PREPARAÇÃO FÍSICA22/02/07, 21h54
Fisiologista do Verdão rebate críticas
Posicionamento do Departamento de Fisiologia do Coritiba:
Observando matéria sobre a Preparação Física do Coritiba, gostaria de enviar resposta e esclarecer que deve ter havido algum mal entendido nas interpretações das declarações do Preparador Físico Prof. Willian Hauptmann, pois estamos utilizando os mais modernos métodos de Controle e Organização de Treinamento Físico, conforme documento em anexo.
Me coloco a inteira disposição para quaisquer esclarecimentos.
Atenciosamente
Prof. Dr. Raul Osiecki
Fisiologia do Exercício, Phd
Preparação Física no Coritiba – Posicionamento do Departamento de Fisiologia
Prof. Dr. Raul Osiecki
Inicialmente, gostaria de esclarecer alguns pontos fundamentais acerca do Programa de Preparação Física dos Atletas do Coritiba Foot Ball Club. Torna-se muito simplista uma análise a partir de uma declaração isolada, há a necessidade de um conhecimento mais aprofundado da realidade dos programas elaborados. Ocorre hoje no Coritiba uma integração entre os Departamentos de Preparação Física, Fisiologia e Nutrição, visando elaborar os Planejamentos Estratégicos de Preparação Física, dentro das necessidades mais eminentes de cada atleta:
1. O Coritiba apresenta atualmente, um dos mais modernos e atualizados Laboratórios de Fisiologia da Performance, com equipamentos extremamente precisos, que proporcionam análises totalmente individualizadas das capacidades físicas envolvidas no futebol, tanto em treinamentos como em jogos;
2. Para se ter uma idéia, ocorre um monitoramento individual de cada atleta durante os jogos, observando-se a atuação, desempenho e desgaste físico dos mesmos. Cada atleta é observado individualmente, em todo o seu deslocamento durante o jogo, com ou sem posse de bola, e junto a isso análises sangüíneas são realizadas no intervalo e após os jogos para a verificação do desgaste metabólico e programação individual da recuperação. Como exemplo: neste último jogo entre Coritiba x Caxias:
Atleta 1:
| RESUMO |
| Estímulos | 1º tempo | % | 2º tempo | % | TOTAL | % |
| Moderada | 3461 | 81,8 | 3681 | 84,0 | 7142 | 82,9 |
| Alta Intens. | 770 | 18,2 | 703 | 16,0 | 1473 | 17,1 |
| Nº de piques | 42 | - | 39 | - | 81 | - |
| TOTAL | 4231 | 49,112 | 4384 | 50,888 | 8615 | - |
Este atleta realizou deslocamentos de 4.231m no 1º tempo e 4.384m no 2º tempo, totalizando um deslocamento de 8.615m durante todo o jogo. Quando analisando o no de estímulos de alta intensidade (piques) verificamos que este atleta realizou 81 estímulos de velocidade.
Isto é uma prática corriqueira nas avaliações dos jogos do Coritiba, sendo que obviamente os trabalhos de alta intensidade são os que predominam na estrutura da preparação física, como pode-se observar a exigência real da modalidade, 81 piques durante o jogo. Então, é infundado achar que os métodos de preparação física utilizados são ultrapassados;
3. A Programação da Preparação Física dos Atletas, atualmente baseia-se nos mais atuais princípios científicos do Treinamento Desportivo;
4. É precoce analisar toda a Programação Física a partir de uma simples declaração, sem se conhecer a real estrutura do programa;
5. O futebol moderno engloba inúmeras variáveis físicas, porém as que mais devem ser enfatizadas são: a velocidade, a força e conseqüentemente a potência;
6. Estas variáveis fazem parte de um rol de Avaliações Fisiológicas realizadas periodicamente para se obter um acompanhamento da evolução do grupo, do atleta individualmente e por posição tática. É um equívoco se achar que a preparação física do Clube, está baseada em atividades de longa duração e baixa intensidade;
Acredito ter ocorrido um mal entendido nas afirmações dadas pelo Prof. Willian Hauptmann, que na época (07/01) estava recebendo um grupo vindo de 40 dias de férias, e utilizando os 3 dias iniciais para uma readaptação deste grupo, o que não caracteriza que o Programa de Preparação Física, não utiliza os trabalhos de força e velocidade, muito pelo contrario, atualmente são as variáveis mais enfatizadas no Treinamento Físico no Futebol;
7. Isto é tão real, que a própria avaliação de força é uma das rotinas periódicas do Programa de Preparação Física, e podemos observar que as Avaliações de Força dos nossos atletas em 6 semanas de trabalho (considerando as avaliações iniciais a partir de janeiro), mostraram um ganho significativo de mais de 40% em média, inclusive com alguns atletas que apresentavam déficits de massa muscular, tendo um aporte muscular de mais de 3,0Kg de massa.
8. É com imensa satisfação que gostaria de convidar a comparecer no CT o Fisiologista consultado, que aparece anônimo nesta reportagem, para que viesse conhecer com melhor riqueza de detalhes nosso programa de Periodização da Preparação Física para o ano de 2007, ou mesmo para um Debate sobre os meios e métodos de preparação Física nos Esportes Coletivos, especificamente no Futebol;
9. As características do futebol, apresentam-se peculiares, pois em todos os Clubes ocorrem contratações de atletas que se apresentam após os períodos de pré–temporada, atletas com as mais diversas idades, com características físicas particulares, calendários com jogos a cada três ou dois dias. Isto faz com que os Programas de Preparação Física no Futebol sejam muito dinâmicos, para colocar o grupo em equilíbrio. O Coritiba está num crescente, ou seja, em evolução, na parte física;
Vale ainda ressaltar que as pesquisas científicas na área do treinamento desportivo apresentam um avanço muito rápido, e que por isto não existem verdades absolutas, existem indicadores, como pode-se verificar no próprio artigo científico destacado.
De acordo com o artigo de revisão citado na reportagem do site da Império e COXAnautas (França Guilherme & Souza Jr, 2006), mesmo os métodos que indicam uma nova perspectiva sobre as demandas energéticas e perda de peso, segundo os próprios autores (como pode se observar na transcrição literal do estudo), ainda não se apresentam totalmente conclusivos, principalmente quando se trata de atletas:
"O treinamento de força em circuito pode ser um método de treinamento intermediário entre os exercícios com predominância aeróbia ou anaeróbia, que parece atender as pessoas com sobrepeso".
"Os estudos indicam que o circuito de musculação parece atender as necessidades, fisiológicas, biomecânicas e psicológicas das pessoas com excesso de massa corporal que desejem o controle ponderal. Todavia, uma limitação desta revisão bibliográfica foi a de que em nenhuma das pesquisas revisadas as amostras estudadas foram realizadas com indivíduos com excesso de gordura corporal. Sendo assim, estudos aplicando o circuito de musculação precisam ser aplicados neste tipo de população para confirmar a eficiência do método".
A pesquisa científica no futebol deve ser estimulada para que auxilie os Profissionais envolvidos com a modalidade a evoluírem cada vez mais, esta é uma prática que temos adotado sistematicamente. Tivemos a felicidade de ter um trabalho, um dos poucos trabalhos de autores brasileiros sobre futebol, publicado no último Congresso Mundial de Futebol, realizado em Antalya, Turquia, em janeiro/2007 (VIth WORLD CONGRESS ON SCIENCE AND FOOTBALL, January 16-20 2007, Antalya/Turkey) e divulgado numa das mais conceituadas Revistas Científicas Internacionais (Journal of Sport Science and Medicine, v.6, s.10, 2007), o trabalho: Assessment of anthropometric characteristics and sprint velocity in soccer players from 5 different age groups, este trabalho justamente engloba as avaliações de velocidades em atletas de futebol, que são atividades de alta intensidade, então GOSTARIA DE ESCLARECER À NAÇÃO COXA–BRANCA, QUE ESTAMOS MONITORANDO E REALIZANDO UM TRABALHO DENTRO DOS MAIS MODERNOS E ATUAIS ACHADOS CIENTÍFICOS.
E esta é uma prática comum em nossa atuação, podemos destacar outros estudos Publicados por nós, que buscam contribuir para a ciência e o futebol:
1- OSIECKI, Raul ;. Comparativo dos aspectos funcionais e estruturais em jogadores de futebol. In: VII International Scientific Congress Modern Olympic Sport and Sport for All, 2003, Moscou. VII International Scientific Congress Modern Olympic Sport and Sport for All. Moscou : Moscow-RSAPE, 2003. v. 01. p. 34-35.
2- OSIECKI, Raul ; Effect os positional role on anthropometric and physiological variables in brazilian soccer players. In: American College of Sports medicine Congress, 2002, Seatle. Medicine and Science in Sports Exercise, 2002. v. 34. p. 195-2195.
3- OSIECKI, Raul ;. Association between athropometric with anaerobic power and capacity in brazilian juvenile and junior soccer players. In: American College of Sports medicine Congress, 2000, Baltimore. Anais American College of Sports medicine Congress, 2000. v. 32.
4- OSIECKI, Raul . Potência e capacidade anaeróbica em jogadores de futebol das categorias juvenil, junior e profissional. In: XXIV Simpósio Internacional de Ciências do Esporte, 2001, São paulo. Anais do XXIV Simpósio Internacional de Ciências do Esporte. São Paulo : CLAFISCS, 2001. v. 1. p. 132-132.
5- OSIECKI, Raul . Relação entre músculos flexores e extensores do joelho em jogadores de futebol. In: XXIV Simpósio Internacional de Ciências do Esporte, 2001, São Paulo. Anais do XXIV Simpósio Internacional de Ciências do Esporte. São Paulo : CELAFISCS, 2001. v. 1. p. 130-130.
6- OSIECKI, Raul. ;. Demandas fisiológicas em jogadores de futebol em situação real de jogo. In: XXVII Simpósio Internacional de Ciências do Esporte, 2004, São Paulo. Anais do XXVII Simpósio Internacional de Ciências do Esporte. Sao Paulo : Celafiscs, 2004. v. 1. p. 32-33.
7- OSIECKI, Raul. ; SANTOS, Maria Gisele dos . Níveis de triglicerídeos intra e extra celular em músculos humanos mediante 1HERM- um estudo de caso. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Brasil, v. 10, n. 5, p. 424-427, 2004.
8- OSIECKI, Raul. Efeitos da suplementação de diferentes concentrações de maltodextrina em ratos submetidos a exercício contínuo e prolongado. In: XXVIII Simpósio Internacional de Ciências do Esporte, 2005, São Paulo. Anais do XXVIII Simpósio Internacional de Ciências do Esporte, 2005. v. 13. p. 72-72
Atenciosamente
Prof. Raul Osiecki
Fisiologia do Exercício, PhD