
IMPRENSA
Ilustres desconhecidos
Tribuna do Paraná - 28/12/2006
Quem?
Deve ser o que mais se ouve entre os torcedores do Coritiba. Ontem, foi a vez da confirmação do atacante Lei, bastante rodado por equipes menores do País e que disputou o campeonato da segunda divisão pelo Ceará. Lembro-me dele na partida de volta contra o próprio Coxa, em Fortaleza (que transmiti pela Rádio Clube em minha breve reentré no rádio esportivo nesse ano) e que foi um dos melhores em campo. Ágil, esperto, criou boas chances e foi um dos responsáveis pela vitória cearense. Não é atacante de área, é de vir de trás, mas tem competência para tal.
Mas, para o torcedor, mal acostumado com alguns astros que fizeram a história do clube, Lei é apenas mais um neste desconhecido mar de reforços contratados nas últimas semanas com o objetivo de tentar finalmente retornar à primeira divisão do futebol nacional. Pode até gerar trocadilhos um tanto infames, como "agora o Coritiba tem Lei" e coisas assim.
É o caminho. Mais penoso, difícil, mas talvez de melhor resultado final. A experiência com jogadores de mais nome não deu certo em 2006, especialmente no momento de o time se firmar para manter-se entre os primeiros colocados do campeonato. Falharam justamente aqueles mais experientes, em quem se apostava mais.
Pois agora o jeito é investir no desconhecido, apostar no escuro. Como tem feito com sucesso o Paraná Clube nos últimos tempos, a ponto de chegar à primeira disputa da Libertadores ao término de apenas nove meses de trabalho. Sim, porque até março, a equipe base do tricolor não havia ainda sido montada. Em novembro estava supervalorizada, com garantia de mercado para boa parte da legião de anônimos de tempos atrás. O garimpeiro era o mesmo Will Rodrigues, hoje responsável pela vinda dessa turma nova ao Coritiba.
Leio no site dos Coxanautas (o que melhor informa sobre as coisas do Coxa) a projeção do time para o início da temporada, antes da confirmação da vinda de Lei: Marcelo Bonan; China, Leandro, Ozéia e Carlão; Rodrigo Mancha, Peruíbe, Marlos e Lairson; Anderson Gomes e Keirrison. Seis meninos da casa e outros vindos de fora, todos ansiosos por vencerem na vida, por ganharem espaços na vitrine do futebol nacional. Bem melhor do que acreditar que alguns preguiçosos e bem rodados pudessem almejar tal posição.
Alguns podem não dar certo, outros podem se consagrar. O mais importante de todos não joga, mas faz muito mais fora de campo: João Carlos Vialle, o coordenador de futebol, finalmente alguém do ramo para assumir a função no clube. Mas este já é assunto para outro dia.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)