ENTREVISTA21/08/07, 00h01
Medalha de Ouro fala aos COXAnautas
Com o Coritiba no coração, Fabiano Machado conquistou ouro para o Brasil
Fabiano Machado, de 32 anos, é um Coxa-Branca de ouro. O nadador foi ao Rio de Janeiro para participar dos Jogos Parapan-americanos 2007 e voltou da cidade maravilhosa com um sorriso imenso, após ter subido no lugar mais alto pódio para receber, juntamente com Adriano Lima, Mauro e André Brasil, a medalha de campeão no revezamento 4x100m livre.
Atleta experiente, Fabiano agora soma 14 medalhas em seu 3º Parapan. Destas, 7 são de ouro. O campeão também participou da Para-olimpíada em Sidney, em 2002, e garantiu a 3ª colocação no revezamento 4x100m livre. Fabiano Machado também é membro do conselho estadual do esporte e, além da paixão pela natação, o Coritiba tem grande espaço em seu coração. A camisa do Verdão está sempre nas malas de viagem e sua presença no Couto Pereira é essencial quando está na capital.
Fabiano foi contatado pela equipe do COXAnautas e falou um pouco sobre a sua experiência como atleta e sobre o seu amor pelo Coritiba Foot Ball Club. Confira:
COXAnautas - Qual a maior dificuldade dos para-atletas em nosso país?
Fabiano - A maior dificuldade é a falta de apoio das empresas, que não querem vincular suas marcas às pessoas portadoras de deficiência, o que torna muito difícil conseguir um patrocínio.
COXAnautas - E o respeito para com os para-atletas, existe?
Fabiano - Respeito sempre existe quando a gente também respeita o próximo, então isso se torna muito pessoal...
COXAnautas - Você recebe algum tipo de ajuda - financeira ou técnica - para a realização dos treinamentos e das viagens?
Fabiano - Sim. Financeiramente, contamos com o apoio da Lei de Incentivo ao Esporte de Curitiba, que nos fornece viagens e material esportivo, e somos também integrantes do programa Bolsa-Atleta do Governo Federal.
Técnicamente, eu e o Moisés contamos com o apoio da PUC-PR, onde treinamos e temos toda a estrutura de apoio. Contamos também com o apoio da Academia Gustavo Borges. Este ano em especial, contamos também com os apoios da SMEL (Piscina da Praça Oswaldo Cruz) e do Colégio Militar, pois a piscina da PUC-PR está em reforma. Temos também o apoio da Hammer Head, que nos fornece material esportivo.
COXAnautas - Como você acha que a realização do Pan e do Para-Pan no nosso país pode alavancar os investimentos do setor público no esporte? É esperado algo nesse sentido, ou, passadas as competições, tudo volta a ser como era antes?
Fabiano - Acho que o setor público tem investido o que pode no esporte, mas, com certeza, os grandes resultados obtidos pelo Brasil farão com que as verbas tendam a crescer.
Fabiano acredita no retorno e faz campanha: "Vamos subir, Coooxaaaaa!"
COXAnautas - O que significa para um atleta representar o país em competições internacionais? E o que significa representar o seu país, em uma competição internacional, disputada em "casa"?
Fabiano - Representar o país é o ápice da carreira de um atleta. Disputar uma competição internacional em casa então, é um sonho que estamos realizando agora. Está sendo incrível. A energia da torcida tem sido o combustível dos atletas brasileiros, pode ter certeza.
COXAnautas - Que conselhos você daria a uma criança com algum tipo de deficiência física?
Fabiano - Nunca duvide de seu potencial. Acredite em você e siga em frente que seus sonhos serão realizados.
COXAnautas - Com que freqüência você costuma ir aos jogos do Coritiba no Couto Pereira?
Fabiano - Eu vou sempre que posso! Este ano, infelizmente, eu tive muitos campeonatos que coincidiram com os jogos, mas, mesmo assim, fiz o plano de sócio. Mesmo perdendo vários jogos, fiz questão de ajudar o Verdão.
COXAnautas - O Couto é um estádio confortável para deficientes físicos?
Fabiano - O Couto não é um estádio de fácil acesso aos deficientes. As calçadas em frente são mal conservadas, tem muitas escadas sem corrimão, e existe somente uma opção de entrada pra quem usa cadeira de rodas. Mas é um estádio muito bom de ver os jogos, um dos melhores em que já estive. O melhor estádio para deficientes que eu já fui é sem dúvida o Morumbi, que tem uma área reservada muito bem adaptada, que poderia muito bem ser feita no Couto.
COXAnautas - Quando subir ao pódio (o que torcemos para que aconteça), para receber a sua medalha, levará o Coritiba no coração. E a bandeira? Vai junto?*
Fabiano - Pois é, já fui ao pódio no revezamento 4x100m livre, e realmente o Coritiba foi junto comigo, mas a bandeira e a camiseta são proibidas. Nem a do Brasil a gente pode levar. Mas meu irmão estava na arquibancada e colocou a bandeira do Coxa lá no Maria Lenk.
COXAnautas - Você tem acompanhado o Coxa na Série B? O que você acha da equipe? Dá pra subir este ano?
Fabiano - Eu tenho certeza que sim! A "piazada" do verdão está jogando um bolão e os contratados deste ano são muito melhores e mais raçudos, nem se comparam aos terríveis "jogadores" do ano passado. E este ano a torcida está muito mais unida e jogando junto, o que no Couto, sempre faz a diferença. Vamos subir, Coooxaaaaa!!!!
* Nota do editor: A entrevista foi realizada via e-mail, antes de o atleta ter conquistado a medalha de ouro, no dia 13/08.