
FALA, CONSELHEIRO!
Subversão da ordem
Na última segunda-feira, como membro vitalício do Conselho Deliberativo do Coritiba Foot Ball Club, participei de uma reunião que tinha como pauta assuntos internos do clube, em cumprimento a normas estatutárias vigentes. Como em todas as reuniões desse tipo, sempre existe a previsão para a discussão de “assuntos gerais”, onde podem ser tratados os mais diversos temas, sem, entretanto, poder decisório sobre os mesmos.
Subvertendo a ordem dos trabalhos, fui surpreendido com uma explanação do Conselho Administrativo do CFC sobre planos e projetos para o futuro (?) novo estádio. Foram apresentadas imagens da obra em estudos através de seus arquitetos responsáveis, com detalhamentos sobre as características básicas da edificação.
É lógico que a explanação agradou a todos, até por sua alta qualidade técnica, animação e projeções futurísticas. Como não fazia parte da “pauta”, a objetivada continuidade de negociações preliminares não foi votada. Aliás, registro que no momento da aprovação inicial para a promoção de estudos do novo estádio (?) eu não estava presente (e fui muito criticado pela ausência).
Já abordei, por duas vezes, em Colunas intituladas “Couto para sempre – Partes I e II” o assunto da futurista praça esportiva. Não serei repetitivo, mas penso estar havendo uma total subversão à ordem natural de fatos e acontecimentos. Antes de se falar em um novo lar é preciso saber se a coletividade (e não singularidade) coxa deseja um novo lar. Uma ampla e grande consulta popular deveria ser feita em tal sentido.
Noutro viés, imprescindível seria a definição do destino da atual “casa” alviverde, o estádio Major Antonio Couto Pereira. Acrescer patrimônio é uma coisa e explicitar o destino do atual patrimônio é outra, bem diferente, mas interligada. Acrescer o desnecessário, o supérfluo e o indesejável (ao menos por enquanto) não trazem bons agouros, pois despreza o lar histórico e descaracteriza a instituição. Os que já possuem um lar devem zelar para mantê-lo, melhora-lo ou completa-lo, nunca despreza-lo.
Existem ainda aspectos que me convencem da subversão da ordem natural. Quem ou quais seriam os “investidores”? Quais seus benefícios e intenções? Quais seriam as contrapartidas que o CFC teria que dar? Quais seriam as obrigações e os eventuais direitos do clube na futura obra? Existe mesmo a necessidade de um novo estádio para o Coritiba? Os futuros dirigentes do clube apoiariam a empreitada novidadeira?
Na referida reunião ouvi que o quase centenário CFC precisa preparar seu futuro, seu próximo século e que ao final deste até o “novo estádio” já seria obsoleto. Pois bem, quem garante que daqui a cem anos o próprio futebol não será obsoleto? Será que daqui a cem anos haverá praças de esportes para públicos de 45.000 pessoas? Ou será que disporemos de avanços tecnológicos que nos permitirão acesso a imagens em nossos próprios lares ou oficinas profissionais no exato instante de suas ocorrências?
Do clube do “Alto da Glória” só restará o “Alto”, que poderá ser o do “Alto da Quinze” ou “Alto Tarumã”, pois o sonhado novo estádio terá como endereço o atual “Pinheirão”. A “Glória” do “glorioso” será subvertida para sempre, para todos os séculos...
Em 12/07/2007, sempre com o “Couto”, ESTÁ PAUTADO...
Domingos Moro
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