeqüível.
Primeiro porque os tobogãs implicam em observar a linha descendente do segundo anel do estádio. Isso daria certo nas curvas de fundo dos gols, mas não na lateral da Mauá, porque adentraria ao campo de jogo. Com dois tobogãs nas curvas e sem tobogã na reta, é impossível que duas áreas nos cantos da reta da Mauá não fiquem sem visibilidade, porque ali ficaria um buraco.
Notem que o "render" apresentado não mostra como ficaria por dentro a reta da Mauá. Seria um remendo que não daria certo, se bem que isso é opinião de leigo, se os arquitetos demonstrarem que não, aceito seus argumentos técnicos.
Mas há outro problema. As torres externas e a área comercial que adentraria sobre a calçada vão criar sombra sobre os imóveis das imediações, e não adianta espernear, a COSEDI não aprovaria o projeto, e o Coxa ficaria sujeito a embargos dos moradores do entorno (sou advogado, sei o que isso representa).
Segundo consta, a atual administração do Clube conseguiu uma autorização para construir o fechamento do terceiro anel, desde que não agregue mais perda de insolação na Rua Mauá que o estritamente autorizado.
A prefeitura de Curitiba não dará alvará para aquelas torres enormes do projeto, eu posso apostar nisso, porque elas tornariam a Mauá um verdadeiro beco, que não seria bom nem para a imagem do Clube.
3. O Projeto Gionédis: O projeto Gionédis, esse que COXAnautas mostra todo o fim de mês, é exeqüível e segundo consta, tem autorização da prefeitura. Ele é composto de torres que sustentação bem menores que as do projeto Celso Moreira, enquadradas no quesito insolação da prefeitura. Ademais, não adentra área construída na calçada da Mauá, o que praticamente mantém a insolação atual dela.
O problema é que é um projeto de estádio, e só. Não haverá acréscimo de áreas comerciais e, assim, não chamará investidores, sem contar que alguns problemas sérios ficarão mantidos, como a falta de estacionamentos.
Por mais belo que seja (e é!) é algo que ficaria ultrapassado tão logo pronto e não agregaria nada de novo ao clube nem em termos de marketing, nem em termos de espaços de locação ou contrapartidas para investidores.
4. O Evangelinão: O projeto apresentado tempos atrás aqui no COXAnautas, fruto de um trabalho acadêmico do arquiteto, é lindo, para não dizer absolutamente perfeito, até porque, foca os custos construtivos no estudo de materiais adequados à realidade nacional e baratos.
Mas não há espaço para ele nos terrenos do Clube e, a aquisição de terrenos em volta, praticamente inviabilizaria a obra, pois a região é central e valorizada. É um belo projeto, mas só daria certo em outro bairro.
Enfim, são aspectos relevantes que devem ser analisados pela comunidade Coxa.
Só digo o seguinte, para encerrar: mais importante que o estádio, é a estrutura do futebol de base. O Coxa precisa (precisa, não deve nem pode!) construir um mini-estádio, um hotel concentração e escolas primária e secundária para os garotos que estão nas categorias de base.
Um estádio novo custaria no mínimo 50 milhões, isso com muita boa vontade, mas com um milhão, é possível criar uma verdadeira fábrica de craques que serão formados dentro do clube, inclusive com uma estrutura de ensino que os fará não só atletas, mas profissionais, que poderiam contar com escola primária e secundária, mini estádio e estrutura de treinamento ainda melhor que a hoje existente.
Se houver, se for possível, o Coritiba deveria é comprar terrenos contíguos ao CT Bayard Osna e aumentá-lo ao máximo, concentrando ali o futebol de base e, um dia, quem sabe, colocando o futebol profissional em outro lugar, para dar aos garotos uma formação completa e longe das pressões que o futebol profissional envolve no dia a dia. O São Paulo já descobriu isso...
Portanto, se não der para fazer estádio em curto prazo, sem problema, guardemos energias para o futuro. Mas imediatamente, o negócio é tornar o Coxa uma fabrica de craques, e mantê-los, para ganhar títulos, porque, sem eles, nenhum investimento valerá de nada!
Colaborou o torcedor Coxa-Branca Fábio Mayer
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)