CULTURA
Bruce Dickinson
Curitiba testemunhou, no último dia 04 de março, um momento histórico em sua vivência musical. A Pedreira Paulo Leminski serviu de palco para o Iron Maiden, maior e mais bem sucedida banda de Heavy Metal da história. Foram 20 mil fãs enlouquecidos (muitos deles acampados há mais de uma semana, para garantir as posições mais à frente do palco) responsáveis por filas gigantescas, ingressos esgotados e pelo menos três gerações de pessoas entre os fãs presentes, devidamente munidos de camisetas, bandeiras, bandanas, braceletes e todo o tipo de material e adereços referentes à banda.
O show faz parte de uma turnê mundial Somewhere Back in Time, que visa fazer um 'revival' dos chamados “The Golden Years” do Iron Maiden, calcados nos anos 80, quando foram lançados três dos considerados melhores discos da banda: “Powerslave”, “Somewhere in Time” e “Seventh Son of a Seventh Son”.
Lisa Harris, filha do baixista Steve Harris fez a apresentação que Bruce Dickinson
Abrindo com a rápida e pesada “Aces High” (do álbum “Powerslave”, com direito à introdução do clipe original repleto de cenas das batalhas aéreas e anti-aéreas da segunda grande guerra mundial, no qual o discurso de Wiston Churchill à BBC de Londres, pedindo os ingleses, sangue, suor e lágrimas para defender seu país), o Iron Maiden fez a grande platéia explodir em pulos, gritos e euforia absoluta. Dando seqüência ao repertório clássico, “2 Minutes to Midnight” (do mesmo álbum da música de abertura) e “Revelations” do álbum “Piece of Mind” (quarto disco do grupo e segundo com Bruce Dickinson cantando) foram cantadas em uníssono pelos presentes, especialmente a segunda citada, pelo refrão marcante.
Do mesmo álbum “Powerslave”, tocaram a longa “Rime of the Ancient Mariner”, com seus mais de 13 minutos de duração e fundo de palco representando um velho navio; a interpretação do vocalista Bruce Dickinson vestido como o personagem da música também marcou. Bruce não perdeu a mania de incorporar as músicas, vestindo inclusive a máscara egípcia que usou nos idos de 1985, na World Slavery Tour, turnê do álbum “Powerslave” que passou pelo Rock in Rio 85 e que possui temática egípcia, daí a razão de todo o teatro perpetrado pelo cantor. Seu figurino, na música “The Trooper” (álbum “Piece of Mind”), foi emocionante.
Os fãs curitibanos já haviam presenciado algumas cenas do show de SP no programa Fantástico da rede Globo, ou até mesmo no Youtube, mas ver o figurino desenhado por Derik Riggs (responsável por 99% de toda a arte criada desde o início da história da banda) para o personagem Eddie na capa do single “The Trooper”ao vivo sendo incorporado em uma figura humana é memorável para qualquer 'Maidenmaníaco'. Hasteando e ostentando a bandeira britânica devidamente uniformizado, o frontman apenas mostrou que o show estava longe de terminar.
Músicas consagradas do álbum “Somewhere in Time” - cujo contexto foi baseado nos cenários do filme 'Blade Runner', de 1982 -, como “Heaven Can Wait” (com os fãs subindo ao palco para cantarem com a banda) e o hino “Wasted Years” não podiam ficar de fora; inclusive, o mascote Eddie que adentrou o palco durante a apresentação veio com as características futuristas da capa deste disco consagrado.
O clássico e para a época, chocante, álbum “Number of The Beast” (terceiro da carreira, primeiro de Bruce na banda que causou repercussão pela polêmica da letra, com contexto baseado no filme 'A Profecia') foi bem representado pelas músicas “Run to The Hills”, a faixa-título do disco (com seu refrão “Six, Six, Six, The Number of the Beast” parecendo um coro de 20 mil vozes) e a também longa “Hallowed Be Thy Name” (tocada no bis que a banda fez) fizeram o grupo criado pelo baixista Steve Harris mostrar que as raízes não seriam mesmo esquecidas: a própria “Iron Maiden” do primeiro álbum, originalmente cantada por Paul Di'Anno, fez parte do set list.
Vinte mil fiéis fãs foram à loucura com o show
A trinca de guitarristas formada por Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers pôde mostrar o poder de três guitarras simultâneas e a timbragem que o arsenal de 6 + 6 + 6 cordas formam juntas nas músicas do álbum “Seventh Son of a Seventh Son” de forma mais clara, visto que sem dúvida este é o álbum mais trabalhado e mais polido da banda, sendo considerado pela crítica especializada como um dos álbuns mais bonitos da história do Heavy Metal.
Deste disco, foram tocadas as músicas “The Clairvoyant” (com um refrão que tirou lágrimas de muitos dos saudosistas presentes), “Moonchild” (faixa de abertura do disco e primeira do bis que a banda fez), que mostrou como a banda ainda consegue soar idêntica aos anos áureos mesmo em músicas mais difíceis como esta e “Can I Play with Madness?”, que foi single do álbum “Seventh Son...” e também marcou com o seu refrão cativante.
O disco mais recente presente no set list foi o álbum “Fear of the Dark”, representado pela música de mesmo nome, que também marcou uma época; foi o último álbum de estúdio de Bruce Dickinson na banda em 1992 e que marcou o fim dos chamados “The Golden Years” antes de seu retorno à banda entre 1999/2000.
Não há como tecer críticas negativas, para quem presenciou os dois shows anteriores da Donzela de Ferro em Curitiba com o vocalista Blaze Bailey e não teve a chance de presenciar os shows com a formação atual contendo Bruce de volta e três guitarras (Rock in Rio 2001 e SP e RJ em 2004), foi um momento para registrar e não esquecer jamais. Ainda mais em uma tour baseada na fase áurea da banda contendo somente clássicos e a estrutura majestosa de palco que a banda ostentou em sua época dourada.
Up the Irons!
Set List (na ordem do show)
Aces High
2 Minutes to Midnight
Revelations
The Trooper
Wasted Years
Number of the Beast
Can I Play with Madness ?
Rime of the Ancient Mariner
Poweslave
Heaven can Wait
Run to the Hills
Fear of the Dark
Iron Maiden
Bis:
Moonchild
Clairvoyant
Hallowed be Thy Name
Assessoria de Imprensa Marhceco Produções
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)