
COXANAUTAS
Na última sexta-feira, a equipe de administradores do site Coxan@utas entrevistou integrantes de ambas as chapas concorrentes à eleição do Coritiba, que acontecerá no próximo dia 5, segunda-feira.
O objetivo maior do site é promover e ampliar o processo de participação do torcedor Coxa junto ao Clube. Para que este processo tenha um fortalecimento, entendemos que informar se faz necessário.
Divulgar as idéias de ambos os grupos políticos que concorrem à eleição do dia 5 faz parte da estratégia do site de levar ao torcedor do Verdão informações que possam colaborar com seu entendimento sobre o Clube, bem como possilitar aos Conselheiros, que são os torcedores coritibanos com direito ao voto neste eleição, mais subsídios para uma decisão mais acertada em quem votar na eleição do Alviverde.
Entenda mais sobre a entrevista
Para colaborar com o processo de entrevista, o site convidou o Coxa-Branca Flávio Kitzig, administrador, atualmente cursando MBA em Gerenciamento por Projetos
na FGV. Consultor de empresas e coordenador de projetos de consultoria do ISAE-FGV, braço da Fundação Getúlio Vargas no Paraná.
As opiniões levantadas na análise, são de interira responsabilidade do consultor e não das instituições acima citadas. Sua contribuição, portanto, se dá como torcedor apaixonado, não emitindo opiniões em nome de tais instituições.
Algumas das perguntas foram formuladas por diversos dos integrantes dos administradores do site Coxan@utas. Objetivando uma análise também técnica, quanto à gestão profissional do Coritiba, o conslutor Flávio Klitzig, formulou algumas perguntas voltadas ao planejamento estratégico.
Agradecimentos
Agradecemos às assessorias de imprensa de ambos os candidatos, bem como aos senhores Tico Fontoura e Giovani Gionédis, pela atenção dispendida à equipe do site, ressaltando-se o comportamento ético de ambos durante a entrevista, deixando de lado ataques pessoais, concentrando-se apenas na apresentação de seus planos de governo.
Confira as entrevistas:
CHAPA UNIÃO COXA-BRANCA
Entrevista realizada no dia 02/12/05 às 11h
Entrevistadores: Flávio Kitzig e David Meira
ENTREVISTADOS: GIOVANI GIONÉDIS E ANDRÉ DA COSTA RIBEIRO
PERGUNTAS DE CUNHO GERAL
Qual a sua política para as Categorias de Base?
O futebol hoje passa necessariamente pelas categorias de base. Nenhum clube vai sobreviver se tais categorias não forem sólidas e fortes. Ser campeão da base é bom, mas temos que ir além. É fundamental formar atletas de alto desempenho que saibam executar os fundamentos do esporte.
O grande projeto para a área é a criação de um grande centro de formação de atletas, com espaços para alojar 120 pessoas, atletas semiprontos de diversos locais e em diversas categorias. A viabilização para a vinda destes atletas será a criação de um fundo para a compra do passe destes atletas.
Além de toda a infra-estrutura voltada a esta formação física, técnica, acompanhamento médico, nutricional e fisiológico. Será criada no centro, biblioteca, sala de informática, além da realização de um convênio com um colégio próximo, para que estes atletas estudem. Aliás, esta é uma grande ação do Clube. Nós acreditamos na educação. Um atleta, que queira jogar no exterior precisa saber falar outra língua. Hoje, todos os atletas são obrigados a estudar e aqueles que vão mal muitas vezes são até impedidos de treinar, priorizando o aprendizado escolar.
Qual sua política para o departamento de futebol?
Já iniciamos uma grande mudança no Departamento de Futebol. Não existe mais o profissional sem remuneração. As funções do Departamento de Futebol devem ser ocupadas por profissionais do esporte, mas com uma ressalva: tais profissionais precisam necessariamente ter uma ligação com a história do Coritiba. Esta foi uma falha. A supervisão técnica, que faz a interface entre a Diretoria e a Comissão Técnica não cumpriu seu papel.
Não cabe ao Presidente discutir com o técnico sobre o time. Este é o papel que deveria ter sido feito pelo profissional responsável pela área.
Na nova estrutura a ser formada com a contratação de novos profissionais a coordenação de futebol estabelecerá a política a ser adotada, inclusive com dando as diretrizes para as categorias de base. Além disso, mantemos a postura de não permitir que conselheiro seja dono de passes de atletas do Clube, eles pertencem ao Coritiba, evitando que haja a sobreposição do interesse pessoal de Conselheiros e Diretores sobre o interesse do Clube.
Qual a política para o saneamento de dívidas?
Esse é o meu forte. Saímos de uma dívida de R$ 41 milhões sem contar juros e multas, onde o Coritiba arrecadava R$ 800 mil e gastava R$ 1,4 milhões por mês e hoje estamos com R$ 27 milhões, na sua maioria renegociados. É muito dinheiro em quatro anos.
Quais as nossas políticas: dar preferência de pagamento para impostos e Fundo de Garantia para evitar perda de jogadores. Esta parte de impostos, de 2002 para cá está totalmente em dia.
Ainda existem R$ 10 milhões em impostos atrasados, anteriores a 2002. Tais dívidas serão pagas por meio da Time Mania, nova loteria que será ainda lançada pelo Governo Federal, em trâmite no Congresso, onde deve ser votada em breve.
Na parte bancária aquilo que punha risco a perda de patrimônio do Clube, no caso o Estádio para o Banco ABN e o CT para o Bradesco. Tais dívidas estão quitadas. As demais dívidas com bancos foram renegociadas e devem estar totalmente quitadas até final de 2006.
Com os conselheiros, com que buscaremos compor formas viáveis de pagamento, nossa dívida é de aproximadamente oito milhões. Mesmo assim, ainda hoje, o Clube desembolsa aproximadamente R$ 290 mil mensais, com o pagamento de dívidas. Com isso eu poderia contratar três jogadores com salários na faixa de R$ 100 mil. Veja como seria possível qualificar os times com esses valores. Seriam três atletas de grande qualidade que poderiam ser contratados. Isso representa quase 30% de uma formação.
O não pagar as dívidas é uma ilusão. Existem penhoras, existem bloqueios de conta. Então é melhor tê-las negociadas Hoje, o qualquer clube tem responsabilidade fiscal a cumprir, pois existe auditoria externa, publicação de balanço nos jornais. Não podemos ser irresponsáveis. Qualquer conselheiro tem acesso às contas do Clube. Isso é uma coisa que eu determino. A administração tem que ser transparente, mesmo que muitos não concordem com a maneira como as coisas são feitas.
Qual a sua política para os investimentos no patrimônio do Clube?
Hoje, existem três projetos contratados e pagos e em fases de aprovação junto a Prefeitura. O Centro de Formação de atletas, o hotel para concentração dos jogadores profissionais e a conclusão do estádio. Porém adotamos duas políticas diferentes, pois entre investir cinco milhões em recursos próprios para a conclusão do terceiro anel, prefiro usá-los para a construção do Centro de Formação. Ou seja, recursos próprios, provenientes da venda de jogadores, nós investimos e investiremos em infra-estrutura para o futebol.
Já no caso do Couto Pereira, sempre buscamos parcerias para viabilizar as melhorias. Assim que foi feita a revitalização de todo o estádio. Para o torcedor não importa quem fez a obra desde que tenha um estádio de qualidade. Para o clube importa os royalties que ganhará.
A construção da concentração acontecerá numa nova área já adquirida a quatro quilômetros do CT Bayard Osna. Tal área fica em Quatro Barras e tem mais ou menos 25 mil m2. O projeto arquitetônico busca manter meio ambiente local, evitando a derrubada de árvores.
Existe a possibilidade de construção de um novo CT para os profissionais, em uma área próxima, com apenas dois campos e um ginásio, estrutura suficiente para os profissionais, o que permitiria deixar toda a estrutura do CT hoje existente para as Categorias de Base.
Ainda temos duas parcelas do passe do Rafinha a receber no valor de 12 milhões, que serão usados para fazer muitas destas obras, reforçar o time e pagar parte das dívidas.
Eu considero o futebol como o telhado de uma casa. Mas para ter o telhado temos que ter os alicerces, vigas e paredes muito bem construídos para que este telhado não ceda. Ele tem que ser sustentável. O que estamos fazendo é montar os alicerces solidamente de forma a sustentar o telhado. Os alicerces são o saneamento e estes investimentos previstos para o Clube.
PERGUNTAS ESPECÍFICAS SOBRE AS PROPOSTAS VEICULADAS
Na proposta fala-se sobre reformulação total do departamento de futebol.
Como se dará este processo?
Este processo já começou. Demitimos toda o Supervisor técnico e toda a comissão técnica veiculada ao Clube e pretendemos brevemente anunciar os nomes de novos profissionais para estes cargos. Temos vários nomes em vista, os quais provavelmente também estejam sendo cogitados pela outra chapa.
Quanto ao técnico nada está definido. O Márcio Araújo poderá continuar. Tudo isso dependa da permanência ou não na primeira divisão.
Como seriam os possíveis profissionais? (perfil)
Profissional que realmente entenda de futebol e que seja Coxa-Banca, no sentido de ter ligação com a história do Clube.
Quais as políticas de atuação?
Temos adotado uma política de atuação ampla, resgatando o relacionamento com a CBF e a representatividade no Clube dos 13. Hoje somos respeitados e precisamos manter isso.
Como seria a estrutura? (de profissionais)
Tem que ser uma estrutura organizacional. Um Coordenador de Futebol, com o papel de articulação e administração. Ele cuidará da parte organizacional e burocracia (documentações e registros de atletas), além da coordenação geral de toda a estrutura de futebol.
Supervisor de Futebol – subordinado ao Coordenador - é a pessoa ligada ao futebol, de uma forma mais direta e diária. Ele intermediará a relação entre diretoria com comissão técnica e elenco. Será o responsável pelas cobranças. Isso foi uma grande deficiência nossa. As pessoas que ali atuavam se moldavam às situações, sem manter uma postura firma de cobrança.
Comissão Técnica, subordinada diretamente ao Supervisor. Abaixo da Comissão, o técnico e demais funções tradicionais, além do coordenador das categorias de base que coordenará as comissões técnicas da base.
Vinculados ao Supervisor de Futebol tem a Coordenação Médica e toda sua equipe.
A grande novidade são os olheiros e Cônsules nos estados, coordenados pelo Supervisor Técnico. Os olheiros, como o nome já diz serão caçadores de talentos, responsáveis pela avaliação e identificação de jogadores. Os Cônsules serão Coxas-Brancas que moram espalhados pelo país que sintam o desejo de ajudar. Eles serão nossos representantes, observando jogadores locais e acionando os olheiros.
Os grandes empresários trabalham assim, com vários olheiros assistindo a fitas de vídeo o dia inteiro na busca por talentos. Será disponibilizado um espaço no Couto, onde será estruturado este setor, com olheiros contratados pelo Coritiba.
Como montar um grande time? Quais os componentes adotados para isso?
* Em primeiro lugar um plantel unido. Não existe campeão sem plantel fechado;
* Um onze equilibrado, com um grande goleiro, um grande zagueiro, um grande meia, e um grande atacante. Uma espinha dorsal com quatro grandes jogadores de nível técnico;
* Um banco de grande qualidade técnica é preciso ter um plantel com 30 a 33 jogadores. Saber mesclar com as revelações da casa.
Participação do Conselho. Como mobilizar um Conselho desunido e desgastado?
O Conselho há muito tempo é o mesmo. Temos pessoas com mais trinta anos de Conselho. Os mais novos estão a quase seis anos. Além disso, temos somente 600 sócios. Ou seja, é um grupo restrito e por isso as idéias se tornam viciadas e as divergências aumentam. Assim, acaba prevalecendo à força de trabalho e postura do Presidente. Realmente isso precisa mudar. Agora, entre os nove membros da Diretoria Executiva, a tomada de decisão acontece em conjunto e por consenso.
Falam que sou autoritário, mas muitas vezes como presidente acatei a decisão da maioria dos nove, em detrimento à minha vontade. Um exemplo foi a contratação e demora na demissão do Cuca.
Como alinhar as idéias pessoais em torno de um processo institucional?
Isto é difícil. O modelo de gestão de hoje pode possibilitar isso, pois a Diretoria Executiva é formada por nove membros. Isso possibilita conjugar todas as correntes políticas existentes no Clube.
Sempre desejei essa unidade e creio que isso é realmente possível de gerenciar. É preciso que as pessoas vençam as vaidades e paixões pessoais, Eu tenho um gênio forte, mas me considero desprovido de vaidade pessoal, por já ter “levado muito no lombo”. Houve a tentativa de acerto com o próprio Tico Fontoura, que foi convidado por mim seis vezes para fazer parte da Diretoria Executiva. Se houvesse condições de ainda compor com a outra chapa eu faria. Se acharem que o futebol está ruim, venham e ajudem nesta área.
Como viabilizar a construção do terceiro anel? Tem projeto pronto? Como viabilizar financeiramente o projeto?
O Clube definiu um projeto arquitetônico estabelecendo requisitos e os padrões de qualidade desejado que deverão ser seguidos por possíveis parceiros. Existem duas propostas já feitas ao Coritiba, onde investidores se comprometem a financiar e a tocar as obras de conclusão do terceiro anel, ampliando a capacidade final de estádio para 40 mil lugares, em troca de exploração comercial e institucional durante um prazo determinado.
Independente destas propostas, existe um outro estudo em processo avançado de negociação para o fechamento de parceria visando a implantação de uma grande evolução tecnológica, que transformará o Couto Pereira em uma verdadeira obra High-tech. Através do chamado Naming Rights, que consiste na cessão do direito do uso de nome, uma empresa mundial demonstrou interesse de vincular seu nome ao Estádio pelo prazo de cinco anos, pagando por isto o montante de 10 milhões de dólares, os quais seriam usados para a conclusão do Estádio.
Além disto, no projeto desenvolvido, haverá a implantação no Couto de uma tecnologia já usada na Europa e Estados Unidos, transformando a fachada do Estádio em um gigantesco painel eletrônico, onde tal empresa veiculará sua marca, tendo um retorno institucional. Imaginem um grande placar eletrônico circundando toda a fachada externa do estádio, onde poderão ser veiculadas publicidades eletrônicas.
Tal obra servirá de sustentação para a implantação da cobertura completa em todo o Couto, onde parte dela será confeccionada em material translúcido para não prejudicar a incidência de sol no gramado, indo até a altura do fosso, cobrindo totalmente todos os lugares do estádio.
PERGUNTAS DE GESTÃO
A chapa possui missão e visão?
A maior missão de um clube de futebol é a conquista de títulos, pois é isso que traz visibilidade, auxilia na venda institucional de produtos e patrocínios. Então a missão do Coritiba é obter títulos. Mas como chegar lá? Com solidez!
Quais as forças e fraquezas do Clube? Quais as ameaças e oportunidades que vocês enxergam no mercado?
Grandes oportunidades de mercado:
* O futebol como business exigindo um Clube estruturado. É necessário dar suporte aos investimentos. Nós estamos nos estruturando. Então isso é uma oportunidade.
Grande ameaça:
* Queda para a segunda divisão, sem ter uma estrutura sólida, que permita o retorno à primeira divisão.
As forças internas do Clube:
* A força maior é o bem comum que é o Coritiba e o amor incondicional dos Coxas-Brancas;
* No momento é a união dos jogadores. Mesmo com limitações estão buscando se superar;
* Seis anos de sistema de gestão, onde as decisões são tomadas em consenso pelos nove membros da Diretoria Executiva;
* Existe uma possibilidade de caírem e subirem quatro clubes por ano. Assim, teremos ambos os campeonatos fortes Todos os grandes cairão um dia, como acontece na Itália, onde dos times da Série A, apenas Juventus e Inter de Milão ainda não caíram para a Série B. O problema não é cair, é ter estrutura para voltar a subir. O Bahia e o Vitória não tinham e estão na terceira divisão. Mas olhe o exemplo do Palmeiras, que caiu em 2002, retornou em 2003, classificou-se para a Libertadores em 2004 e está novamente disputando a classificação para a Libertadores em 2006. Ou seja, voltou bem.
Grandes fraquezas:
* As dívidas remanescentes;
* Vaidades pessoais.
Como integrar as ações propostas de maneira sistêmica?
Temos que vencer as vaidades. Sem vencê-las não há integração.
Quais as metas de curto médio e longo prazo?
O projeto é de 10 anos. Nosso objetivo é sanear o clube promovendo uma curva descendente de dívida e investimento em futebol em forma ascendente, alcançando o ponto de equilíbrio em 2007. Claro que não esperávamos estar correndo o risco de cair para a segunda divisão.
O Coritiba de 2006 está sendo projetado desde o mês de setembro. Muito antes de se falar em eleições. Desde aquela época sabíamos da necessidade de contratarmos para o ano de 2006, um goleiro, dois laterais, dois zagueiros, três volantes, dois meias e dois atacantes.
CHAPA CORITIBA CAMPEÃO DE NOVO
Entrevista realizada no dia 02/12/05 às 17h20
Entrevistadores: Flávio Kitzig e David Meira
ENTREVISTADOS: TICO FONTOURA E RICARDO GOMYDE
PERGUNTAS DE CUNHO GERAL
Qual a sua política para as Categorias de Base?
Este é o tema que mais nos preocupou e mais nos chamou a atenção durante esta curtíssima campanha, passando a ser uma das prioridades propostas.
Resumida em poucas palavras: mais investimentos, devido ao pequeno aporte efetuado atualmente.
Uma das três prioridades é a construção de um novo CT para os atletas das categorias de base. Alguns já estão bem atendidos, mas outros têm que treinar em locais sem a mínima estrutura. Hoje nós temos vários conselheiros que atuam junto às categorias de base, que relataram o total abandono. Essa realidade faz com que muitos atletas desejem deixar o Clube.
É preciso profissionalizar. Acreditamos que por conta deste abandono, futuramente teremos menos jogadores revelados. O descaso com as Categorias de Base também é uma irresponsabilidade financeira. O ano do Coritiba foi muito bom o volume de recursos da televisão está na ordem de 11 milhões.
Além disso, houve a venda dos jogadores. Ainda tem duas parcelas do Rafinha para cair nas contas do Clube. Se nos livrarmos da segundona teremos dinheiros, basta priorizar. Será possível pagar dívidas, investir nas Categorias de Base e ainda formar um bom time no profissional.
Temos na nossa chapa abnegados Coxa-Brancas que se doam pelo Clube, particularmente pelas Categorias de Base. São eles: Pierre, Arthur, Cristian e Toninho.
O relato que fazem do descaso com as categorias de base é chocante. De nada adianta o atual Presidente falar maravilhas em suas propostas. Ele já está lá há quatro anos. Tem é que explicar porque não fez até agora.
Qual sua política para o departamento de futebol?
Todos os projetos caminharão melhor se houver uma estrutura com comando forte. Temos a intenção de ter dois entre os nove gestores que tenham responsabilidade direta sobre o futebol. Se não acharmos, buscaremos entre nossos pares. Temos pessoas experientes, ex-Presidentes com o Jacob Mehl e o Francisco Araújo.
Paralelamente a isso a contração de um gerente de futebol. Não há como deixar de ter um gerente técnico. Na atual comissão técnica já existe muita gente boa trabalhando, como na preparação física, onde realmente estamos bem.
A análise tem que ser meticulosa, tão logo tenhamos a definição das eleições, faremos a análise do que precisaremos e já sabemos de antemão que necessitaremos contratar muita gente. Para o futebol também buscaremos parcerias, não com o intuito emprestar o Coritiba. A idéia é usar as parcerias com empresários o menos possível.
Qual a política para o saneamento de dívidas?
Nós temos um especialista em negociações de dívidas, que é o Dr. Jocler.
Inclusive o início da negociação desta dívida junto ao Bradesco iniciou-se com ele e com o Dr. Manoel de Oliveira Franco, nosso aliado.
O Coritiba está endividado, como todos os clubes do Brasil. Nós temos a percepção que com o montante arrecadado este ano poderíamos ter avançado ainda mais inclusive no pagamento de dívidas. Não dá para entender como o Coritiba não conseguiu montar um time competente. Nós não estamos dentro do Clube e por isso não sabemos realmente qual a realidade.
Se permanecermos na primeira divisão poderemos avançar bastante na questão das dívidas e ainda montar um time forte. Se o Coritiba cair para a segundona, cai por terra o alicerce de saneamento da atual gestão.
Como pode uma gestão se orgulhar da gestão financeira se expõe o Coxa ao perigo da segundona? Isso arrasa as contas do clube! Já soubemos que a Claro não renovará o contrato. Isto representa perda de recursos e dificuldades.
Felizmente contamos com o auxílio inestimável de vários profissionais, como o Marcos Hauer, um economista prático, Dr. Francisco Araújo, Dr. Manoel de Oliveira Franco que provou sua virtude, negociando as dívidas junto aos bancos. E ano que vem haverá a Time Mania, importantíssima para o saneamento de dívidas.
Não temos medo da situação financeira. Vamos enfrentá-la com seriedade.
Qual a sua política para os investimentos no patrimônio do Clube?
Buscamos possibilidades de parcerias. Várias ofertas estão sendo feitas ao Clube, as quais estou tratando de maneira profissional, pois existem oportunistas no mercado. Tais propostas têm chegado em número assustador.
Existem muitas pessoas interessadas em investir nas Categorias de Base. Mas nem sempre se consegue fazer tudo o que se planeja. Por isso a importância de se buscar parcerias e novas idéias, por meio do apoio que os diversos ex-Presidentes tem nos dado.
Claro, o estádio Couto Pereira, pela sua grandeza, requer investimentos permanentes para sua manutenção e estética. A conclusão do terceiro anel é uma das nossas três pilastras. Tentaremos de todas as maneiras viabilizar esta obra. Várias parcerias estão nos procurando oferecendo-se para assumir a construção.
Do ponto de vista financeiro, ainda tem a Time Mania. Esta loteria será fundamental na vida financeira do Coritiba, pois possibilitará a quitação de dividas junto à União. Esperamos não cair, para não diminuir as cotas de participação, pois as mesas serão divididas de acordo com divisão que o Clube se encontra.
PERGUNTAS ESPECÍFICAS SOBRE AS PROPOSTAS VEICULADAS
Na proposta veiculada, falou-se sobre Conselho forte, aproveitamento de
talentos, sobre conceitos de marketing de redes. Para vocês, qual o conceito moderno de rede?
Você vai ter que conversar com o Gustavo Hauer que é especialista em Marketing. Ele nos fez propostas bastante interessantes com este fim. Apesar dele não estar na chapa, faz parte do time que ajudará a estruturar a área.
Outras pessoas também pode podem contribuir com isso. O fato é que o Coritiba é um deserto nessa área, apesar dos esforços da Isabel, nossa competente funcionária.
Giovanni não disponibiliza recursos para o Marketing. Isso faz com que nossos concorrentes avancem e o Coxa não.
É particularmente curioso ver o atual Presidente, na proposta de sua chapa, falar de projetos maravilhosos de marketing. O papel aceita tudo! Ele está lá há quatro anos e nada fez nesta área. Por que agora iria fazer? Nos parece palavras ao vento...
Participação do Conselho. Como mobilizar um Conselho desunido e desgastado?
Nosso Conselho realmente está desgastado. Isso porque achamos o mesmo um tanto restrito e limitado. Somos a favor de um aumento número de Conselheiros. Mas enquanto isso não acontece, vemos a eleição como algo salutar. Ela tem seu mérito, pois nossa candidatura é baseada numa Proposta e não uma discussão pessoal.
Essa disputa está fazendo com que a discussão seja lançada sobre os 153 conselheiros e a torcida. Se não tivéssemos lançado a chapa, talvez essa entrevista com os Coxan@utas nem estivesse acontecendo. Isso valoriza o Conselho.
O fato é que o Conselho é amplamente desvalorizado pela atual administração. Com a administração monocrática do Giovanni, o Conselho perdeu prestígio. Nossa chapa propõe o Dr. Júlio Militão com uma diretoria alto nível. O Conselho vai voltar a ser ouvido.
Como alinhar as idéias pessoais em torno de um processo institucional?
Esta não é uma tarefa fácil. Há pessoas das mais diferentes correntes e muitas visando exclusivamente o poder. Só poderemos restabelecer um debate que possa levar a uma convergência ou diminuição de arestas na medida que o nosso Conselho for repensado, até mesmo com uma mudança no estatuto. Isto está enraizado no futebol. Sempre tem alguém se achando dono do Clube, quando realidade o Coritiba não é de ninguém e sim de todos.
Quais as estratégias para atingir o público infantil?
Gostaria de responder com uma frase: fazer com que o jovem se sinta atraído pelo Coritiba. Ele tem que desejar a freqüentar o estádio.
Todo o garoto tende a torcer pelo time campeão. A maior forma de aumentar a torcida é ter um time forte e campeão. Campeão de Novo. Vamos fazer várias coisas. Mas o essencial é que a criança veja o time na mídia.
Buscaremos fazer um convênio com a Secretária de Educação destinando uma parcela do estádio em jogos de pouco público para levar os alunos da rede estadual de educação. Os estudantes estão sensibilizados e motivados. O Clube, por sua vez, estará conquistando novos torcedores. Investiremos em marketing nas escolas.
Renovar o time de masters, que está sem apoio. Eles podem desenvolver ações sociais e levar o nome do Coritiba ao interior do estado.
As escolas de futebol. Como implantar isso, qual a modalidade de negócios, qual o vínculo legal com o clube?
Parceria. Buscar expertise no mercado. Existem muitas modalidades e existem empresas que atuam nesta área, seja por meio de franquias ou por outros modelos.
Evidentemente que o Coritiba não irá se burocratizar a ponto de gerenciar cada uma delas. Vamos definir os estes modelos e buscar parcerias para capilarisar a iniciativa. Sabemos que este processo tem que ser avaliados com muito cuidado para não incorrermos em erros já acontecidos anteriormente, com oportunistas se aproveitando da situação.
A implantação não é simples e nem imediata. Com a proposta, o Clube ganha em duas frentes concretas: a primeira é a formação de talentos. A medida que eles aparecerem serão encaminhados ao Clube; a segunda é o próprio marketing. Imagine a criançada andando com a camisa do Coritiba pela cidade, gerando simpatia pelo Clube e abertura de mercado.
Essa idéia talvez não constasse de nossa proposta, mas temos um número expressivo de conselheiros ainda jovens e mais entusiasmados que fazem parte de nossa chapa e que certamente trabalharão nesta área com muito amor e afinco.
Futebol máximo. Como montar um grande time? Quais os componentes adotados para isso?
Para formar um grande time, partindo-se do zero, o que não é caso do Coritiba, é necessário se cercar de pessoas competentes e, se possível, você como gestor deverá acompanhar e ter a felicidade de entender o futebol.
Muitos dizem que eu entendo de futebol e muitos outros dizem que sou metido a entender de futebol. Eu acho que não me situo nem numa e nem noutra posição. O que eu adoro é discutir o tema. Tenho muitos técnicos como amigos, dentre eles o Bonamigo. Nos encontrávamos para falar sobre futebol. Então há que se aferir dentro do Conselho, quem tem a capacidade de, junto com olheiros, conseguir atingir um nível de acerto na ordem de 40% o que é bem razoável.
Temos que fazer uma avaliação interna para saber quem pode opinar sobre este ou aquele jogador. Montar um grande time é isso. Ter olhos para enxergar e habilidade para fazer negociações que não onerem o Clube, por meio de um conjunto de pessoas que entendam de futebol.
Qual a experiência dos participantes da chapa na administração do futebol profissional?
Eu tive uma passagem de nove meses a vinte anos atrás. Também temos o apoio de ex-Presidentes, que neste aspecto tinham a obrigação de se envolver com o futebol. Dentre vários nomes, lembro do Marcos Hauer e do Francisco Araújo.
O Homero Halila já passou pela administração do Clube. O Nadir Elache também. O Gomyde e o Macias já dirigiram o Conselho. Há vontade de trabalhar e experiência do lado de cá.
Como viabilizar a construção do terceiro anel? Tem projeto pronto? Como viabilizar financeiramente o projeto?
Nossa chapa não tem projeto pronto. Mas o Coritiba como instituição tem.
Inclusive discutimos muito sobre sua viabilidade. É claro que faremos uma análise e buscaremos outros projetos que se adeqüem à linda estrutura do estádio.
O contraste da uniformidade com o grande pavilhão é uma coisa que não há nada parecido no mundo. Diversos empresários nos procuram com propostas para a conclusão. Sou construtor e viabilizaremos o terceiro anel.
De novo, nada adianta o Giovanni prometer. Ele está lá há quatro anos e não fez. Isso é fato. O resto é conversa.
A quanto tempo a chapa está se articulando e se organizando para concorrer às eleições?
Esta articulação surgiu ao natural, pois um número expressivo de conselheiros, tem debatido dois ou três vezes por semana há uns três meses, discutindo as eleições e muito mais do que isso, discutindo maneiras de como colaborar com a atual diretoria. Mas as idéias afloraram naturalmente e apareceram praticamente prontas. Não possuímos uma proposta formalizada ou documentada que pudesse ser mostrada no momento.
PERGUNTAS DE GESTÃO
Estas quatro perguntas foram respondidas através de e-mail
A Chapa possui missão e visão?
As principais missões de nossa chapa são:
• A reestruturação por completa do futebol em todas as suas categorias;
• Fazer e executar um verdadeiro planejamento de marketing em toda sua área de atuação, desde conquistar torcidas infantis até um relacionamento com investidores internacionais através de modernos conceitos de marketing de negócios;
• Investir em infra-estrutura, principalmente na conclusão do terceiro anel;
• Executar uma administração totalmente participativa, aproveitando todos os potenciais que o clube possui;
• Fazer com que o Conselho de Administração volte a ser uma ferramenta importante e forte dentro do Clube;
• Atuar muito forte na abertura de novas escolinhas de futebol no estado do Paraná, que hoje perdemos de feio para nossos adversários, entre outras.
A nossa visão é muito simples: precisamos fazer com que o Coritiba se torne um Clube competitivo e competente. Não adianta sermos competentes em gestão financeira se não somos competitivos no marketing, no relacionamento e principalmente em nosso produto principal, a nossa alma, que é o futebol.
Quais as forças e fraquezas do Clube? Quais as ameaças e oportunidades que o mercado apresenta ao Clube?
A maior força do Coritiba é sua marca, sua tradição e os homens que fazem ou fizeram esta história, por isso que é importante que o Clube seja dirigido por homens de força e tradição, homens que sempre freqüentaram o Clube e o ajudaram nas horas que foram preciso.
Hoje as fraquezas do Clube são principalmente suas dívidas, que ainda são muito altas, a falta por completa de planejamento e execução de marketing, a falta de responsabilidade no futebol e em suas Categorias de Base, e principalmente a falta de planejamento em logo prazo, coisa que nosso arqui-rival fez há dez anos atrás.
A principal ameaça é que hoje o clube vive em uma curva voltada para baixo e uma hora ou outra, se não for tomada medidas extremas imediatamente, tudo vai por água abaixo.
O mercado está aguardando com muita expectativa que o Coritiba se mantenha grande, com uma administração competente e competitiva.
Como integrar as ações propostas de maneira sistêmica?
Com uma administração participativa, captando os melhores profissionais possíveis do mercado.
Quais as metas de curto, médio e longo prazo?
Curto: Arrumar imediatamente nosso produto que é o futebol. Temos que transformar todas as categorias do Clube em competitivas, reestruturando assim todo o Departamento de Futebol do Clube.
A médio e logo prazo, após termos novamente um produto forte no futebol para explorar, precisamos fortalecer nosso patrimônio e nosso clube, investir pesado em marketing, e outros assuntos que já foram citados acima.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)