
Alguém viu um futebol por aí?
A noite foi triste para a gigante nação alviverde que lotou as arquibancadas do Couto Pereira. Com os resultados da rodada, uma vitória praticamente selava a classificação do Verdão para a outra fase... mas o Coxa jogou tão mal, que realmente não mereceu outro resultado senão a derrota.
E com um gol relâmpago no primeiro tempo (30 segundos!) e outro logo aos 11 da segunda etapa, o time catarinense deixou Curitiba feliz da vida com a vitória por 2x1 e a vaga na primeira divisão do torneio garantida para 2003.
A ausência de Tcheco, mais uma vez, mostrou-se fatal para o time de Bonamigo. O treinador, aliás, não consegue trabalhar com as peças de reposição. Já tentou Willians, Ataliba, hoje tentou Pepo... e o resultado é sempre igual: o adversário domina o meio-campo, Lúcio Flávio é sobrecarregado e o ataque não funciona.
Para piorar, a defesa alviverde não poderia ter jogado pior: o jovem Tiago sentiu a pressão da importância do jogo, Edinho Baiano não acertou um passe, Badé não atacou e ainda fez de sua lateral uma avenida para os adversários e Reginaldo Araújo teve uma noite sofrível. Até Reginaldo Nascimento, que completou 200 jogos com a camisa do Verdão, não esteve bem - apesar de ter sido um dos poucos a mostrar "raça" em campo. Nota: será que o atleta não merecia uma homenagem dos torcedores antes do jogo? Se houve, foi discreta.
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Saída de bola para o Figueirense, a torcida começa a agitar nas arquibancadas. A jogada é em velocidade, pela direita, e Badé, na primeira, já fica na saudade. Willian cruza para Thiago Gentil, sozinho (para quê três zagueiros?), tocar a bola com o pé no canto direito de Fernando. Quase 30 segundos de jogo e o placar já estava inaugurado.
"Deve ser uma nova tática do Bonamigo, já que o Coxa só vence de virada", diziam os torcedores. Algumas vezes, porém, parece que a estratégia não dá certo.
Mas a impressão que dava era de uma virada iminente. Não que o Coxa estivesse jogando bem, mas era nítida a baixa qualidade do time visitante, digna de uma vaga para a segunda divisão. Tanto que, logo aos 15 minutos, o Verdão chegava ao empate. De um escanteio da direita, a bola sobrou para Lúcio Flávio chutar forte: 1x1.
Foi aí que o jogo acabou para o Coxa. Em vez de incendiar a torcida com uma pressão avassaladora, errou dezenas de passes, tirou o pé das divididas e deixou os adversários à vontade para contra-atacar. Fernando passou a ser o nome do jogo, fazendo as costumeiras belas defesas.
O intervalo serviu para esfriar ainda mais o clima no Coritiba - que, estranhamente, não refletia a idéia de "o jogo da nossa vida", transmitida durante a semana através de entrevistas. Clima este refletido nas arquibancadas: um silêncio de 40 mil pessoas.
Com a defesa alviverde ainda mais instável e parecendo "pedir" para levar o gol, o Figueirense logo chegou lá, de novo com Thiago Gentil. Bola levantada da esquerda, Edinho Baiano bobeou na pequena área e dominou a bola para o atacante adversário marcar seu segundo gol.
As saídas de Badé e Pepo para as entradas de Sérgio Manoel e Jabá não surtiram qualquer efeito. Pior, a defesa ficou mais vulnerável e o meio-campo sumiu, obrigando os jogadores a recorrerem à brilhante técnica do chutão pra frente.
Dessa forma, o Coxa praticamente não assustou o Figueirense, exceto em cobranças de falta próximas à área. Nos acréscimos, Lima brigou com Marcinho e ambos foram expulsos. No último lance, a melhor chance de empate do Cori: com a bola no chão, Lúcio Flávio lançou Lima na área, mas o goleiro Edson Bastos fechou o ângulo e abafou o chute do atacante Marcel.
Domingo, às 16h00, o Coritiba enfrenta o já rebaixado Gama. Amanhã, porém, todas as atenções ficam concentradas em dois jogos: Fluminense x Portuguesa e São Paulo x Vitória. Caso nenhum dos dois vença, a classificação do Coritiba no final de semana fica por conta do próprio alviverde.
CORITIBA
Fernando; Tiago, Edinho Baiano e Reginaldo Nascimento; Reginaldo Araújo, Roberto Brum, Pepo (Jabá), Lúcio Flávio e Badé (Sérgio Manoel); Lima e Da Silva (Marcel).
Técnico: Paulo Bonamigo
FIGUEIRENSE
Édson Bastos; Carlinhos, Márcio Goiano e André Luís; Paulo Sérgio, Marcinho, William, Igor e Lino; Selmir (Simplício)e Thiago Gentil.
Técnico: Muricy Ramalho
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)