ENTREVISTA04/12/06, 11h30
Edu Coimbra fala aos COXAnautas (segunda parte)
Foto do Coritiba campeão paranaense de 1989
Eduardo Antunes Coimbra, o Edu Coimbra, técnico que conquistou o Campeonato Paranaense de 1989 com um dos melhores times formados no Alto da Glória, gentilmente atendeu aos Coxanautas numa entrevista exclusiva.
Por e-mail, Edu contou detalhes da vitoriosa carreira no comando do time coritibano.
Confira a segunda etapa da entrevista:
COXAnautas - Você tem acompanhado o futebol brasileiro? Estamos muito atrasados em relação ao futebol europeu, principalmente do leste, e ao futebol asiático?
Edu Coimbra - O futebol brasileiro sempre será uma extraordinária referencia mundial no que diz respeito à qualidade inquestionável de seus profissionais, principalmente aqueles que trabalham diretamente nas 4 linhas do campo. Haja vista a quantidade incrível de
jogadores, técnicos, massagistas, fisioterapeutas, preparadores físicos e treinadores de goleiros espalhados pelo planeta. Se existe diferença entre o futebol brasileiro e o europeu, ela aparece fora do gramado, na organização e elaboração de coerentes planejamentos anuais e no calendário, cumprido com exatidão pela maioria das federações européias. E, claro, pela inércia, incapacidade e ganância de poder de grande parte dos nossos dirigentes.
COXAnautas - Com a entrada de investidores bilionários no futebol, como o russo Roman Abramovich, proprietário do Chelsea, ficou cada vez mais difícil segurar os grandes craques no Brasil. Qual a solução que você aponta para que os clubes brasileiros possam segurar seus principais atletas?
Edu Coimbra - Segurar jogadores de técnica refinada, como só o nosso país consegue produzir, é tarefa impossível, sim, nos moldes atuais. Isso porque o mercado está totalmente dominado pelo alto poder aquisitivo dos demais. São poucos os clubes que mantêm infraestrutura de manutenção e condições financeiras para suportar a cobiça internacional pela maioria dos nossos melhores jogadores. Além do mais, imagino que os interesses individuais da construção do patrimônio próprio estão acima dos interesses de uma torcida, de um clube. Os tempos são outros e há que se render à (in) evolução do futebol mundial no que se refere às grandes transações milionárias. Tempos do atleta vestir a camisa com o coração está em vertical extinção!
COXAnautas - Acompanhando a evolução histórica do futebol no Brasil, nota-se que estamos perdendo o "futebol arte". A que se deve esse fato na sua opinião?
Edu Coimbra - A arte e a beleza do nosso futebol será eterna pela infinita aparição, a cada ano, de jogadores habilidosos e de qualificação comprovada. Jamais perderemos essa hegemonia por mais que se percam Copas do Mundo, que para mim nem sempre é conquistada pelo melhor, pois se trata de um torneio e não uma competição por pontos corridos. Incomparável o jeito de jogar do brasileiro em relação a quaisquer jogadores de outros países.
COXAnautas - O que acha do sistema tático com três zagueiros, adotado por várias equipes brasileiras?
Edu Coimbra - Implantar um sistema tático coeso e disciplinado atende à seguinte definição: "caracteres e características individuais" em beneficio do conjunto. Todo e qualquer sistema, inclusive o 1-3-5-2, pode ser utilizado desde que o elenco sugira esse tipo de ação, ou pelos interesses de uma competição. Explico: com um grupo formado por gênios da linha do meio campo para frente (como o Coritiba de 89) é evidente que há de se abdicar de um esquema com 3 zagueiros, pois assim estarás enfatizando o caminho mais rápido para a construção dos gols, aliás o que caracteriza o meu estilo. Mas se o elenco é limitado na parte criativa e técnica, o panorama muda de figura e a esquematização tática pode privilegiar o defensivismo. Isso ocorre com a maioria dos times considerados pequenos ou na cabeça de treinadores sem coragem de jogar pela vitória, e que têm como lema principal: "Não perder é a meta, ganhar uma conseqüência". Da sorte,devem pensar...
COXAnautas - Você tem vontade de treinar algum clube brasileiro em breve?
Edu Coimbra - Evidente que sonho e tenciono dirigir um time no meu país. Além de profissional,sou fã absoluto dessa arte brasileira e tenho experiência e capacidade pra continuar exercendo minhas funções com sucesso. Ainda mais com uma nova e moderna bagagem internacional adquirida ao redor do mundo, durante esses anos fora do Brasil. Intenção, porém, não é definição.
Edu ainda contou uma curiosidade aos COXAnautas: "na foto do time campeão de 89, que ilustra a matéria da primeira parte da entrevista, eu não apareço porque fui contra que a tirassem antes da decisão final. Nunca fui adepto de se cantar vitória antes do tempo. Felizmente conseguimos e acho que deveria ter sido batida outra foto, já campeões. Aí sim teria me colocado à frente dela com muito orgulho."
Ao final da entrevista, o ex-treinador coritibano ainda deixou um recado: "deixo uma mensagem de carinho ao torcedor do Coritiba e a toda aquela gente saudosa do Alto da Glória, entre jogadores, dirigentes e membros da comissão técnica. Boa sorte a todos e parabéns pelo site! Obrigado e até a próxima."