
DOPING
Na tarde da última sexta-feira, 18, o futebol brasileiro ganhou mais um capítulo negro em sua história, colocando em xeque a lisura do futebol no País. O atacante Jóbson, do Botafogo, foi pego novamente no exame antidoping, dessa vez contra o Palmeiras, e pode ser banido do esporte.
Entretanto, mais do que o segundo doping consecutivo do jogador, o que chama a atenção é a diferença da condução dos trabalhos para a divulgação do resultado dos exames. Enquanto o resultado do exame de Jóbson, contra o Coritiba, demorou mais de um mês para sair (Jóbson jogou contra o Coritiba em 08/11 e o resultado do exame saiu em 10/12), o resultado do exame do jogo contra o Palmeiras, demorou "apenas" doze dias, já que Botafogo e Palmeiras jogaram dia 06/12 e o resultado foi divulgado em 18/12.
Caso a mesma agilidade ocorresse após o jogo contra o Coritiba, Jóbson não atuaria contra São Paulo e o próprio Palmeiras, jogos em que teve contribuição decisiva, marcando três gols e ajudando o Botafogo a continuar na elite. Torcedores de todos os clubes envolvidos - e prejudicados - já começam a questionar a CBF sobre a diferença da condução dos processos e passam a suspeitar proteção ao Botafogo nesse caso.
STJD julgará apenas o atleta, que deverá ser banido do esporte pelas leis da comissão mundial antidoping
Embora seja nítida a vantagem que o Botafogo levou por ter um jogador irregular atuando em duas partidas do Campeonato Brasileiro, o procurador Paulo Schimitt insiste em dizer que um clube apenas poderá ser punido se houver dois ou mais casos de doping em seu elenco, ou seja, o STJD considera que, para o clube ser punido, os resultados do exames, após os jogos, devem ser 100% positivos, já que apenas dois atletas são sorteados por partida.
O que chama atenção é que o procurador ainda nem apresentou a denúncia ao STJD, mesmo com a contraprova do jogo contra o Cori já divulgada, conforme o mesmo Paulo Schimitt disse em entrevista à imprensa carioca: "O caso ainda está na fase de defesa prévia. Só depois disso vamos oferecer a primeira denúncia", afirmou, contrastando com a agilidade do procurador no caso da confusão no Couto Pereira.
Caso as leis da comissão mundial antidoping sejam rigorosamente cumpridas e as denúncias forem feitas corretamente, Jóbson tende a ser banido do esporte, por ser reincidente na utilização de substâncias proibidas pela comissão, a WADA. Mesmo se o julgamento no Brasil for diferente do entendimento do órgão máximo no assunto, como aconteceu com o jogador Dodô, a WADA pode solicitar um novo julgamento, na Suíça, e banir o atleta definitivamente.
Entretanto, os prejuízos sofridos pelos clubes que foram atingidos diretamente pela situação ilegal de Jóbson, não devem nem ser denunciados, muito menos levados em consideração pelo procurador do STJD, que parece extremamente empenhado em fazer do julgamento do Coritiba no caso da confusão do Couto Pereira, um exemplo para o futebol mundial.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)