
DENÚNCIA
Édison Mauad, dirigente que deixou o cargo durante a semana, foi entrevistado com exclusividade pelo jornalista Róbson De Lazzari, a quem explicou os motivos do seu pedido de afastamento do corpo diretivo do Coritiba, bem como falou sobre a transação envolvendo o zagueiro Henrique, negando ter recebido qualquer tipo de comissão.
O ex-dirigente fala também dos problemas envolvendo a gestão do G9 Coxa-Branca, de quem Mauad diz ter sido usado para fins eleitorais.
Confira a matéria com a entrevista na íntegra:
O sr. deixou o clube por causa de insinuações de que teria levado comissão em vendas de jogador?
É verdade. Foi exatamente por isso que pedi para sair. Se a diretoria não confia em mim, não tenho motivos para ficar.
Qual a origem dessa acusação?
Não tenho idéia. No momento em que a direção me argumentou a respeito fiquei extremamente chocado. Quem vendeu o jogador (Henrique) não fui eu; quem fez a negociação não fui eu. De repente, essa comissão que estão se referindo acho que não cabe. Quem fez o negócio foi o Chico Araújo (diretor financeiro). Tudo que é feito no clube passa pelo G9. A negociação do Henrique foi extremamente discutida na direção. Foi uma transação demorada que levou quase 15 dias e eu estava em véspera de cirurgia. Não posso admitir que a minha diretoria ponha dúvida no meu comportamento.
O sr. foi questionado pelo presidente sobre isso?
Ele insinuou e isso me desagradou. Fato que faz eu não ter vontade nenhuma de continuar. Como irão haver dois ou três grandes negócios pela frente acho bom eles se preservarem. Talvez não tenha outro bode-expiatório.
O sr. sabe de algo anormal que aconteceu nessa negociação?
Não sei. Me surpreendi com essa insinuação. Minhas contas estão todas à disposição. Se eles tiverem alguma dúvida, gostaria que trouxessem a público para que eu pudesse me defender. No momento que um preço é definido e o dinheiro entra no clube, acho estranho demais esse tipo de coisa.
Essa comissão viria de empresário?
Não houve prolongamento da conversa. Quando insinuaram esse tipo de coisa eu imediatamente me recusei a continuar. Tenho 40 anos de Coritiba e não comecei ontem.
A venda do Henrique foi a única coisa que lhe questionaram?
É. Vieram me argumentar se eventualmente tinha havido alguma comissão. Quem ganhou comissão no negócio foi a Massa Sports (empresa que administra a carreira do jogador) e não eu. Quem concluiu a negociação foi o Francisco Araújo. É ele que pode dar detalhes sobre como foram definidos os valores.
Como credor do clube o Araújo não teria recebido nada?
Não quero entrar nesse detalhe. O que estou dizendo é que ele é o financeiro do clube e pode dar todos os detalhes de como foi feita a negociação.
Ele não fez nenhum tipo de insinuação sobre comissões?
Não. Nem falei com ele desde que saí. Não tenho problemas com ele que é meu amigo. Só fui inquirido pelo presidente.
O senhor não lamenta que isso esteja acontecendo?
Eu não lamento. Servi para algum motivo.
Sente-se usado?
Me sinto usado, mas deixe para lá. Nada como um dia após o outro.
Por quem?
Pelo grupo que permaneceu. Para a eleição eu servia. Para discutir uma pseudocomissão sobre o Henrique ninguém me defendeu. Isso eu não aceito.
O atual G9 não está conseguindo administrar o clube?
Prefiro não comentar isso. É bom que se esclareça o que está ocorrendo. Mas onde nove mandam e tem alguém que cuida do dinheiro fica difícil de usar desse artifício. Dizem que há uma gravação me comprometendo. Gostaria de ouvir essa gravação para fazer minha independência financeira sobre ela. Uma ação bem feita de calúnia daria para fazer minha aposentadoria.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)