
NÃO VALE A PENA VER DE NOVO
Os administradores dos COXAnautas selecionaram os 12 textos, entre mais de 400 publicados pelos colunistas do site ao longo do ano, que mais bem retrataram a situação vivida pelo Coritiba - e sua angustiada torcida - de janeiro a dezembro, na avaliação da equipe COXAnautas. Essas colunas, que funcionarão como uma retrospectiva do ano de 2006, passam a ser publicadas diariamente até o dia 31 de dezembro.
Mais do que uma mera retrospectiva, essa seleção tem por objetivo garantir com que os erros desse ano sejam relembrados, e, esperamos, com uma grande dose de utopia, nunca mais repetidos.
Epopéia na Ilha
Metade do caminho e tudo vai bem.
Líder, com o melhor ataque ao lado do Náutico e invicto no Couto Pereira.
E com a vantagem de enfrentar em casa 5 dos 6 adversários mais próximos no returno, concorrentes diretos às vagas para a divisão principal.
E com um elenco mais forte pois Eanes já retornou, Anderson Gomes e Renan estão sendo preparados, Keirrison deve voltar em tempo e Edu Sales pode jogar quando Bonamigo quiser.
As perspectivas de um Feliz Ano Novo para o Coritiba e para todos os coritibanos são promissoras.
Jogar bem, não não dá pra dizer que jogou...
Mas o Coritiba foi épico sábado, na Ressacada, em Florianópolis.
A vitória diante do Avaí por 2 a 1 comporta diversas leituras, todas magnificando a importância desse triunfo.
E sem tentar esgotar as leituras possíveis, alinho as que considero mais importantes.
O Coritiba venceu um concorrente direto às vagas de acesso ao grupo principal do Campeonato Brasileiro. Não esquecer que o Avaí era – até outro dia – o líder da competição. Portanto, era o tal jogo de seis pontos.
Depois de três meses, o Coritiba volta a conquistar uma vitória fora do Couto Pereira – detalhe de crucial importância num campeonato de pontos corridos e que se mostra tão nivelado quanto este.
Pela segunda vez seguida, o Coritiba conseguiu reverter um placar desfavorável – e, coincidência ou não, depois das instruções de intervalo.
Parêntese: isso mostra três coisas. Um, que Bonamigo enxerga muito bem o que se passa no campo. Dois, que ele consegue se comunicar prefeitamente bem com os jogadores. Três, que os jogadores não só compreendem as orientações de Bonamigo mas também fazem o que ele pede.
Sintoma de grupo unido e time na mão.
E confirmando uma triste e preocupante rotina, o Coritiba novamente precisou vencer o trio de arbitragem – que foi desastroso, para dizer o mínimo. Pelo menos em três lances, o alviverde foi prejudicado: Arthur não cometeu pênalti (embora sua defesa parcial num cruzamento despretensioso tenha sido simplesmente grotesca), o beque do Avaí cometeu pênalti (não assinalado) ao interceptar com o braço uma bola que Jefferson cruzou de cabeça e Jefferson não estava impedido quando fez um gol que foi anulado. Só isso.
Outra leitura importante: o Coritiba não se abateu com os muitos desfalques.
Vá lá que o Avaí também não jogou completo, mas por atuar em casa era quem tinha compromisso com a vitória.
Pois ainda que com improvisações, o alviverde finalmente conseguiu ter jogo pelos dois lados do campo (bem que o Ricardinho podia jogar sempre assim).
E mais: Eanes voltou em boa hora e mostrando muita disposição, Rodrigo Batatinha jogou como gente grande, a dupla Henrique e Batatais tem tudo para fazer sucesso, Egídio foi um monstro no segundo tempo e William ameaça desencantar.
Reclamei uma oportunidade para Guilherme na coluna anterior. Bonamigo deu a ele essa oportunidade, mas Guilherme nem chegou a entrar no jogo.
Quando parecia que ia começar a se soltar em campo, acabou oferecendo ao árbitro pretexto para expulsar também um do Coritiba e deixar as duas equipes com dez.
Bem, Guilherme continuará sendo uma incógnita para mim por mais algumas semanas.
Há quanto tempo o Coritiba não conseguia marcar um gol de falta?
Essa missão é para os Helênicos, mas que a cobrança de Cristian teve a precisão de um relojoeiro, isso teve.
Mas não é menos verdade que Cristian quase chutou o pau da barraca lá longe, quando perdeu bobamente uma bola no campo de defesa que foi bater na trave de Arthur.
Às vezes, chego a pensar que a sorte joga do lado do Coritiba.
Mas mudo de idéia quando vejo a torcida.
Na verdade é ela que joga ao lado do Coritiba.
Vi pela TV e o espetáculo foi de emocionar, de arrepiar até os pêlos do braço do sofá.
Muita gente vem se dedicando a descrever o que foi a invasão alviverde em Florianópolis, a demonstração de amor ao clube dada pelos torcedores que cantaram, incentivaram e vibraram todo o tempo, acreditando sempre no triunfo.
Mas só se surpreendeu com isso quem não conhecia a torcida do Coritiba.
Gente que não viu o que aconteceu no Couto Pereira ao final daquela triste vitória sobre o Internacional vice-campeão de 2005 – não a última, mas a mais recente apresentação do Coritiba na Série A.
Em vez de quebra-quebra, pancadaria ou xingamentos, declarações de amor ao clube.
Só quem não viveu aquele momento é capaz de se surpreender com a força, a vitalidade e a determinação dessa torcida.
Ela amparou o Coritiba nos braços durante a queda para a Série B.
E é ela quem está carregando no colo o Coritiba de volta para a Série A.
Malhadas Jr.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)