
OPINIÃO
Assim como Lédio Carmona, o jornalista Mauro Cezar Pereira, que faz parte da equipe do canal de TV a cabo ESPN Brasil, também fez questão de manifestar a sua insatisfação sobre como está sendo conduzido o verdadeiro "processo de crucificação" que o Coritiba sofre perante o STJD e grande parte da mídia nacional.
Nesta quarta-feira, 16, Mauro Cezar escreveu em seu blog o que pensa sobre a decisão do tribunal. O jornalista considerou exagerada a punição ao Alviverde e ainda fez questão de destacar os problemas de segurança dos estádios brasileiros, relembrando, inclusive, alguns episódios recentes de confusão nas torcidas. Confira abaixo a íntegra do texto de Mauro Cezar Pereira em seu blog:
"O Tribunal puniu o Coritiba por 30 jogos em competições da CBF (campeonato brasileiro da Série B e Copa do Brasil) devido à invasão do campo no empate com o Fluminense que rebaixou o time paranaense. Na ocasião, os invasores enfrentaram a polícia e chegaram a nocautear um soldado. Mas STJD, tampouco a confederação, que é a organizadora da competição, apontam soluções. Dúvidas:
1) Se o Coritiba pode jogar o campeonato paranaense no Couto Pereira isso significa que o estádio só não é seguro em torneios promovidos pela CBF? Ou a torcida irá a um local inseguro ver as partidas do Coxa na competição estadual?
2) Havia o dobro de policiais no estádio quando da confusão, segundo o clube. Qual o número recomendado pela CBF? Como devem se comportar as chamadas forças de segurança?
3) O estádio não tem alambrados. O Morumbi e o Maracanã também não. O que sugere a CBF, que cercas eletrificadas sejam instaladas para que não ocorram invasões? Não seria melhor punir severamente quem invade o campo?
4) Qual a diferença entre a tentativa de invasão do gramado do Pacaembu por corintianos na derrota para o River Plate na Copa Libertadores, quatro anos antes, e o ocorrido no dia 6 em Curitiba? Em São Paulo a polícia conseguiu deter os torcedores, no Paraná ela não foi capaz. Mas não teria ficado evidente a insegurança do estádio paulista em 2005? Por que o tribunal e a CBF nada fizeram? Ah, mas o jogo era da Confederação Sul-americana, alguém responderá. E daí? Se é inseguro na Libertadores poderá ser no Brasileirão ou na Copa do Brasil.
5) E quanto a São Januário, palco da quase tragédia na final nacional de 2000 entre Vasco e São Caetano? Não seria o caso de fecharem o estádio carioca por 30 jogos ou algo assim?
6) Digamos que o Coritiba jogue em outro estádio, como o Pinheirão, também localizado na capital paranaense. Haverá segurança?
Nada de sério foi feito depois do ocorrido após Coritiba x Fluminense, e a punição provavelmente será reduzida em breve. Faltam medidas sérias, preventivas. Não existe um procedimento padrão de segurança, recomendações para que as coisas funcionem melhor.
Na Inglaterra os alambrados foram reforçados ao extremo para impedir invasões, e banidos depois da morte de quase uma centena de pessoas esmagadas nas grades em 1989. Hoje quem entra em campo por lá está seriamente encrencado. Qual o motivo para não fazerem o mesmo aqui?"
Para conferir o texto original e o trabalho - que inclui posts sobre a recente viagem do comentarista à Inglaterra - de Mauro Cezar Pereira em seu blog clique aqui
A Equipe do site Coxanautas parabeniza Mauro Cezar Pereira por sugerir soluções práticas para o problema da violência que está presente na grande maioria dos estádios brasileiros. São atitudes e pensamentos assim, que contribuirão para um futebol mais organizado e sério. A prevenção, ao contrário de punições arbitrárias, deve ser a regra.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)