
ATLETIBA
O jornal Gazeta do Povo publicou matéria nesta terça-feira afirmando que o Coxa ignorou normas de segurança na partida contra o Marília, na última sexta-feira. Segundo a matéria, o clube vendeu ingressos a mais do que o permitido pelos bombeiros.
A matéria causou polêmica junto aos coritibanos, já que há menos de dois meses, em 29 de setembro, o jornal também publicou uma matéria numa situação similar, quando o A. Paranaense enfrentou o P. Clube num clássico local recheado de rivalidade, pois ambos os times lutavam para não cair naquele momento do Brasileirão.
Confira um comparativo feito pelo COXAnautas entra as matérias "Coxa ignora norma de segurança - Clube colocou 2.930 torcedores a mais do que o permitido pelos bombeiros no jogo de sexta no Couto Pereira" e "Bombeiros validam Arena maior - Retirada do muro e venda de ingressos em pontos cegos esticaram a capacidade da Baixada no clássico". Clicando nos links hachurados em verde o internauta pode conferir ambas as matérias na íntegra.
Quem assina?
A matéria relacionada ao jogo Coritiba x Marília foi assinada por um jornalista, Robson De Lazzari; já a matéria relacionada ao jogo A. Paranaense x P. Clube foi assinada por dois jornalistas, André Pugliesi e Marcio Reinecken.
A manchete e a retranca
Coritiba x Marília: "Coxa ignora norma de segurança
Clube colocou 2.930 torcedores a mais do que o permitido pelos bombeiros no jogo de sexta no Couto Pereira"
A. Paranaense x P. Clube: "Bombeiros validam Arena maior
Retirada do muro e venda de ingressos em pontos cegos esticaram a capacidade da Baixada no clássico"
Legenda das fotos
Cada matéria contou com uma foto.
Na matéria sobre a da Baixada, a foto é de autoria de Pedro Serápio. Eis a legenda:
"Alegando grande demanda por parte da sua torcida, a diretoria do Atlético comercializou mais ingressos do que costuma vender".
Já na matéria sobre o Alto da Glória, a foto é de autoria de Rodolfo Bührer. Eis a legenda: "Placar eletrônico mostra o número de torcedores presentes ao Couto Pereira: possível excesso." Na foto, o placar com o público total, e não o pagante (torcedores).
Bom lembrar que o próprio jornal alegou na matéria da Baixada este critério: "A diferença entre a quantidade de cadeiras e o público total divulgado (26.661) se deve às pessoas que vão ao jogo em serviço e não ocupam o assento, como profissionais de rádio e tevê que trabalham no gramado, policiais, seguranças e funcionários das lanchonetes".
A justificativa das diretorias
“A nossa única preocupação foi atender a demanda de público. Para isso colocamos à venda também os locais com visibilidade parcial. Quem comprou foi avisado pelo bilheteiro”. João Augusto Fleury, dirigente do time da Baixada.
Assim como no clássico, a procura por ingressos de Coritiba x Marília também foi muito grande."Segundo o clube, a explicação da diferença está na abertura total do setor visitante para os Coxas-Brancas, já que nenhum fã do MAC esteve na partida. Os locais que estariam vazios no caso de uma divisão de torcidas foram totalmente destinados aos anfitriões." explicou o próprio jornalista da Gazeta.
Destaque-se que no caso do clássico, havia locais vagos para separação de torcedores; já no caso do Coxa x MAC, não.
Os "pontos cegos"
Na matéria sobre o clássico, os "pontos cegos" servem de justificativa para a ampliação da capacidade da Baixada, como afirmou o dirigente do time da Baixada, Fleury.
A Gazeta destacou que na Baixada existem seis "pontos cegos": cadeiras instaladas, principalmente, nas extremidades das curvas, na parte superior, num total de 321. Se somadas, aumentaria a capacidade para 25.412. Desse número, no clássico, há o desconto da separação das torcidas, o que ocupou por volta de 200 cadeiras.
Já no Alto da Glória, os "pontos cegos" não foram necessários, já que, diferente do clássico, Coritiba x Marília foi jogo de uma torcida só. “A PM autorizou a retirada das paredes cegas. Vendemos o que é possível sem a torcida adversária. Exatamente a capacidade do estádio, 37.400 pessoas”, citou Giovani Gionédis à Gazeta.
Terminologia interessante
Se por um lado, no texto sobre o Coritiba, frases de impacto como "Coxa ignora norma de segurança", "O Coritiba vendeu 2.930 ingressos a mais do que é permitido pelo Corpo de Bombeiros", "não houve nenhuma autorização para o “crescimento” do Couto antes do duelo com o Marília" (Nota: as aspas em "crescimento" é por conta do jornal), "Apesar de exceder em 7.890 pessoas ao número permitido pelas autoridades, há um atenuante. “Há uma tolerância para pessoas que estão trabalhando”".
Curiosamente, quando da publicação da matéria sobre o clássico A. Paranaense x P. Clube, realizado dia 29 de setembro, uma quarta-feira (três dias após o clássico realizado na Baixada), a tônica do jornal foi bem diferente. “Bombeiros validam Arena maior” foi a manchete, logo após explicada por dois jornalistas, André Pugliesi e Marcio Reinecken: “Retirada do muro e venda de ingressos em pontos cegos esticaram a capacidade da Baixada no clássico”.
Quando do clássico na Baixada, a matéria do jornal foi “elucidativa”. Três dias após o clássico, a Gazeta noticiava que o “mistério” havia sido “esclarecido”: “O mistério sobre a súbita expansão da capacidade da Arena para o clássico entre Atlético e Paraná, no domingo, foi esclarecido ontem pelo Corpo de Bombeiros”
No caso do jogo da Baixada, a Gazeta logo explicou: “se o muro ainda existisse, a Arena comportaria apenas 23.319 torcedores sentados e com visibilidade total do campo. A simples queda do paredão fez a praça esportiva ganhar 2.093 lugares, estando hoje com a capacidade para 25.091 pessoas”.
Mesmo citando visibilidade total, logo a seguir a matéria da Gazeta cita uma declaração do presidente do A. Paranaense, João Augusto Fleury, que confirmou a venda de lugares com pontos cegos, o que não foi aparentemente questionado no laudo dos Bombeiros, diferente do posicionamento do Corpo de Bombeiros quando se tratou do jogo do Verdão: “A nossa única preocupação foi atender a demanda de público”.
Os laudos dos Bombeiros
Se na matéria do Coritiba, foi citada a data da vistoria do estádio pelos bombeiros (no dia 8 de agosto), no caso da matéria sobre o jogo do time da Baixada, tal informação não foi citada pela Gazeta, que se limitou a dizer que "O mistério sobre a súbita expansão da capacidade da Arena para o clássico entre Atlético e Paraná, no domingo, foi esclarecido ontem (Nota dos COXAnautas: 25 de setembro, após a realização do jogo)pelo Corpo de Bombeiros".
"De acordo com a vistoria realizada pela corporação após a colocação das cadeiras (Nota COXAnautas: não foi citada pelo jornal a data da vistoria), o estádio só conseguiu suportar o público de domingo graças à retirada do muro no setor dos visitantes, que servia para separar o local do Colégio Expoente, antigo locatário da área onde hoje está a extensão do estacionamento do estádio. A derrubada ocorreu no começo de maio" (Nota COXAnautas: não foi citado pelo jornal o dia do mês).
Na matéria sobre o jogo na Baixada, fica uma dúvida, desta vez para os leitores: se os bombeiros tinham feito a vistoria, porque o responsável por tal função naquele órgão (segundo a matéria, capitão Donat) teria ficado em dúvida sobre o público de A. Paranaense x P. Clube? Segundo o jornal, "a dúvida quanto ao estádio suportar ou não mais de 25 mil pessoas existia até no Corpo de Bombeiros. O chefe do setor de vistoria da corporação, Capitão Donat, imaginava não caber na praça esportiva mais de 24 mil pessoas. Chegou a supor que o público anunciado seria apenas marketing do clube".
No caso do jogo do Verdão, a Gazeta afirma que o responsável pelas vistorias no Couto é o capitão Vladimir Donati (com 'i', no final), que afirmou ao jornal “Há uma tolerância para pessoas que estão trabalhando”.
Mas nem mesmo a informação técnica da autoridade, que, no caso da matéria sobre o jogo na Baixada foi teve ares de conclusiva pela Gazeta, foi capaz de encerrar o assunto, já que na foto da matéria sobre o jogo no Alto da Glória, a Gazeta utilizou a imagem do público total (e não o pagante), com direito ao seguinte comentário na legenda: "Placar eletrônico mostra o número de torcedores presentes ao Couto Pereira: possível excesso".
Esta informação da Gazeta é inverídica: público pagante, critério utilizado pelo próprio jornal do "desafio" das torcidas, não é o mesmo que público total. Pelo menos se observarmos o critério jornalístico empregado pela própria Gazeta quando o assunto é a matéria sobre o jogo na Baixada.
Utilidade pública
Se, na matéria sobre o jogo no Alto da Glória, a Gazeta ressaltou que "vender mais ingressos do que a capacidade do estádio fere o artigo 23 do Estatuto do Torcedor. No caso de uma denúncia, o clube pode ser penalizado com no mínimo seis meses de portões fechados", no caso do jogo na Baixada nenhuma linha sobre o assunto foi citada na reportagem.
Necessidade de laudos atuais para ampliar a capacidade dos estádios
Na matéria sobre o jogo do Coritiba, o responsável pela vistoria no Corpo de Bombeiros frisou da necessidade de que o “Coritiba tem um estádio totalmente seguro para receber 35.759 pessoas. Se quiser aumentar a capacidade precisa fazer uma revisão de projeto”; já no caso do jogo na Baixada, com base na reportagem da Gazeta, fica a dúvida: mas quando é que foi feita a nova vistoria pelos Bombeiros? Antes ou depois do clássico ter sido realizado?
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)