
AVALIAÇÃO
Em 2003, o técnico Paulo Bonamigo (foto) teve seu trabalho reconhecido nacionalmente como treinador, variando o sistema tático entre o 4x4x2 e o 3x5x2 no time Coxa-Branca, levando a equipe a conquistar uma vaga no torneio Libertadores da América.
Mas nem tudo foi uma maravilha, pois na época, o Coritiba contava com o futebol do jogador Tcheco que durante a competição se transferiu para o futebol árabe, caindo sensivelmente o rendimento do time Alviverde em campo.
A equipe do Verdão tinha como time base para o 3x5x2 os seguintes jogadores: Fernando; Danilo, Odvan e Reginaldo Nascimento; Adriano, Roberto Brum, Tcheco, Souza e Jackson; Edu Sales e Marcel, e como time base para o 4x4x2 os seguintes jogadores: Fernando; Ceará, Odvan, Reginaldo Nascimento e Adriano; Roberto Brum, Tcheco, Jackson e Souza; Edu Sales e Marcel.
Comparando o elenco de 2003 com o elenco de hoje, atualmente o Coxa tem mais qualidade individual em algumas posições, porém não tem qualidade na posição chave para o sucesso de qualquer esquema tático, e principalmente do 3x5x2, que é a posição de segundo volante.
Muitos se enganam pensando que o sucesso do 3x5x2 se dá pelas qualidades dos alas, tanto é verdade que em 2003 os alas aAlviverdes não eram unanimidades, com exceção de Adriano, hoje no futebol europeu.
O sucesso daquela equipe tinha como um dos principais pilares de sustentação o jogador Tcheco, segundo volante de muita habilidade. Com a sua transferência para o futebol árabe, o rendimento da equipe coritibana caiu sensivelmente, mas mesmo assim, e com um pacto entre jogadores, comissão técnica, dirigentes e a Nação Coxa-Branca, o time conseguiu, aos trancos e barrancos, uma vaga na Libertadores da América.
A importância do segundo volante
Tcheco, jogador até então desacreditado no Paraná Clube, acabou se tornando uma grata surpresa para o Verdão, desenvolvendo perfeitamente o papel de segundo volante com maestria, elegância e competência. Com fôlego de gato, exigência básica para a função, Tcheco realizava uma marcação forte, e com grande qualidade técnica distribuía o jogo com rapidez e precisão.
Após a saída de Tcheco do Coritiba e já no inicio de 2004 a diretoria do Alviverde buscou reforçar a equipe com um jogador com as mesmas características do segundo volante, mas não teve sorte, sendo que o jogador que mais tempo ficou na posição foi Capixaba, não tendo tanto sucesso quanto seu antecessor. Capixaba, apesar da boa condição técnica, não tinha condição física ideal para disputar um difícil e longo período de jogos contínuos.
Desde que o Coritiba perdeu a qualidade na posição de segundo volante a equipe começou a ruir. Mesmo trazendo grandes nomes para outras posições, o time não engrenava. Sempre faltava alguma coisa, um toque, um tempero.
Atualmente, o futebol mundial vive de muita marcação, basta ver os jogos da Copa do Mundo. Em função dessa nova ordem, os volantes passam a desempenhar um papel importantíssimo, ficando extremamente fragilizada a equipe que não possua ao menos um volante que não seja apenas quebrador de jogadas, mas que saiba sair jogando com inteligência, agilidade e precisão.
Em 2003, o time Coxa-Branca tinha dois bons volantes no elenco, Tcheco e Roberto Brum. Tcheco como segundo volante era perfeito, abastecia os alas e o ataque, já Roberto Brum era o quebrador das jogadas dos adversários, poderia nem ter tanta técnica e precisão nos toques de bola, mas tinha muita inteligência tática.
A volta de Paulo Bonamigo
Cedendo a pressão da grande Nação Coxa, a diretoria dispensou o técnico Estevam Soares e buscou o retorno de Bonamigo, a esperança Alviverde.
Mesmo cometendo erros nos três últimos jogos do Campeonato Brasileiro da série B, como por exemplo, a escalação de Fábio Pinto como titular na última partida em Marília, Paulo Bonamigo ainda tem o respeito do torcedor Coxa-Branca, mas para ter sucesso novamente no comando da equipe, o técnico do time do Alto da Glória precisará impreterivelmente da ajuda de um segundo volante.
O segundo volante é de grande importância para qualquer esquema tático, mas para o 3x5x2 que Bonamigo pode vir a utilizar, caso reedite a versão modernizada do Coritiba 2003, o segundo volante é fundamental. Cabe a ele marcar muito, além de saber, com inteligência, rapidez, agilidade e precisão, distribuir o jogo, seja para o meia e os atacantes, seja para os alas. É o segundo volante que deve receber a bola do sistema defensivo e distribuir o jogo, isso quando ele mesmo não roubar a bola do adversário no meio campo, armando os contra-ataques.
Assim sendo, Paulo Bonamigo pediu e a diretoria do Verdão atendeu e contratou Paulo Miranda, jogador de 32 anos e que não estava sendo aproveitado na equipe do São Caetano. À primeira vista, para o técnico do Alviverde, o atleta Paulo Miranda é o segundo volante que falta à equipe. Agora é torcer para que a intuição e o conhecimento de Bonamigo estajam certos.
Nota
A vinda de Paulo Miranda será analisada noutra matéria, a ser publicada futuramente.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)