
ARTIGO
Que tenha vindo em boa hora
Campeonato Mundial de Voleibol 2006, segunda rodada: França 3x1 Brasil. A partir daquele momento, qualquer derrota nos levaria a eliminação, e conseqüentemente, à destruição do sonho do bicampeonato mundial. Ainda restavam nove jogos para o nosso objetivo final. Naquele momento, me veio a mente o Campeonato Mundial de 2002, quatro anos antes, quando perdemos para os Estados Unidos na segunda rodada também e ainda tínhamos todo o campeonato pela frente. O final da história nestes dois episódios todos nós conhecemos: Brasil bicampeão mundial, sem ter perdido mais nenhum jogo nas duas competições.
O que aconteceu nas duas ocasiões, quando perdemos para times de qualidade tecnicamente inferior, e o que nos levou a ganhar todos os outros jogos que faltavam? O que foi feito para reverter o quadro em ambas as situações? Por que estou lembrando disso agora? Vou tentar responder uma pergunta de cada vez.
Na minha concepção, as derrotas aconteceram devido à falta de mobilização do time, não tendo ainda se conscientizado da importância da competição que estavam disputando, e quando na vida os jogadores e a comissão técnica poderiam ter uma oportunidade como essa novamente.
Lembro que, em 2002, após a derrota para os EUA, um dos jogadores mais experientes do grupo, numa reunião no saguão do hotel em Buenos Aires, se levantou chamando a atenção que o comportamento no jogo e até então na competição não era de um time disputando um Campeonato Mundial, alertando a todos que deveria haver uma mobilização maior, pois talvez fosse a única chance que cada um tivesse de tentar ganhar uma competição de tal porte. Não por acaso, esse jogador foi o autor dos últimos três pontos nossos contra a Rússia, na final.
Quando a derrota na primeira fase ocorreu novamente, quatro anos depois, não foi necessário alguém falar sobre a importância da competição, pois o grupo era semelhante e apenas o olhar de cada um após a derrota mostrava como deveriam passar a agir após aquela derrota.
Já respondendo a segunda pergunta: uma derrota inesperada para grupos vencedores, desde que a competição não seja eliminatória, só vem a trazer benefícios, pois tem que estar na cabeça dos jogadores e comissão técnica que, sendo melhores, o foco tem que ser mantido para que o time inferior não venha a surpreender, não esquecendo sempre de tentar melhorar a cada instante, com o intuito de aumentar a diferença entre as equipes.
No caso de inferioridade técnica ou igualdade, tem que dobrar a concentração, treinar dobrado, estudar as possíveis falhas do adversário como nunca, para poder superá-lo dentro de campo.
Finalmente, por que estou falando tudo isso agora? Porque o nosso time, o Coritiba, perdeu para um time inferior tecnicamente domingo passado, e tem todas as condições de reverter o quadro no final de semana. Porque vamos jogar um jogo decisivo na quinta feira contra um time tão bom ou superior tecnicamente que o nosso.
Espero que nossos jogadores possam se imbuir de espírito de luta, de concentração, e pensar em cada um dos jogos como se fosse a última oportunidade de suas vidas de ganhar algo importante.
Quem garante que nossas revelações (Henrique, PK, Keirrison, Anderson Gomes, Marlos), todos com pinta de futuros grandes jogadores, quem sabe craques (porém ainda estão no início da carreira) vão ter novamente a oportunidade de ganhar um Campeonato Paranaense (quantos projetos de craque já ficaram no meio do caminho, e nunca mais ninguém ouviu falar?), ou chegar às quartas de final da Copa do Brasil, com grandes possibilidades de ir mais longe?
Gostaria também de ver tal postura nos mais experientes, mesmo os que já ganharam algo importante, porque vitórias e títulos sempre são importantes para seus currículos e até mesmo para seu ego, e para criar uma identidade com nossa grande torcida.
Para sintetizar todas essas palavras, faço mais uma pergunta: alguém aqui discorda que Osvaldo, Serginho, Carlos Alberto e Tostão eram melhores que Almir, Marildo, Tobi e Índio? E agora, pergunto mais uma vez: dentre esses dois quartetos, qual nos traz mais alegrias ao lembrar, e qual morará no coração da nação alviverde eternamente?
Gostaria de lembrar aos jogadores que ficam para história os vencedores, e que nesses jogos decisivos, esqueçam seus problemas de contrato e outros fatores extracampo, e joguem por amor ao que vocês fazem, e caso realmente tenham identificação com o clube (não apenas da boca para fora), por amor ao Clube.
Para finalizar, quero pedir a nossa torcida guardar as possíveis vaias apenas para o final do jogo (espero que não haja necessidade), e que seja dada uma força para nosso goleiro, afinal a fase é ruim, porém com pressão da torcida só tende a piorar, mas ele provou no ano passado ser um bom goleiro, e no momento, é o que temos.
Saudações Alviverdes
Álvaro Chamecki é médico da campeoníssima seleção brasileira de vôlei masculino, integrante da comissão técnica de Bernardinho. Álvaro é Coxa-Branca de coração.
Nota: o Dr. Álvaro escreve a convite da equipe dos COXAnautas.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)