
FALA, CONSELHEIRO
Fim das caças às bruxas
Passado um dos períodos mais turbulentos da gloriosa história do Coritiba Foot Ball Club vem uma nova fase, com nova diretoria, novo Conselho Deliberativo. Mas a prática parece continuar a mesma, principalmente quanto à intolerância instaurada por diversos setores da torcida coritibana.
É certo que aqueles torcedores mais antigos, que acompanharam as fases mais gloriosas do clube nas décadas de 60, 70 e início dos anos 80, têm sempre uma tendência a achar que as coisas não vão bem. E de fato têm razão, já que o Coritiba parece mesmo ter estacionado no tempo, após a conquista de seu maior triunfo, em 1985. Mas o principal problema que vejo sobre a intolerância é que esta não vem desses torcedores, mas, sim, daqueles mais novos. E é para eles que quero fazer alguma abordagem.
Na qualidade de conselheiro do Coritiba, venho aos torcedores alviverdes tentar colocar alguns pontos que considero primordiais para que tenhamos paz na administração do clube e conseqüente melhora nos resultados apresentados dentro das quatro linhas do gramado.
A cobrança, prezado torcedor, é saudável e deve realmente existir. Não podemos, em momento algum, sermos tolerantes com as coisas que nos desagradam. Temos, sim, que ser combativos, que buscar sempre o melhor. Só que essa cobrança deve ser responsável, com razão de ser, com conhecimento de causa, não a cobrança que vem sendo feita.
Cito isso pelo fato de que estamos envolvidos emocionalmente com o Coritiba de uma forma jamais antes vista. O período em que estivemos na segunda divisão nacional serviu para despertar nos torcedores um amor jamais alcançado na estória desse Clube. Mas não podemos nos tornar fanáticos, passionais, não podemos perder a razão que achamos possuir (e de fato ainda a temos).
Desde antes da posse da atual diretoria a torcida coritibana já vinha responsabilizando os atuais dirigentes por atos que não eram de sua responsabilidade, como o pagamento de salários, prêmios, dívidas com ex-dirigentes, etc.
Passados apenas dois ou três dias da posse dessa diretoria sites especializados já noticiavam a falta de trabalho em relação à contratação de jogadores e técnico. Eis que veio o técnico que a própria torcida achava ser o melhor, a um custo altíssimo; resultado: mudou-se a cobrança para a formação do elenco. Até aí a discussão era saudável, necessária. Mas perdeu-se a razão quando se cobrou pressa nessa formação, a contrário do que a torcida sempre pediu, que não fôssemos ao mercado buscar jogadores de forma afoita, que contratássemos jogadores com calma, com avaliação técnica, para não cometermos os mesmos erros do passado.
Vide, prezado torcedor, os fatos ocorridos nas últimas semanas:
1 – Dívida com o Sr. Sérgio Prosdócimo e outros: trata-se, pois de uma dívida bastante antiga, negociada e prorrogada várias vezes. Seus motivos? Empréstimos para cobrir rombos de orçamento, pagar salários e impostos. O que se falou? Que o Sr. Prosdócimo teria emprestado dinheiro ao Clube para se tornar dono de jogadores, para auferir fáceis lucros, com juros exorbitantes. A verdade? Não é essa, ficou provado.
2 – Venda do Henrique: por causa da penhora judicial (leia-se: judicial) do passe do jogador não houve outra maneira de mantê-lo no Clube, se não a de vender o mesmo para aquele que era o único interessado, pela quantia de 7 milhões de reais. O que se falou? Que os credores (Sr. Prosdócimo e o Sr. Arruda) teriam pressionado para a realização da venda para receberem a quantia; que o Henrique é o melhor zagueiro do mundo e teria que ter sido vendido por 30 milhões. A verdade: o Sr. Prosdócimo renegociou a dívida com prazo de carência e retirada significativa dos juros; que o Henrique é, sim, um bom zagueiro, motivo pelo qual teve a maior transação já feita no Brasil em um jogador da zaga, mas que para ser vendido por exorbitâncias ainda faltaria muito futebol e experiência; que o dinheiro de sua venda entrará nos cofres do Clube, não no bolso de dirigentes.
3 – Gomyde diretor de futebol: ontem se falou por horas sobre mais esse boato. Mais um caso de exposição desnecessária do Clube à mídia, de forma negativa. Além do mais, exposição de mais um membro da diretoria à afiada e incisiva língua daqueles que falam por falar, sem conhecimento de causa e sem pensar nas conseqüências de seus atos.
Criticou-se, e ainda se critica esse grande Coxa-Branca, como que querendo arruiná-lo, sabendo que seu nome é sua ferramenta de trabalho, já que é homem público.
A verdade: Ricardo Gomyde não é e nem será responsável pelo futebol profissional do Coritiba. O resultado: agrediram por agredir, causando prejuízos pessoais ao dito cidadão e instauraram desnecessária suposta crise interna e externa no Clube.
4 – Keirrison: criticou-se demasiadamente a diretoria atual de querer vender este jogador, que o mesmo valeria muitos e muitos milhões. Agora, diante de um jogo que o mesmo não marcou gol a maioria dos torcedores pedem a sua cabeça, inclusive declarando que o mesmo tem que sair do Clube por quanto oferecerem por ele (antes servia, agora não serve mais?). Os fatos: trata-se de um garoto, mas que é profissional e, acima de tudo, humano. E por assim ser, é normal que ele tenha sonhos de ganhar muito dinheiro, com sua promissora carreira.
Falou-se em incompetência na não renovação de seu passe, mas o fato verdadeiro é que este jogador não foi formado na base do Coritiba, aqui já chegando com contrato vinculado a empresários.
Explicação existe, basta correr atrás da verdade dos fatos. Resultado: obviamente o jogador ficou e ficará abalado psicologicamente.
Exemplos e mais exemplos teriam aos montes para colocar, sobre fatos que estão prejudicando a imagem do clube e que não são da forma como a mídia e a própria torcida vêm falando.
O que quero dizer com isso tudo? Que instituímos em nossas cabeças a cobrança pela cobrança; nos tornamos eterna oposição pelo simples fato de termos nos acostumado a criticar, a falar mal, a achar que nunca dará certo, que as coisas jamais poderão melhorar. Em suma, nos tornamos derrotados, perdedores, pessimistas de carteirinha.
E pergunto: por qual motivo não podemos agir de forma racional, com responsabilidade, em nossas cobranças?
Vide, caro torcedor, que antes de escrever qualquer linha falando mal desse ou daquele, fui ao Clube tentar entender o que ocorria, pedir para ver contratos, pedir fossem apurados os fatos noticiados, se verdadeiros ou falsos. Isso é o que tem que fazer o torcedor, o sócio, o conselheiro do Clube. E é assim que teremos que agir daqui para frente, sob pena de enfraquecermos mais e mais a nossa marca, de denegrirmos cada vez mais o clube que tanto amamos, causando-lhe prejuízos irreparáveis de ordem patrimonial (fuga de torcedores, patrocinadores, etc. E o pior de todos os prejuízos, a crise administrativa repassada para dentro do campo, que já pode estar ocorrendo).
Assim sendo, venho aos torcedores do Coritiba pedir um pouco de paciência e muita cautela. Antes de colocarem notícias em sites especializados, antes de comentarem e repassarem essas notícias, antes de agirem passionalmente, respirem fundo e reflitam sobre a veracidade da informação, sobre a qualidade e credibilidade da fonte; entrem em contato com os conselheiros do Clube, peçam informações aos diretores, ao Conselho Consultivo, ao Conselho Fiscal; e então, certos de que se trata de uma verdade absoluta, critiquem, mas sem esquecer que é da intensidade e efeito dessa crítica que teremos ou não prejuízos não almejados (e duvido que algum Coxa-Branca queria mal o Clube que ama).
A todos que quiserem enviar sugestões, que queiram participar de algum assunto, expor suas críticas e opiniões, que queiram que eu, na qualidade de conselheiro (quiçá do Conselho Fiscal, se eleito em fevereiro), leve suas indagações para dentro do Clube, entrem em contato por meio do correio eletrônico giovanizilli@hotmail.com
Eu e os demais conselheiros estaremos aqui para ajudar o Clube a voltar ao lugar de onde jamais deveria ter saído, que é a galeria dos maiores clubes do Brasil e maior do estado do Paraná, podem ter certeza disso.
Por um Coritiba forte e grande. Sempre!!!
Giovani Zilli é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)