
TIMEMANIA
Quando a Timemania foi lançada, esperava-se que fosse uma solução para o pagamento das dívidas dos clubes de futebol com o governo. No acordo inicial, 22% da arrecadação com a loteria seriam divididos, mas essa renda sequer chegaria aos cofres da maioria dos clubes, já que se destinaria ao pagamento de dívidas com o governo. O débito desses times, que chega a mais de R$ 1 bilhão seria quitado em 240 parcelas mensais.
Na ocasião do acordo, os times devedores teriam até fevereiro de 2009 para pagar uma parcela mínima de R$ 50 mil mensais e, a partir dessa data, os valores seriam recalculados para que a dívida total de cada clube fosse quitada dentro do prazo estabelecido de 240 meses.
Os problemas surgiram agora que a previsão da Caixa Econômica de arrecadação de cerca de R$340 milhões no trigésimo quarto sorteio da loteria não se concretizou. A Timemania arrecadou até agora somente R$97,5 milhões, muito abaixo do que se estimava inicialmente, frustrando e preocupando os dirigentes, que se vêm agora com uma "bomba" na mão.
O grande problema para os clubes é que, a partir dessa data, com a baixa arrecadação da loteria, a diferença para o pagamento da dívida a partir de fevereiro de 2009 teria que sair dos cofres de cada clube, e esse é um fator que aterroriza os dirigentes dos times com as maiores dívidas. Na última terça-feira ficou definido que o presidente do clube dos 13, Fábio Koff, irá agendar uma reunião com o ministro do esporte, Orlando Silva, para tentar renegociar o prolongamento do prazo de pagamento do valor mínimo de R$50 mil por mais cinco anos.
O Flamengo – clube que lidera a lista dos mais endividados, deve cerca de R$190 milhões – ameaça até chantagear o governo pelo prolongamento do prazo de pagamento do valor mínimo. "Se o governo disser que não tem acordo, o Flamengo, por exemplo, vai rever o seu orçamento para ver qual caminho irá tomar. Uma das saídas seria vender jogadores, o que não é bom para o futebol brasileiro, ou podemos mandar todos os empregados embora, criando um problema social, e os esportes olímpicos que patrocinamos, vamos parar de investir, prejudicando assim todo o trabalho para as Olimpíadas de 2012 e 2016", ameaça o vice-presidente do clube, Delair Dumbrosck.
O Coritiba, com uma dívida de R$ 21 milhões com o fisco, é o 14º na "tabela" dos que mais devem, e também tem interesse nessa decisão do governo, para poder desenvolver o planejamento financeiro para os próximos anos.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)