
Quantas vezes o torcedor alviverde viu o Coritiba dar um show de bola, mas terminar o jogo sem a vitória? Hoje à tarde aconteceu o inverso.
Durante a maior parte da partida entre Coritiba e Grêmio, no Couto Pereira, nenhuma das duas equipes mereceu marcar o seu gol. Mas parece que a estrela do Cori está brilhando forte (ou será a nova cruz verde da igreja?) e a vitória caiu no colo do time coxa-branca, aos 31 do segundo tempo, com gol de Helinho.
O Verdão continua sua cruzada rumo à Copa Libertadores da América 2004 na quinta-feira, em São Januário, contra o Vasco da Gama, 17º. Se o São Paulo não vencer o Atlético Mineiro, neste domingo no Morumbi, o Coritiba entrará em campo ostentando a terceira posição no campeonato.
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Um belo sábado de sol e calor contribuiu para que quase 15 mil torcedores comparecessem ao estádio. Do outro lado, cerca de 500 gremistas acreditavam que o dia da Revolução Farroupilha seria o início da reação tricolor no Brasileirão.
Dentro do campo, parece que os 30ºC derreteram os jogadores antes mesmo de a bola rolar. Em câmera lenta, coxas e gremistas abusaram dos passes errados. Por parte dos gaúchos, cabe ressaltar que foi adotado um esquema de anti-jogo extremamente violento, o qual contou com a complacência do péssimo árbitro Álvaro Azeredo Quelhas (Fifa-MG).
Somente Jackson, em 30 minutos, tomou quatro faltas fortíssimas - e apenas um cartão amarelo foi aplicado aos agressores. Isso, fora as faltas não marcadas, impedimentos absurdos apontados e o "cuidado" com Marcel, que não podia tocar na bola sob pena da marcação de falta. Numa dessas, Marcel reclamou e foi advertido com o cartão amarelo. Seu terceiro.
Será que haveria interesse da Federação Mineira no jogo do Coritiba?
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Quando a bola - e não os jogadores do Coxa - rolava, as chances só apareciam após erros individuais. Aos cinco, o Grêmio teve sua melhor chance no jogo no único erro de Odvan. A bola foi cruzada na intermediária e o zagueirão pulou em falso. Caio tocou para Cláudio Pitbull, de frente para o gol, chutar a bola nas arquibancadas. Por essas e outras é que o Grêmio segura a lanterna.
A resposta do Cori veio aos 11, numa jogada de cinema. Pela direita, Edu Sales levou a bola para a linha de fundo, deixou o marcador sentado e cruzou de chaleira. Livre de marcação, Lima não conseguiu alcançar direito a bola e cabeceou para fora.
Aos 17, novamente Lima apareceu no jogo. Dessa vez foi ele quem foi à linha de fundo, pela direita. O cruzamento pegou um efeito estranho e a bola bateu no trevessão, assustando Danrlei.
Depois, o jogo que já não era bom, caiu ainda mais. Burocrático e sem criatividade no meio-campo, o Coritiba tentava atacar na base da ligação direta entre defesa e ataque. O Grêmio, com um pouco mais de posse de bola, esbarrava na sua própria falta de qualidade e na defesa muito bem postada do Cori.
Nova chance de gol somente aos 39. Após um bate-rebate na área alviverde, a bola sobrou para Caio, que chutou muito próximo à trave esquerda de Fernando.
No intervalo, Paulo Bonamigo optou por manter a equipe e quase que os gaúchos agradeceram. Aos três minutos, Anderson Lima teve chance em falta duvidosa na meia-lua. A cobrança foi mal-feita e o jogo continuou 0x0.
Aos 10 minutos, o Coxa fez boa jogada pela esquerda, mas Edu Sales não conseguiu controlar a bola, que saiu pela linha de fundo. Na continuação do lance, Lima balançou as redes.
Aos 19, outra falta na entrada da área do Coritiba. Mais uma vez, Anderson Lima chutou para fora. No minuto segundo, Marcel puxou contra-ataque e, de fora da área, finalizou próximo ao gol de Danrlei.
Finalmente, aos 25, Paulo Bonamigo chamou Souza e Helinho e substituiu Edu Sales e Lima. Detalhe que, apesar do resultado desfavorável - empate em casa com o lanterna - Edu Sales demorou mais de um minuto para deixar o campo. Vale um puxão de orelha.
E, aos 31, na terceira vez que os novos jogadores tocaram na bola, saiu o gol. Curiosamente, a jogada nasceu de um ataque perigosíssimo do Grêmio. O cruzamento da esquerda saiu rasteiro e Elton certamente marcaria o gol dos gaúchos, mas Edinho Baiano afastou o perigo.
A bola caiu nos pés de Souza, que puxou um veloz contra-ataque, livrou-se da marcação e lançou Helinho. Rápido, o atacante ultrassou o zagueiro e tocou no canto esquerdo de Danrlei: 1x0.
A explosão da torcida alviverde foi maravilhosa e a energia contagiou o time, que passou a vibrar com cada lance. Daí em diante, dois jogadores chamaram a responsabilidade e garantiram a vitória coxa-branca: Odvan e Roberto Brum.
O Coxa jogou com Fernando; Ceará, Odvan, Edinho Baiano e Adriano (Lira); Reginaldo Nascimento, Roberto Brum, Jackson e Lima (Souza); Marcel e Edu Sales (Helinho). Técnico: Paulo Bonamigo.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)