
ACORDA, CORITIBA!
O internauta Gustavo Tomasi Damian, residente em Cascavel, enviou matéria publicada no dia 27 no jornal Folha de S.Paulo sobre o modelo de gestão que está sendo implantado no Grêmio, possibilitando evolução nas áreas esportivas e financeira do clube gaúcho.
Confira a matéria na íntegra, assinada pelo jornalista Rodrigo Mattos:
Grêmio copia superempresa e cresce
Dono de uma das maiores siderúrgicas do mundo, Jorge Gerdau financia projeto que revoluciona administração do clube
Após queda para Série B, gremistas adotam modelo empresarial e vêem seu desempenho evoluir nas áreas esportiva e financeira
Quando caiu à Segundona -e vivia crise financeira-, dirigentes do Grêmio procuraram ajuda com empresários ligados ao clube. A idéia era que eles viabilizassem recursos para a montagem de um novo time.
Dono de uma das maiores siderúrgicas do mundo, Jorge Gerdau se ofereceu para contribuir na administração. Propôs financiar um projeto. "Ele nos disse que, tão importante quanto em jogadores, era investir em gestão", explicou o presidente do Grêmio, Paulo Odone.
Assim, há um ano e meio a empresa Quality, que presta consultoria empresarial para o grupo Gerdau, passou a trabalhar para o Grêmio. Gerdau é quem paga por esse serviço.
Nesse período, o clube saltou da Série B para a terceira posição da Série A do Brasileiro.
Para isso, introduziu em seu vocabulário expressões como Planos de Ação Anual e Indicadores de Desempenho. Mostrava uma nova forma de planejamento do clube, visando aumentar a arrecadação e reduzir a dívida. Foram contratados seis gerentes executivos para tocar os projetos. No momento, há profissionais nas áreas de planejamento, marketing, finanças, jurídica, administrativa. E no futebol do Grêmio. "Foi preciso alterar o estatuto para termos esses gerentes, que trabalham integralmente para o clube", conta o vice-presidente de planejamento gremista, Eduardo Antonini.
Os gerentes respondem aos vice-presidentes do clube e a um conselho de administração, composto pelo presidente e por conselheiros. Como em empresas, têm metas a cumprir.
Para o biênio 2005-2006, foi atingido 90% do que foi proposto, segundo a diretoria. Todas as áreas evoluíram.
Um exemplo foram os acordos jurídicos obtidos pelo clube, minimizando o efeito de penhoras sobre as rendas. Ao fim de 2004, a dívida gremista somava cerca de R$ 100 milhões. Advogados do clube convenceram 44% dos credores a aderir a um condomínio de dívida. Os débitos são pagos parceladamente, o que evita as penhoras. Deste então, R$ 13 milhões em dívidas foram quitados.
Assim, o clube sabe quanto dinheiro conta para o futebol. Adaptou sua folha salarial aos recursos disponíveis e passou a evitar atrasos nos pagamentos.
Na outra ponta, o Grêmio passou a trabalhar pelo aumento de receitas. Um novo plano para ganhar associados foi implantado -similar ao do arqui-rival Internacional, que é o atual campeão mundial.
Com o direito a entrar nos jogos, os sócios multiplicaram-se por sete: de 5.000 para 35 mil. Só a renda com eles, que chega a quase R$ 1 milhão, paga a folha salarial do futebol.
E cresceu a presença de público nos jogos gremistas. No Brasileiro, o clube liderou neste item: média de 25 mil pessoas.
No final deste ano, a diretoria do Grêmio fez uma reunião com Jorge Gerdau para mostrar os resultados da consultoria. A Folha não conseguiu falar com o empresário -a assessoria da empresa informou que ele estava em período de folga.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)