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IMPRENSA
Tempo perdido
Portal Paraná On-line, 20/11/2006
O empate por 1 a 1 diante do Gama, uma espécie de pedra no sapato do Coritiba, foi o suficiente para que os aparelhos que mantinham o paciente ainda vivo fossem desligados e o moribundo, desenganado há algumas rodadas, pudesse finalmente descansar. Entretanto, ilude-se quem imagina que esse descanso será em paz.
Muito pelo contrário, o Alviverde não sabe o que é paz desde o momento em que foi rebaixado à Série B do Brasileirão, no final do ano passado. Como resultado desse ambiente conturbado e carregado, o time fracassou em todas as competições que disputou em 2006.
O sonho da torcida e o único real objetivo do clube na temporada que está se encerrando era retornar à elite, e na tentativa de atingir a meta traçada no início do campeonato nacional dirigentes, oposição e torcida suspenderam as hostilidades. Por um certo tempo a estratégia deu certo, tanto é verdade que o time terminou o primeiro turno como líder da competição.
Porém, assim que os resultados negativos começaram a surgir (quem não se lembra do setembro negro, quando o time ficou o mês inteiro sem vencer?) e a equipe iniciou sua queda livre na tabela de classificação, o frágil pacto terminou. Daquele momento em diante, o clube se transformou num barril de pólvora pronto para explodir.
De tudo que li e ouvi após o jogo de sábado, confirmação oficial de uma temporada jogada no lixo, duas opiniões chamaram a minha atenção: a primeira foi a declaração do técnico Paulo Bonamigo, logo após o empate contra o Gama. O treinador disse categoricamente que a divisão interna no clube foi preponderante para o fracasso da equipe.
Aplicando o raciocínio dedutivo não é difícil concluir que a luta pelo poder dentro do clube afetou o desempenho da equipe em campo. Claro que este não foi o único problema, mas sou obrigado a concordar com o treinador quando ele diz que trabalhou em campo minado. Se com todos remando na mesma direção já seria difícil levar o barco a um porto seguro, imaginem com os remadores se agredindo mutuamente.
A segunda opinião foi escrita pelo torcedor Alfredo Peracetta Jr., no site do Coxanautas (posso estar enganado, mas creio que o Peracetta foi meu colega de trabalho na Auto Viação Mercês, em meados dos anos 90). O referido torcedor apresenta algumas sugestões para tentar resolver a atual crise do clube e, assim como a maioria dos torcedores, pede a saída do presidente Giovani Gionédis.
Ao meu ver, Gionédis realmente não tem mais condições de presidir o clube. No ano passado, o mandatário Coxa vendeu jogadores importantes no meio do campeonato, enfraquecendo e conseqüentemente rebaixando o time. Depois, numa eleição bastante discutida, foi reeleito prometendo recolocar o time na primeira divisão no final deste ano. Falhou novamente.
O problema é que o presidente perdeu credibilidade. Concordo que se ele tivesse alcançado o objetivo a crise poderia ser contornada, mas, ainda assim, seria possível argumentar que ele não fez mais que a obrigação ao recolocar o time na primeira divisão, já que em última instância, por ser o presidente, ele é o culpado do time estar amargando a segunda divisão. Mas nem isso ocorreu.
Será que a instituição Coritiba suportará uma guerra declarada e sem prazo para terminar entre diretoria, oposição e torcida? Penso que se restabeleça a paz no Alto da Glória e recoloque o time, em 2008, na elite do futebol brasileiro, lugar de onde nunca deveria ter saído.
Miguel Angelo Manasses
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)