
INVESTIGAÇÃO
Segundo matéria veiculada pelo jornalista Angelo Binder, ainda na tarde da última quarta-feira, 6, a diretoria do Coritiba reagiu com surpresa à noticia de que o Ministério Público do Consumidor no Estado estaria investigando o clube sobre uma possível proibição de alguns torcedores, mais precisamente aqueles que são filiados a qualquer facção organizada, de frequentar as arquibancadas do Couto Pereira.
Em entrevista ao jornalista, o coordenador do Departamento Jurídico do Coritiba, Gustavo Nadalin, alega que o Coritiba não está proibindo ninguém de frequentar o Alto da Glória, apenas atuando de maneira preventiva ao adotar as recomendações contra a presença de qualquer torcedor portando materiais em alusão às facções de torcedores organizados: "Entendemos que o interesse individual não pode sobrepor ao interesse coletivo. Por isso, o que queremos é evitar que fatos como o dia 6 de dezembro do ano passado. Não entendo o que o Ministério Público quer com isso", disse.
O advogado ainda tentou esclarecer que o clube não tem a pretensão de proibir, nem recomendar, que qualquer pessoa se associe às facções, entretanto, se resguarda no direito de estabelecer regras de propriedade privada: "Elas (organizadas) alegam que o clube quer acabar com as torcidas. Não é nada disso. O clube não proíbe ninguém de se associar, de participar dessas facções. No entanto, dentro do estádio, o Coritiba acredita estar no seu direito de estabelecer algumas regras", continuou.
Ainda em sua matéria, o jornalista esclareceu que a investigação do Ministério Público do Consumidor foi iniciada após o setor jurídico do Coritiba e o presidente da Torcida Organizada Império Alviverde, Luiz Fernando Corrêa, terem procurado o órgão, ainda no dia 14 de setembro, para discutir sobre a volta dos torcedores uniformizados às arquibancadas do Alto da Glória. O motivo da investigação é descobrir se o clube agiu de forma irregular em suas medidas, ferindo, assim, o Novo Estatuto do Torcedor.
Além de se defender das acusações do Ministério Público, a diretoria do Alviverde também acusa integrantes de uma das Torcidas Organizadas de tentar roubar o material esportivo dos jogadores do time Infantil do clube, que, no último dia 18 de setembro, voltavam de Londrina para comemorar o título da categoria no estádio Couto Pereira, após a partida do time profissional Verdão diante da Portuguesa: "Eles tentaram derrubar um funcionário do clube, que estava na porta, para roubar o material das crianças. Todos trajavam roupas de organizadas", acusou Nadalin.
Procurador do Ministério Público do Consumidor pretende levar a investigação adiante
Mesmo após o Coritiba obter um parecer favorável sobre o tema da juíza Ana Lúcia Ferreira, da 6ª Vara Cível, que, segundo informações do jornalista Napoleão de Almeida, indeferiu o pedido formal da Torcida Organizada Império Alviverde para retornar ao Couto Pereira portando materiais que identificavam os sócios da organização por não acreditar que os materiais facilitariam em futuras investigações de possíveis torcedores baderneiros, o procurador do Ministério Público do Consumidor, Maximiliano Deliberador, pretende dar sequência ao caso.
Segundo ele, o clube pode estar agindo de maneira irregular: "Nós sabíamos que o Coritiba impedia as organizadas de ir ao estádio. Mas o Estatuto do Torcedor prevê a existência delas. E se elas são lícitas, uma das regras é a vestimenta para identificação", disse, para depois complementar que o episódio de 6 de dezembro de 2009, um dos motivadores do novo Estatuto, não pode ser considerado para efeitos de punição: "Será impedida de ir ao estádio a organizada que se envolver em tumulto. A lei não retroage . Se o clube identificar tumulto, ele tem mecanismos pra isso, junto à polícia. Mas junto ao consumidor, cumpra-se a lei", emendou o procurador.
Maximiliano Deliberador ainda sustentou que o Ministério Público está tomando atitudes para prevenir episódios como os verificados no ano passado: "Desde o ano passado, quando da invasão, nós começamos uma série de medidas exigindo das organizadas que elas se regulamentassem – como o recadastramento, constituindo-se em entidades civis, com organograma, nomes e estatuto. Exigimos o fim dos comandos e elas estão cumprindo. Agora os clubes têm de aceitar", completou.
Papagaio sustenta que a ação da torcida é contra a diretoria e diz ter proposto parceria na venda de produtos licenciados
Ainda de acordo com a matéria de Napoleão de Almeida, o presidente da Torcida Organizada Império Alviverde Luiz Fernando Corrêa, o Papagaio, diz que um dos objetivos da ação movida no Ministério Público é garantir o direito de ir e vir dos cidadãos. Além disso, deixa claro ser uma medida contra a atual diretoria, e não ao clube: "A ação é contra a diretoria do Coritiba, não ao clube. Eles não estão respeitando o direito de ir e vir. É discriminação", sustentou.
Sobre o comércio de artigos com a marca da Organizada, e não do clube - que é outro motivo da discórdia entre o Coritiba e as Torcidas Organizadas -, Papagaio diz que já tentou uma parceria com o Coritiba, mas que não foi atendido: "Somos uma empresa, temos marca própria, vendemos 'Império'. Eu já propus uma parceria para pagar royalties, mas não querem", assinalou, para depois argumentar que os associados da torcida, já contribuem com o clube: "Nosso espaço está sempre lotado. E todos são sócios do Coritiba, cerca de cinco mil. Esse pessoal vai votar", finaliza, já indicando uma participação maciça da organizada nas próximas eleições do clube.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)