
O site dos Coxan@utas procura incentivar a memória do Coritiba, resgatando personagens, histórias e fatos marcantes na vida do Clube.
Entendemos que esse processo de resgate da história do Clube é um componente indispensável para o sucesso do Coritiba no futuro. Os torcedores mais novos não tiveram a oportunidade de conhecer e vivenciar diversos episódios importantes na vida do Clube.
Dessa forma, convidamos um torcedor do Coritiba para contar um pouco mais sobre o Coritiba da década de 1950, na ótica de um ex-atleta do Clube que participou das equipes de atletismo que o Coxa tinha na época: Saul Ferreira dos Santos.
Guilherme Artigas, 27 anos, é acadêmico de Jornalismo na ESSEI, assessor de imprensa da Polícia Militar do Paraná, e ex-editor da Revista Fascículo e torcedor do Coritiba.
“Saul, o corredor...
Quem conhece a história do Coritiba sabe que as prioridades sempre foram o patrimônio e o futebol. Quando se conseguiu a autorização para usar o “ground” (como era comumente chamado os locais destinados às atividades esportivas) do Jóquei Clube Paranaense, onde o Coritiba permaneceu jogando até 1916, o objetivo único era desenvolver o futebol.
Assim é até hoje. Poucos são os registros de outros gêneros esportivos figurarem em destaque na história do Coxa nos seus 94 anos.
Na década de 50, mais precisamente em 54, craques como Fedato, Duílio e Renatinho conquistavam mais um título paranaense e é possível que circundavam o estádio Belfort Duarte em mais uma volta olímpica. Provavelmente sobre a antiga pista de atletismo. Atletismo no Coxa?
Mesmo entre os mais atentos à história do clube, poucos se referem à prática do atletismo no Coritiba. No mesmo ano de 1954, quem coordenava o esporte amador era João Francisco Fruet. “Um grande incentivador, principalmente do Atletismo” como afirma Saul Ferreira dos Santos, ex-atleta do Coxa. Saul, hoje funcionário da prefeitura de Curitiba, relembra com carinho os poucos anos de atletismo do Coritiba, época em que freqüentou o clube. Atleta de cem metros rasos, cem metros com barreira, 400 metros e 1500, esse curitibano, e coritibano que na época tinha 18 anos, lamenta que até hoje o esporte amador em geral não tenha a merecida importância para os principais clubes brasileiros. “Depois de 54 e 55 não houve tentativas de reativação do departamento de esporte amador no Coritiba” diz.
A verdade é que no brasil da época, pouco se comentava sobre atletismo, e hoje ao menos no Coritiba, não existe nenhum movimento para a reativação da prática dessa modalidade. O atual diretor do esporte amador é o ex-jogador Cláudio Marques, e de fato não existe discussão sobre a volta de outras atividades esportivas que não o futebol. A última experiência próxima disso foi à cerca de três anos, quando a ginasta Camila Comin foi patrocinada por pouco tempo pelo Coritiba.
Se for correta ou não, ou se é viável o apoio ou a efetivação de outras atividades no clube, não nos cabe discutir no momento. Apenas como registro, é interessante lembrar de etapas que ainda que curtas, são relevantes para entendermos o desenvolvimento do Coritiba nos seus quase cem anos.
Se hoje estamos felizes com mais uma Libertadores a ser disputada no ano que começa, quem sabe, devamos considerar pessoas como Saul, “Era esporte amador, sem remuneração, mas ainda assim era muito bom”. Ou episódios e um cotidiano diferente do que vemos hoje quando vamos ao estádio e nos encontramos com nossos amigos. Como bem lembra o próprio Saul, o atletismo no Coxa vivia de torneios internos, se tratava pois, de confraternização e movimentação interna. Se não é o caso de voltar a termos uma pista de atletismo no Coxa ou no CT, o que é realmente supérfluo no momento, contamos com iniciativas como o campeonato de futebol (I Copa Cori Ação de Futebol Sintético) disputado entre vários grupos representativos da torcida, como o Vô Coxa (campeão), Glorioso Alviverde (vice-campeão), Conselheiros, Coxaceiros, Coxa Bar, Cornetas do Fosso, Bandeirão do Retão, torneio que, por sinal, o site Coxan@utas estava representado por seus jogadores.
Vamos fazer parte da vida do Coxa, ele faz parte da nossa. Ainda bem”.
Reportagem assinada por Guilherme Artigas.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)