
ENTREVISTA
Edu Coimbra, técnico que conquistou o Campeonato Paranaense de 1989, com um dos melhores times formados no Alto da Glória, gentilmente atendeu aos Coxanautas numa entrevista exclusiva.
Por e-mail, Edu contou detalhes da vitoriosa carreira no comando do time coritibano.
Confira a primeira etapa da entrevista:
COXAnautas - Você foi o técnico daquela equipe que é tida por boa parte da torcida, como sendo a última grande equipe do Coritiba. Qual era o segredo daquele Coritiba de 1989, no que se refere aos aspectos táticos e técnicos?
Edu Coimbra - O time de 89 foi armado aproveitando a experiência da maioria dos jogadores, comprovada em outros grandes centros do futebol brasileiro, mesclado com jovens de grande potencialidade técnica. Uma harmoniosa comissão formada por pessoas competentes e leais, desde o mais humilde servidor ao nosso saudoso presidente, que deram o devido suporte às necessidades impostas.
Segredo não houve, mas mérito, na maneira democrática e aberta de se trabalhar com diálogo e honestidade nas atitudes de cada dia. Um grande capitão e líder, como o Vica, deu um sustentáculo positivo ao entendimento com todos. Uma grata revelação no comando da parte física (Rodolfo Mehl) e auxiliares, fora e dentro do campo, de grande caráter moral, como Krugger, Candinho, Tio Mário, etc.
Trabalho de competência, esforço, confiança e credibilidade, para dar lugar à liberdade de criação aos jogadores. A arte sempre em vantagem contra a brutalidade e a incompetência de muitos adversários. Futebol de solidariedade e sem arrogâncias juvenis de um querer ser melhor do que o outro. O conjunto de idéias coletivas superou as barreiras da vaidade individual.
Esta foi a minha visão sensata e simples da conquista dos três turnos e ainda a final, que deu o título honroso a todos nós. E merecido, de ponta a ponta, diga-se de passagem. Não podemos deixar de acrescentar, e acolher, o apoio constante e maciço da nossa torcida em todos os jogos e a maneira correta como encarou o nosso trabalho. Houve sim, um enlace feliz entre equipe e torcedores. Não me lembro esse time ter sido vaiado alguma vez, sinceramente. Nada seria conquistado sem esse apoio.
COXAnautas - Você trabalhou com o jogador Tostão, um dos grandes craques que passaram pelo Alto da Glória. Qual a importância dele para o sucesso daquele time?
Edu Coimbra - O jogador Tostão, lembro-me bem, de uma fineza de comportamento exemplar e de uma garra sem fronteiras dentro do campo. Seu futebol, de brasileiro, floria como os girassóis da Rússia dentro do gramado. De uma beleza inconfundível, pela maneira virtuosa de conduzir a bola, pela visão impressionante no espaço do campo e dos movimentos gerais dos jogadores, e, principalmente, pelos passes e arremates precisos que proporcionaram momentos épicos nessa temporada gloriosa. Sem sombra de dúvidas um dos mais categorizados jogadores que trabalhei até hoje!
COXAnautas - Você colocou o jogador Osvaldo, meia-cancha de características ofensivas, para ser o único homem de marcação naquele time do Coritiba. Qual o critério usado nesta montagem da meia-cancha?
Edu Coimbra - Falar de Osvaldo me traz muito orgulho porque foi um jogador habilidosíssimo, manhoso, malicioso, preguiçoso às vezes nos treinamentos, mas de infinita capacidade técnica, alinhada a uma raça sem tamanho nos momentos mais delicados de uma partida. Foram muitos os jogos decididos a nosso favor por sua inteligência na cabeça e pelos pés de altíssima categoria no controle e direcionamento da bola.
Sua inclusão como uma verdadeira "direção hidráulica", e não um simples "volante de contenção", deu-se pela necessidade de mais um elemento criativo na zona principal do campo, pra um entendimento mais fácil com Tostão, Serginho e Carlos Alberto Dias.
Mas um outro jogador me foi de grande valia nesta mesma posição quando necessitávamos de um poder maior de marcação: o Marildo, peça fundamental no jogo final. De diferente característica, mas de eficiência comprovada.
COXAnautas - Quais as principais lembranças, boas e ruins, que você tem de sua passagem pelo Coritiba?
Edu Coimbra - Busco na minha vida assimilar no peito e na memória sempre os momentos de alegria e felicidade. Mas nem tudo são girassóis (risos). Tive que encarar, sim, algumas interferências infelizes de um dirigente, sempre assumindo minhas posições com convicção e coragem. Inclusive, responsável, pela minha saída do clube e da função de treinador. Não guardo mágoas, pois as satisfações foram incalculáveis e essa mesma pessoa se tornou um grande amigo, com carinho e respeito mútuos. Felizmente, saí vitorioso, de cabeça erguida, e certo de que ajudei em muito o Coritiba a manter seu grande prestígio no futebol paranaense e brasileiro. E, ainda no ano seguinte, conquistei o bicampeonato carioca pelo Botafogo. Quem sabe não teria sido bicampeão também pelo Coritiba ao invés do Botafogo?
COXAnautas - Você tem a pretensão de retornar algum dia ao clube?
Edu Coimbra - Sim, claro que gostaria de voltar a dirigir o Coritiba, por inúmeros motivos e interesses, mas, o maior deles, tentar reviver momentos de intenso prazer e consagração profissional. Além do mais, amo essa terra maravilhosa que sempre me acolheu com a mais singela receptividade. Sinto saudades até do friozinho de Curitiba, embora seja oriundo do verão carioca.
A segunda etapa da entrevista com Edu Coimbra vai ao ar durante a próxima semana.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)