
COXANAUTAS
O site dos Coxan@utas publicam nova entrevista exclusiva para seus internautas. Convidamos o ex-árbitro de futebol Valdir de Córdova Bicudo para contar um pouco sobre a arbitragem e o futebol paranaense.
Conte-nos um pouco de sua vida profissional como árbitro e dos seus atuais projetos profissionais .
Iniciei minha carreira de árbitro de futebol na extinta Liga de Futebol dos Minérios, em 1979 (atual Liga de Almirante Tamandaré). Posteriormente, fui convidado a atuar como árbitro de futebol na Liga de S. J. dos Pinhais, depois Liga de Futebol de Campo Largo e por último na Liga de Futebol de Piraquara.
Em fevereiro de 1982 me inscrevi no curso de árbitros da Federação Paranaense de Futebol, onde fui aprovado em terceiro lugar no dia 8 de outubro de 1982. Em 83, fiz minha estréia como bandeira (hoje árbitro assistente) na terceira rodada do Campeonato Paranaense na partida Colorado x Matsubara, num jogo à noite na Vila Capanema.
Como árbitro fiz minha estréia na extinta segunda divisão na cidade de Clevelândia no jogo Tabu x Guarani de Arapoti em 1987 e em 1989, apitei a minha primeira partida na primeira divisão no jogo Toledo x Pato Branco.
Daí em diante, passei a apitar jogos da Divisão Especial do futebol paranaense, culminando com a minha indicação para o quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol em março de 1992. A época, no teste de Cooper, realizado na pista da PUC, fiz 3.340 metros em 12 minutos e fui considerado o terceiro melhor teste do Brasil.
Apitei quatro AtleTibas, sendo dois em 95, um em 96 e o último no dia 13 de abril de 97, quando Atlético suplantou o Coritiba, pelo placar de 5 x 2 no Pinheirão. Nesse mesmo ano após um desentendimento com o ex-presidente do Coritiba, Sr. Joel Malucelli, fomos denunciados no STJD da CBF e pela punição imposta decidi que era momento de vivenciar outros momentos no futebol.
Meu principal projeto no que diz respeito ao futebol é me especializar cada vez mais no que diz respeito à arbitragem (Regras do Jogo), já que sou o único ex-árbitro que me dedico ao tema e que tem uma coluna semanal específica sobre arbitragem há cinco anos, na Tribuna do Paraná, há seis anos na CNT, como comentarista de arbitragem, e no Rádio, onde estou também desde janeiro de 1998. Atualmente, participo do Programa Comando da Manhã, na Rádio Cultura AM 930, de segunda a sábado a partir das 8h da manhã.
No ano passado participei do Seminário Internacional de Futebol de Quadras, patrocinado pela Paraná Esporte, Paraná Clube e Centro Federal de Formação Tecnológica do Paraná (Cefet). Aliás, sou o único ex-árbitro do Paraná que participou na condição de conferencista e recebeu o certificado do Cefet.
Recentemente participei via internet do Seminário Internacional de Instrutores de Arbitragem da Uefa realizado na Eslovênia.
Qual a avaliação do senhor sobre o nível técnico da arbitragem paranaense em relação à brasileira?
O nível técnico da arbitragem paranaense é regular se comparada em relação a outros Estados da Federação. A meu ver temos três árbitros com potencial para apitar qualquer jogo do futebol brasileiro. Carlos Jack Magno, Heber Roberto Lopes e Evandro Rogério Romann.
Se o senhor pudesse indicar os trios de arbitragens ideais para os dois jogos da final do Campeonato Paranaense, quais seriam os nomes?
Carlos Jack Magno (Árbitro) e como Árbitro Assistentes Roberto Braatz e Rogério Carlos Rolim ou Heber Roberto Lopes (Árbitro) e como Árbitro Assistentes Altemar Roberto Domingues e Francisco Aurélio do Prado.
O que é possível fazer para melhorar o desempenho dos árbitros, evitando ou reduzindo erros como o gol que o Marcel fez contra o Fortaleza em 2003 e que não foi validado?
Reunir os árbitros e realizar mensalmente conferências, seminários, painéis, com personalidades com notório saber sobre as Regras do Jogo, inclusive convidando instrutores internacionais da Conmebol e da Fifa, que, possuem uma visão macro da arbitragem dentro do contexto mundial e com isso capacitar melhor os nossos árbitros.
O senhor acredita que a FPF poderia colaborar com a melhoria no desempenho dos árbitros paranaenses?
Sim. Desde que adotasse as propostas mencionadas na pergunta anterior e tivesse uma Escola de Árbitros atuante o que é um dos meus desejos num futuro bem
próximo.
Conte-nos um fato insólito, engraçado, pitoresco quando o senhor era árbitro profissional.
Em 1984 na cidade de Pato Branco, num jogo noturno o Pato Branco x Toledo jogavam e quem perdesse ficava à beira do abismo. A equipe da casa vencia pelo placar de 1 x 0, e um torcedor do Pato atirou para dentro do campo de jogo uma raposa viva.
Tivemos sérias dificuldades para terminar aquele jogo e principalmente para retirar o "bichinho" do campo sem molestá-lo. O objetivo da torcida local ao atirar a raposa no campo de jogo visava esfriar o adversário a qualquer custo.
Os ex-árbitros não poderiam ser remunerados para ministrar cursos de aperfeiçoamento profissional aos novos árbitros?
Poderiam, desde que sejam qualificados para isso. Não basta ser ex-árbitro para ministrar cursos de aperfeiçoamento.
Não seria necessário ampliar a profissionalização da arbitragem, com infra-estrutura médica, física, fisiológica, psicológica como ocorrem com os jogadores de futebol?
A profissionalização da arbitragem é a solução definitiva para a independência definitiva dos árbitros junto aos clubes, federações e a CBF e para a melhora na qualidade da arbitragem.
O problema é que os interesses "escusos" são muito fortes e dificilmente a profissionalização da arbitragem vai acontecer em curto espaço de tempo no Brasil. O projeto de profissionalização do árbitro de futebol está parado na Comissão de Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados o (autor é o deputado Bonifácio Andrada de Minas Gerais) e não se tem conhecimento de qualquer avanço com relação ao assunto.
As taxas de 10% cobradas pela FPF junto aos clubes não poderiam ser mais investidas no aperfeiçoamento profissional do quadro de arbitragem, e por conseqüência, na melhoria no desempenho do futebol paranaense?
Poderiam, desde que tivéssemos a Escola Paranaense de Árbitros ou uma Academia de Árbitros dirigida, volto a frisar por pessoas com notório saber sobre as Regras do Jogo.
Se o senhor tivesse poder para alterar algumas das regras do futebol, o senhor o faria? Se sim, qual delas?
Sim. A Regra XII, Faltas e Conduta antiesportiva. Limitaria o número da faltas. A partir da 10ª falta, tanto no primeiro como segundo tempo, a equipe que excedesse esse número de faltas teria contra si um tiro livre direto sem barreira a partir da meia lua.
Qual o seu palpite sobre quem será o Campeão Paranaense de 2004?
São dois gigantes do futebol paranaense e protagonizam o nosso maior clássico. E quando se trata de AtleTiba não há favorito.
A impressão que tenho no momento é que o Atlético está melhor emocionalmente do que o Coritiba que não faz uma boa campanha na Copa Toyota Libertadores da América, no entanto como já disse são dois gigantes e tudo pode acontecer.
Agradeço sensibilizado ao sítio coxan@utas pelo espaço à mim dispensado e me coloco à disposição para qualquer questionamento. Muito Obrigado!
Valdir de Córdova Bicudo - bicudoapito@bol.com.br
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)