
OPINIÃO
Finalmente uma boa viagem
Como médico da seleção brasileira de voleibol masculina, dificilmente passo o mês de novembro e início de dezembro em Curitiba, devido a compromissos profissionais.
Em 2005, como tinha essa época do ano livre, resolvi viajar com minha esposa, tendo marcado a viagem com antecedência, jamais imaginando no meio do ano (quando o Coritiba era quinto colocado na Série A), o que aconteceria no final daquele ano.
Quando parti para essa viagem, restavam ainda dois jogos e ainda alguma esperança, porém ela foi diminuindo com o empate contra o São Caetano, e à distância, sem acesso à Internet, tive que saber que nosso Coxa tinha sido rebaixado por torpedos mal-educados de torcedores do outro time da capital.
Ano passado, viajei para o Japão com a seleção e nosso time novamente estava em uma curva descendente. Porém, devido a fragilidade dos adversários, tinha ainda a esperança do acesso. Sofri durante uma madrugada sem dormir, até que acordei e fui ver o resultado do trágico jogo com o Atlético verdadeiro, e sempre agüentando quieto o auxiliar técnico da seleção, que torce para o tricolor de duas cores, me perturbando (esse ano tem o troco).
Depois desse dia, ainda acreditava, mas não fomos capazes de ganhar do Gama, e na última rodada, nossa vitória não valeu de nada. Minha única felicidade naquele ano acabou sendo que, depois de um mês no Japão, nós fomos Campeões Mundiais.
Nesta quinta-feira, estou partindo novamente para a Copa do Mundo de Voleibol, e de coração partido mais uma vez. Porém, desta vez, os motivos são diferentes. Um é particular, pois pela primeira vez estarei tanto tempo longe de minha filha, e outro é porque no sábado não estarei presente na festa alviverde no Couto devido ao acesso. Depois, terei que comemorar nosso título do outro lado do mundo (e sem estrela prateada na camisa). Título esse, que caso não venha (o que não acredito que acontecerá), não tem importância, porque o maior título nós já conquistamos este ano, que foi a união da torcida com o time, e a demonstração que somos a maior, e hoje a mais vibrante do estado (pois nesse quesito na década de 80 perdíamos), sem sombra de dúvidas.
Escrevo para dizer que quero que a toda a torcida saiba que, do outro lado do mundo, em cada jogo, estará pulsando um coração alviverde, junto com os quase 40 mil que estarão no estádio nesse sábado e nas outras quatro partidas.
Que em 2008 façamos um time forte, e continuemos evoluindo, para que um dia, eu vá para o Japão por outro motivo: ver nosso time disputar o campeonato mundial de futebol (sonhar não custa nada).
Saudações alviverdes e boa sorte na reta final. Já subimos, Coxa!!!
Álvaro Chamecki é médico da campeoníssima seleção brasileira de vôlei masculino, integrante da comissão técnica de Bernardinho. Álvaro é Coxa-Branca de coração
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)