
OPINIÃO
O jornalista Luis Augusto Xavier publicou uma coluna avaliando a necessidade que o time do Coritiba precisa para voltar a andar nos trilhos e acabar com a apreensão que toma conta da torcida.
Confira a opinião do jornalista:
Em busca de alma
Preocupante a situação do Coritiba. O time não vence duas partidas seguidas e quando o faz é com muito sofrimento. Quando perde, passa a impressão de ter anestesiado seus jogadores, que entram em campo sem alma, feito zumbis insensíveis ao drama que é deixar o campo com três pontos no passivo.
Pensei ter sido impressão minha. Não só minha, mas de algumas pessoas que me cercam e que acompanharam a apresentação da equipe em Santo André. Não é. É geral. Para ter certeza fui consultar o site dos Coxanautas (para mim, a referência de informações do Coritiba) e senti a mesma apreensão de quem faz e passa a opinião da grande torcida Coxa. Todos estão preocupados com o presente e com o futuro.
Com o presente, pela incerteza de poder fazer valer a força do campo contra o São Caetano, na partida de volta da Copa do Brasil, na semana que vem. Mais ainda: de talvez não conseguir passar pelo Toledo, domingo, deixando uma vaga aberta para o J. Malucelli chegar à semifinal do campeonato paranaense.
Com o futuro, pelas dificuldades que o campeonato brasileiro da primeira divisão deverá apresentar para uma equipe que não consegue se firmar contra adversários bem mais frágeis que os integrantes da principal categoria do futebol nacional. E aí, a dor recente de um rebaixamento e de dois anos gramando na divisão inferior incomoda o torcedor, que daria tudo para não ter de passar por isso novamente.
O técnico Dorival Júnior parece enxergar as coisas com outros olhos e os Coxanautas atribuíram a ele a frase do dia de ontem: “O elenco que está aqui tem capacidade e condições de finalizar de uma maneira brilhante esse Estadual”. Será que ele acredita mesmo nisso? A impressão que dá e a de Júnior estar vivendo uma grande ilusão no comando técnico coxa, supervalorizando um grupo que não lhe dá o retorno técnico desejado. Ou seja: para ele, o time é melhor do que tem mostrado ser. E com isso vai a campo adotando um sistema tático não condizente com a fragilidade transparente.
Talvez fosse melhor entender a equipe com maior carência técnica, para adequar a tática às dificuldades que vêm sendo apresentadas. O exemplo maior está aqui mesmo, entre nós, com a transformação do Paraná Clube após a mudança de comando. Saulo de Freitas achava o time bom e queria atacar; Paulo Bonamigo detectou as limitações e aplicou maiores cuidados defensivos. E o mesmo time, que era um fracasso, recuperou-se.
Para ter sucesso e ser feliz o Coritiba precisa assumir suas limitações. A partir da cabeça do treinador, é claro. Defender primeiro, blindar as deficiências, anular o adversário e garantir-se atrás. Feito isso, buscar os melhores caminhos do ataque, sem a exagerada exposição que tem vivido nos últimos tempos. Daí, talvez, haja em campo o que não tem sido notado nas partidas mais recentes: alma, vibração, entrega, que é tudo o que o torcedor gostaria de poder assistir.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)