
COXANAUTAS
É disso que o povo gosta!
Gilson Genez
Eu sempre fui um assíduo freqüentador do Couto. Em algumas temporadas cheguei a assistir todos os jogos, incluindo aqueles contra os Platinenses da vida na quarta-feira à noite, em meio à névoa e ao frio. Aos 17, 18 anos, eu era aquele tipo de torcedor que não tem tempo ruim. Com o tempo e outros compromissos (família, trabalho, faculdade, festas, etc), fui ficando mais seletivo, escolhendo jogos melhores, adversários mais difíceis, etc. Mas como bom Coxa-Branca, sempre mantive uma média alta nos jogos do time, mesmo quando ele não ajudava muito. E é aí que eu quero chegar.
No ano passado, ainda na era Lopes (bata, rápido, três vezes na madeira!), devo ter assistido uns 8, 9 jogos apenas. E a razão é simples. Seja o adversário o Santos ou o Engenheiro Beltrão, o Coxa jogava absolutamente da mesma maneira: muita marcação no meio campo, posse de bola o tempo todo, muito suor, dedicação e absolutamente zero de brilho.
A média era sempre a mesma: o time criava umas, sei lá, três chances de gol e o adversário também. As vezes fazia, às vezes errava. Levava sorte ou não. E assim vi a alguns 0x0, 1x1, 1x0 ou 0x1, que poderiam ter sido 1x0, 0x1, 1x1 ou 0x0. Porque o time jogava sempre do mesmo jeito, tocando bola de um lado para o outro preguiçosamente (acho que o objetivo era fazer o adversário cair no sono). Quando percebi que isso não ia mudar e os resultados eram simples obras do acaso, desisti: fui pra casa dormir, também.
O fato é, que o time priorizava a chamada “posse de bola”. Coisa que o Parreira também concorda, sob o argumento que: “se o time está com a bola, o adversário não marca gol”, o que faz muito sentido, diga-se de passagem. O problema é que a gente também não faz. Porque quando se começa a cobrar os jogadores por seus passes errados, por exemplo, eles começam a passar curto, de lado, pra trás, diminuindo o erro e produzindo nada. Com dizia alguém, quem não arrisca não petisca.
No 0x3 contra o Botafogo, apesar de profundamente irritado com as milhares de chances desperdiçadas e o jogo perdido, sai com a certeza que o Coxa tem time para ganhar de qualquer um: tem alternativas, jogadores habilidosos e vontade de fazer gols: falta só capricho, treino e um pouco de tranqüilidade. Ou seja: mesmo chateado com a goleada saí com vontade de voltar no próximo jogo.
E pensei outra coisa: jogar pra frente dá mais público? Ou melhor dizendo: montar times, desde a escolha dos jogadores, técnico e estratégias, onde o jogo aberto e ofensivo seja prioridade, pode ser um motivo a mais para atrair torcedores? Acho que sim. Mesmo sob o risco de perder jogos, como contra o Botafogo. Porque se pensarmos bem, o jogo modorrento, da posse de bola, da marcação cerrada, também não garante resultado. Mas ao contrário do jogo franco, aberto, bem jogado e cheio de alternativas, deixa o torcedor com sono. E quem tem sono não vai no estádio, fica em casa.
Gilson Genez é publicitário, jornalista e Coxa-Branca, não necessariamente nesta ordem
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)