
Quase 40 mil pessoas lotaram o Couto Pereira e apoiaram o time durante os 90 minutos na batalha final pela vaga para a Libertadores. De um lado o Coritiba, que adiou a conquista da vaga o quanto pôde. Do outro, um aguerrido Criciúma... segundo as más línguas, "turbinado" pelos presentes de Natal dos concorrentes do Coritiba.
Sem dúvida, os adversários valorizaram muito a vitória alviverde. Se nas arquibancadas a festa só tinha uma cor, no campo o clima era de decisão. Marcel no primeiro tempo e Lima, no segundo, garantiram ao Verdão o quinto lugar no Campeonato Brasileiro, com 73 pontos - a melhor campanha desde a conquista de 1985.
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Com maior posse de bola, o Coxa dominava o jogo, mas sem conseguir levar perigo ao gol catarinense. A primeira boa chance apareceu apenas aos 17 minutos, com Lima. Pela direita, ele entrou livre na área e bateu cruzado. Marcel chegou um pouco atrasado e a bola tirou tinta da trave direita de Fabiano. Pouco depois, boa jogada do Coritiba e a bola cruzada na área morreu no braço de um zagueiro catarinense. Sérgio Cristiano do Nascimento, que no geral fez boa arbitragem, nada marcou.
Aos 20, outro lance polêmico. Cléber Gaúcho recuou a bola com os pés para Fabiano, que pegou com as mãos. Apesar da reclamação da torcida e dos jogadores, Sérgio Cristiano mandou o jogo seguir.
Aos 33, Ricardo recebeu a bola pela esquerda e deu um belo corte no seu marcador antes de cruzar a bola. No meio do caminho, Luciano cortou com a mão. Dessa vez o árbitro marcou e Marcel recebeu a bola das mãos de Roberto Brum para efetuar a cobrança.
O artilheiro correu para a bola e chutou no canto esquerdo. Fabiano saltou e fez a defesa. No mesmo instante, o auxiliar levantou a bandeira, dedurando para o árbitro que o goleiro havia se adiantado. Houve muita reclamação por parte dos jogadores do Criciúma, que chegaram a "peitar" o auxiliar algumas vezes, mas ninguém foi punido.
Na nova cobrança, Marcel mudou de canto e balançou as redes, causando uma explosão de alegria no Couto Pereira. Detalhe curioso: assim como na outra participação do Coritiba na Libertadores, em 1986, a de 2004 também foi assegurada numa cobrança de pênalti.
Também merece destaque a participação do capitão do time, Reginaldo Nascimento. Diferentemente de outras oportunidades, quando o time era roubado e nenhum jogador sequer conversava com o árbitro, Nascimento fez valer a condição de líder do time. Logo nos primeiros minutos de jogo, o goleiro Fabiano simulou uma contusão. O capitão cruzou o campo todo correndo para tomar satisfação. Mais tarde, antes da cobrança de pênalti, Nascimento foi até o bandeira para "lembrá-lo" de observar a movimentação do goleiro. Deu certo.
Afinal, fez-se justiça. O goleiro coxa-branca, Fernando, foi punido por duas vezes nesse Brasileirão por se adiantar antes de defender uma cobrança de pênalti.
Aos 41 a torcida levou um belo susto. O atacante do Criciúma Dejair foi lançado sozinho na área. A defesa parou pedindo impedimento e o jogador tocou na saída de Fernando, que salvou a pátria com excelente defesa.
Aos 43, Edu Sales deu o troco. Na entrada da área, o jogador conseguiu se livrar dos marcadores e chutou forte, à esquerda do gol. Depois do arremate, o atacante foi atingido com muita violência por Léo Oliveira, tendo de deixar o campo nos primeiros minutos da etapa complementar.
O Verdão voltou ainda melhor na segunda etapa, fechando os espaços na zaga e aproveitando bem os contra-ataques.
Logo nos primeiros instantes, Lima foi lançado e ficou cara a cara com o goleiro. O jogador se atrapalhou com a bola e chutou em cima do goleiro, levando a torcida à loucura. Pouco depois, Marcel cobrou falta próxima à área com muita força, mas Fabiano caiu no canto esquerdo e fez grande defesa.
Cheio de moral, o artilheiro chamou a responsabilidade. Aos 10, o camisa 9 fez grande jogada na área e bateu cruzado. O goleiro defendeu com dificuldade, mas o rebote caiu nos pés de Lima, que chutou para o gol vazio: 2x0.
Aos 25, o Cori quase marcou o terceiro. Helinho conduziu a bola e, da entrada da área, chutou forte. O goleiro do Criciúma fez grande defesa. A partir daí, os catarinenses tentaram chegar ao gol de forma desorganizada, facilitando o trabalho coxa-branca.
Às 19h57, o árbitro apitou o final do jogo e a festa tomou conta do gramado, das arquibancadas e das ruas próximas ao estádio. "É hora de comemorar, é hora de comemorar" gritava, no campo, Marcel. E a galera não desobedeceu.
O Coxa garantiu a vaga para a Libertadores 2004 com: Fernando; Maurinho, Danilo, Odvan e Ricardo; Reginaldo Nascimento, Roberto Brum, Jackson e Lima (Pepo - 42'/2°T); Edu Sales (Helinho - 4'/2ºT) e Marcel.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)