
IMPRENSA
Mudança de comportamento
Miguel Angelo Manasses Paraná On-line, 27/07/2006
A torcida do Coritiba sempre foi considerada a mais exigente e impaciente do Estado. A fama de vaiar o time, com vinte minutos de jogo, quando o rendimento do elenco estava abaixo do desejado era uma tônica de boa parte da torcida Alviverde. Algo quase cultural.
Isso para não falar dos inúmeros jogadores que caíram em desgraça, muitas vezes injustamente, porque eram avaliados por uma ou duas atuações fracas. Mas era o que bastava para a torcida pedir a cabeça do atleta. Particularmente, os jogadores oriundos das categorias de base eram os que mais sofriam com esse tipo de cobrança.
Ano passado, quando o Coritiba foi irresponsavelmente desmontado, o que lhe custou o rebaixamento, a ira da torcida recaiu sobre os jogadores e a diretoria. O presidente Giovani Gionédis foi hostilizado, porém, em uma eleição conturbada no final do ano, permaneceu na presidência do clube.
No início desse ano, o elenco Alviverde foi reformulado para as disputas do campeonato paranaense, contudo as feridas ainda estavam expostas e como os resultados não aconteciam, o que se ouvia nas arquibancadas era “queremos jogadores” ou então “fora Gionédis”.
O técnico Estevam Soares também não agradou os torcedores. Contudo, no início do Brasileirão houve uma trégua, pois o Coritiba iniciou bem a competição. Infelizmente para a diretoria e comissão técnica, os resultados positivos, sobretudo dentro de casa, se tornaram escassos.
O barril de pólvora explodiu no jogo em que o Coritiba, atuando boa parte da partida com dois jogadores a mais, não conseguiu vencer o Sport, no Couto Pereira. A torcida se enfureceu, pedindo as cabeças de Estevam e Gionédis. O presidente, inclusive, quase foi agredido dentro do estádio.
Estevam Soares caiu e com a chegada de Bonamigo a situação mudou. O histórico de Bonamigo no comando do Coritiba é muito bom e o torcedor aprovou sua contratação. Tanto é verdade que, a despeito de tropeços dentro de casa, como no jogo contra o Ceará, a torcida não vaiou a equipe e nem pediu a cabeça do treinador ou do presidente.
Claro que o fato de simpatizar com o treinador ajuda, mas a torcida Alviverde está aprendendo a ser mais paciente. Os apupos no início do jogo não mais são ouvidos. Talvez o torcedor tenha se conscientizado de que não será com vaias e impaciência que ele vai ajudar o Coritiba na sua difícil luta rumo à elite do futebol nacional.
A mudança de comportamento está sendo fundamental nas conquistas, pois os adversários que vêm enfrentar o Coritiba no Alto da Glória sabem que terão pela frente um time competitivo, e que agora conta com uma torcida que o apóia durante os noventa minutos.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)