
Entrevista exclusiva realizada com o meia Tcheco.
Tcheco, quando da sua saída do Coritiba, a torcida passou por momentos distintos: o da tristeza de perder seu ídolo e o da felicidade pelo sucesso profissional desse mesmo ídolo. A torcida Coxa de deixou lembranças?
Resposta: Muitas lembranças, por vários fatores:
- por ter sido campeão invicto estadual e ver a festa que o torcedor fez naquele dia, como eu nunca vi. Agora com o Estatuo do Torcedor eu não verei o Couto Pereira lotado daquele jeito. Foi uma festa Incrível!
- por ter marcado um gol num clássico e comemorar com o torcedor e o máximo, uma sensação única.
- e principalmente, o carinho que a torcida tem por mim,sou muito grato a DEUS por uma torcida grande, da minha cidade ter todo esse carinho por mim.
O Coritiba teve poucos ídolos nos últimos anos. Atualmente Adriano e Marcel podem ganhar essa marca pela torcida. Mas antes de você, Cléber (atacante campeão em 1999) havia sido o último grande ídolo. Como é ser ídolo de uma torcida como a do Coritiba?
Resposta: Infelizmente tive que curtir pouco tempo, pois a minha saída foi de repente até pra mim. Mas é gostoso saber da felicidade que um ídolo trás pro seu torcedor, o reconhecimento do seu trabalho, que é muito difícil nesse meio. O carinho pelas ruas, lojas, é muito gostoso, mas sempre sabendo da responsabilidade da minha conduta perante todos vocês.
A torcida do Coritiba influencia o desempenho do time quando ele joga no Couto?
Resposta: Muito, principalmente jogos decisivos e importantes, quando o time está um pouco sonolento, devagar, sempre está o torcedor para nos animar e nos encorajar no jogo.
Muitos torcedores acreditam que se você estivesse no Coritiba durante todo o campeonato brasileiro, o Coritiba teria ido mais longe. E você, o que acha dessa teoria?
Resposta: Particularmente também acreditaria o sincronismo com outros jogadores era perfeito, eu tinha ema certa liderança com os jogadores junto com Reginaldo Nascimento, Fernando e outros e também depois alguns jogadores me disseram que sentiram minha falta dentro e fora de campo.
Conte-nos um pouco dessa sua experiência de vida em viver na Arábia.
Resposta: Um país muito diferente do nosso. A coisa mais difícil realmente é a religião, costumes, o calor realmente é muito forte, mas tem jogo durante uns dois mês e meio, no inverno deles é tranqüilo para viver e jogar. Treinos e jogos só de noite. Agora estamos jogando jogos internacionais. E quanto ao sair, os restaurantes têm setores para família e só para homens, assim como os shoppings center só para família. Têm os horários das orações, e as lojas fecham 5 vezes por dia. Se você estiver dentro tem que sair e esperar abrir. Esse período de tempo fica em torno de 15 e 30 minutos.
O brasileiro ainda tem no futebol algo de muita importância na sua vida. Os jogadores de futebol poderiam colaborar mais com o país, numa análise sócio-econômica-cultural?
Resposta: Poderia, mas muitos jogadores fazem mas não divulgam. Isso existe e muito, não sei explicar porque, mas a maioria prefere ficar fazendo assim. Eu mesmo quando faço esse tipo de coisa prefiro fazer assim.
Você ainda acompanha o Coritiba?
Resposta: Sim ,estou por dentro de tudo,já dei os parabéns para o Moro pela contratação do aristizabal,indiquei o Rodrigo Batata,estou sabendo que o Eder que veio do Franscico Beltrão esta se destacando nos treinos,ganho do Rio Branco um amistoso,sempre que posso acompanho, por gosto do COXA.
Durante a temporada de 2003, enquanto você estava no elenco, você teve condição de avaliar alguns dos novos jogadores do Coritiba (juniores ou pratas-da-casa) que poderia destacar-se futuramente?
Resposta: Além do Adriano, que já e uma realidade, tem o Cacique, o Nivaldo, o próprio Danilo que também é uma realidade, tem o Juninho zagueiro, o Fávaro. O mais importante é sempre dar tempo, tranqüilidade, senão acaba perdendo um craque de bobeira.
Nem todos os jogadores de futebol têm um comportamento ético como o seu, tanto dentro como fora de campo. Se pudesse aconselhar os garotos que um dia sonham em ser jogadores de futebol, que conselho seria?
Resposta: Que sempre seja correto, trabalhe muito, tudo tem seu preço. Se desejar ser um campeão, um ídolo, tem que pagar esse preço. Um caráter de homem vale mais que qualquer desconfiança. É sempre bom olhar nos olhos das pessoas sem receio nenhum. O jogador tem que saber a hora de sair, cumprir os horários, SER PROFISSIONAL.
O Coritiba mudou sua vida?
Resposta: Com certeza, em todos os Sentidos: reconhecimento, abrindo as portas no exterior, por isso que não vou esquecer esse momento.
A conquista da vaga para a Libertadores colocou você e diversos jogadores do Coritiba para sempre na memória da torcida Coxa. Como é conviver com o fato de ser um jogador que marcará para sempre a história de um Clube?
Resposta: Essa também era uma meta minha. É muito gratificante ficar na historia por um feito. Acho que o título invicto e a libertadores foram uma página bonita que escrevemos no Clube. Meu maior sonho vai ser levar meu filho para ver as fotos no Clube desse momento.
Tcheco, cite um momento em tua passagem pelo Coritiba onde a torcida ajudou muito o time a vencer um jogo.
Resposta: Contra o Paranavaí, já que nós tínhamos empatado o jogo de ida e a festa era grande no Couto. Em certo momento do jogo, o time adversário nos assustou. Foi quando a torcida nos incendiou dentro de campo e o final todos sabem...
O torcedor Coxa ainda tem uma esperança de ter você jogando novamente do Coritiba. Isso é possível?
Resposta: Não basta sonhar, a torcida tem muita força, ajudar o time na Libertadores. Vocês têm muita influência dentro de campo. A Libertadores depende de vocês também. Ajudem que já será um grande passo.
Tcheco, uma mensagem para a torcida Coxa:
Resposta: obrigado mais uma vez pelo carinho. Sempre estarei à Disposição. Estarei torcendo pelo Coxa aqui, Fiquem COM DEUS e até a próxima!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)