
NÃO VALE A PENA VER DE NOVO
Os administradores dos COXAnautas selecionaram os 12 textos, entre mais de 400 publicados pelos colunistas do site ao longo do ano, que mais bem retrataram a situação vivida pelo Coritiba - e sua angustiada torcida - de janeiro a dezembro, na avaliação da equipe COXAnautas. Essas colunas, que funcionarão como uma retrospectiva do ano de 2006, passam a ser publicadas diariamente até o dia 31 de dezembro.
Mais do que uma mera retrospectiva, essa seleção tem por objetivo garantir com que os erros desse ano sejam relembrados, e, esperamos, com uma grande dose de utopia, nunca mais repetidos.
Ecmnésia
Já aviso de antemão que este texto vai soar um pouco prepotente. Não obstante, e também não esquecendo de reiterar que se trata da minha opinião particular, eis o que penso: uma parte da torcida Coxa-Branca está padecendo de um distúrbio de memória.
Ecmnésia, segundo o Dicionário Digital de Termos Médicos, é o “esquecimento de acontecimentos ou fatos recentes, com conservação da memória de fatos antigos, observa-se com freqüência na senilidade”; já o Dicionário Aurélio define ecmnésia como “um distúrbio de memória no qual o indivíduo esquece de quanto se passou a partir de determinada época, mas se recorda de fatos anteriores a essa época.” Eis o que parece estar acontecendo com a torcida do Coritiba. E não apenas com os mais velhos, uma vez que apenas estes dispõem de fatos gloriosos relativos ao Alviverde para relembrar, mas também – e principalmente – com a torcida mais jovem. A impetuosidade da idade menor e o afã de recomeçar a tentar têm cegado a todos. Só assim posso entender os discursos que têm surgido, cada vez com mais intensidade, sobre a necessidade de mantermos no cargo o atual presidente do Coritiba.
Muitos disseram, e tantos outros concordam, que errar é humano, mas persistir no erro é burrice. E insistir nesse erro o que seria, senão estupidez? Falam em “governabilidade”, em conciliação, em alternativa com proposta, mas se esquecem todos que o que está em jogo não é apenas o resgate de nosso amor próprio, o direito de não sermos tão humilhados, mas também a sobrevivência do Coritiba. Pois o que significaria uma longa permanência na Série B ou, pior ainda, uma queda para a Série C? A quem acha isso impossível, repito a sugestão de voltar há pouco tempo atrás e tentar lembrar quais eram as nossas expectativas. Sobre os erros, mera repetição: não urgência em definir um nome para diretor de futebol; aposta em jogadores desconhecidos e descompromissados com o clube; anúncio de “pacotes” de ingressos que apenas garantem cerca de duas mil pessoas no estádio, em detrimento de promoções mais do que oportunas que lotariam o Couto Pereira quando mais fosse necessário; discursos de “adequação à realidade financeira” (sempre penso sobre o que acham disso as torcidas de Grêmio, Galo, Palmeiras e Botafogo); desprezo às categorias de base; tolerância (e até mesmo incentivo por exemplo) com as agressões à torcida; e por aí vai.
Nessa época de turbulência surge também o discurso dos pretensamente “equilibrados”, que sob o escudo da covardia como desculpa para a omissão, pregam o entendimento ou a já indicação de novos nomes, esquecendo-se que foi o tal do entendimento que nos fez perder mais um ano, e que um médico jamais deixaria de tratar um paciente em estado grave por desconhecer a cura para o seu mal. Não defendo nomes, quero apenas que o Coritiba volte a ser grande. Para que isso seja possível, é necessário mudar. Esse é o primeiro passo. Caso contrário, não sairemos do lugar. Ou, pior, retrocederemos ainda mais.
“Somos aquilo que recordamos e também o que resolvemos esquecer” (Iván Izquierdo, em seu livro Memória).
Marcus Popini
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)