ENTREVISTA14/03/06, 12h00
Entrevista com goleiro Jairo
Numa parceria entre o Site Coxan@utas e o programa Coxa na TV, um dos maiores ídolos da história coritibana, o goleiro Jairo foi entrevistado no último dia 27 de fevereiro.
A entrevista acabou se transformando num bate papo muito agradável de torcedores do Coritiba, fãs do goleiro, com um dos maiores mitos que já pisou no gramado do Alto da Glória.
A equipe Coxan@utas/Coxa na TV chegou na escolinha de futebol onde Jairo ministra aulas para a garotada. Era sábado de Carnaval e sob um dia ensolarado, de temperatura agradável, Jairo comandava dezenas de meninos e adolescentes interessados em aprender a jogar futebol.

A presença do gigantesco titular da camisa 1 do Verdão durante muitos anos era vista de longe: de fora da associação, uma muralha de quase dois metros de altura destoava de uma multidão de meninos correndo atrás da bola.
Aproveitando para acompanhar a partida, do lado de fora víamos Jairo orientando seus pequenos atletas. Jairo parava o jogo quando necessário, arrumava o posicionamento e pacientemente falava com seus alunos, ensinando os caminhos mais fáceis num jogo de futebol.
Encerrados os treinos, o agora treinador de escolinha de futebol, Jairo chamou seus pupilos para uma foto para o site, com direito a pose histórica, sob os olhares atentos de curiosos e dos pais.
Antes da entrevista, o ex-goleiro do Coritiba gentilmente faz um autógrafo exclusivo para o coritibano Roberto Pereira, residente em Florianópolis.

Jairo contou durante meia hora, detalhes de um longo período de uma vida dedicada em prol do Coritiba Foot Ball Club. Pelas contas dele, foram 456 partidas vestindo a gloriosa camisa verde e branca. Onze títulos na bagagem, viagens internacionais, Seleção Brasileira, jogos contra Pelé, o Deus do futebol.
A minha estréia no Coritiba foi contra seleção do Zaire, no Couto Pereira. Tomei três gols (o jogo acabou em 3x3) e fui muito vaiado pela torcida lembra sorrindo, a muralha alviverde. Alguns diziam: contrataram um jogador de basquete, não um goleiro, lembra Jairo, que veio do Fluminense (depois de um início muito jovem, pelo Joinville).

Dos tempos do tricolor carioca, Jairão conta saudosista, do apoio que ganhou de Félix (atleta da Seleção Brasileira) O Félix me ajudou muito no Rio. Eu era um jovem, 19 para 20 anos. Ele dava um 'migué' quando o Flu ganhava e era segundo tempo. Simulava uma contusão e pedia minha entrada. Aquilo me ajudava a ganhar o bicho inteiro conta sorrindo o goleiro.
Com o passar do tempo, e de muitos treinamentos (Jairo confidenciou que aí estava o segredo de sua grande forma no Cori), ele ganhou a confiança da torcida e dos companheiros de time.
Jairo lembra com saudades e alegrias dos tempos de década de 70. Destacou Cláudio Marques e Hidalgo, o capitão do time de 73: Foi o melhor time que eu vi jogar no Alto da Glória. A conquista do Torneio do Povo e do Tricampeonato foram marcantes, muito difíceis.
O Torneio do Povo foi uma conquista muito trabalhosa, foi difícil. Só enfrentamos times fortes, mas o Coritiba tinha um time incrível naquele ano contou o goleiro, que também lembrou das conquistas obtidas fora do país: A Fita Azul e o Torneio na África foram muito importantes para o Clube. Jogávamos contra ótimas equipes, estádios lotados. Era um grande sucesso para o Coritiba recapitulou.
Outra história acontecida no gramado do Maracanã foi o jogo entre Brasil x Uruguai, famoso pela briga de Ramirez com Rivelino: Ao final do jogo, o Ramirez foi pegar o Rivelino, que saiu correndo pelo gramado, entrando no vestiário. O Ramirez foi atrás dele, mas se deu mal, pois tinha uns caras bravos no Brasil. Ele apanhou bastante... contra , que apanhou um monte naquele jogo do Maracanã.
Fui convocado duas vezes para a Seleção, jogando pelo Coritiba. Naquela época era complicado ir para uma Copa, tinha que jogar em São Paulo ou no Rio. Treinava bastante, fiz o meu trabalho pelo Brasil, lembra, com ar de dever cumprido.

A sensacional conquista de 1985, ganha de forma heróica em campo, perante vários dos maiores times brasileiros foi presenciada por Jairo, que fazia parte do elenco Coxa-Branca, comandado pelo saudoso Ênio Andrade. O goleiro contou sobre a memorável partida da semifinal contra o Galo mineiro, num Couto Pereira lotado: Fui o titular naquele jogo, um jogo muito difícil. O Atlético Mineiro era um time fortíssimo. No meio de jogo, a luz apagou e a torcida começou a acender seus isqueiros, por todo os estádio. Eram milhares de luzes vindas das arquibancadas.
O jogo acabou 1x0, gol do Heraldo. Ali começava a conquista do Campeonato Brasileiro relembra. Saímos de campo com a certeza que iríamos conquistar o título daquele ano. Foi uma partida dificílima, mas a vitória nos deu a confiança necessária para chegar à final e ao título depois recorda Jairo, um dos heróis do maior título da história do Clube.

Outro ponto alto da conversa, foram às lembranças e curiosidades com Pelé. Nasci no mesmo dia que o Rei. E acabei encerrando minha carreira profissional jogando na cidade onde Pelé nasceu. Perguntado sobre a fera Pelé, Jairo é categórico: Pelé foi o maior de todos os tempos. Ele era um gênio. Certa vez enfrentamos o Santos, no Couto.
O Coritiba ganhava de 1x0, a torcida pegando no pé do Rei. Era Pelé tocar na bola para ouvir a provocação da nossa torcida. Depois da metade do segundo tempo, Pelé acusa uma contusão e, mancando, deixa o campo. Na saída dele, mais provocação dos torcedores.
Pelé ficou um tempo no banco, ouvindo à torcida Coxa-Branca. De repente ele volta para o campo. Faltavam uns quinze minutos para o fim do jogo. O 'negrão' entra em campo, faz dois gols que até hoje eu não vi por onde a bola passou, fintando vários jogadores nossos. Ele decidiu o jogo sozinho. Foi o melhor de todos os tempos! conta. A diferença entre nós dois era a conta-corrente dele brinca o goleiro.

A pergunta era inevitável: E depois de Pelé, quem foi o segundo melhor que você viu jogar?. De imediato Jairo responde: Foi Zé Roberto. Ele foi o melhor depois de Pelé. Era um jogador completo, genial. Chutava, fintava, cabeceava, tinha técnica, tinha força. Era genial também.
Para se ter uma idéia, num período que dois ou três brasileiros fizeram sucesso na Europa, o Zé Roberto foi contratado pelo Atlético, de Madri. Era raríssimo um jogador do Brasil ser contratado por um clube europeu naquele tempo.
Jairo tem três filhos adultos, nenhum joga futebol. Casado duas vezes, ainda joga um futebol com os amigos e com os ex-atletas do Coritiba (ele faz parte do Coxa Masters): Ainda reencontro os amigos para bater uma bola: Pachequinho, Édison Borges, Marildo, Toby, Renato, André, Ronaldo, Ademir Alcântara... Fazemos apresentações por aí, pelo time de Masters do Coritiba revela.
Atualmente Jairo é professor de uma escola de futebol para crianças e jovens na associação dos funcionários da Ultrafertil. O Marlos (meia-esquerda do Coxa Jrs.) começou aqui, na minha escolinha. Eu o levei para o Coritiba. É um menino bom de bola mesmo, tem estilo parecido com o Alex e que se for bem trabalhado terá muito futuro no Coritiba analisa o goleiro.

Além dele, tenho mais dois meninos que descobri e que estão jogando em Minas, no Cruzeiro. Aparecendo gente boa na escolinha, a preferência é levar para o Coxa, assim como aconteceu com o Marlos conta, sorrindo, um homem que nunca esqueceu seu amor pelo Verdão.
Serviço
A Escolinha de Futebol do Jairo atende na Associação dos Funcionários da Ultrafértil, ao lado do campus da Unicemp, no bairro do Campina do Siqueira.
As inscrições estão abertas. Para mais informações, fale com o Jairo pelos fones 41 3383-0452 ou 3332-4399.