
FALA, CONSELHEIRO
Tenho acompanhado atentamente as aspirações e manifestações de conselheiros e associados pela mudança estatutária do nosso clube. Estou conselheiro há exatamente 19 meses e todo esse tempo procurei tomar conhecimento das engrenagens que movimentam o Coritiba. Li diversas vezes o Estatuto e sempre tenho minha cópia à mão para eventuais consultas.
Na minha visão não existe a necessidade de um novo estatuto, como muitos querem, mas uma modernização de capítulos importantes. Ouvi clamores para que o Presidente do Conselho Deliberativo convocasse a Assembleia Geral, a fim de discutir reformas estatutárias. Eu não consigo acreditar que passou pela cabeça de alguém reunir aproximadamente 5.000 pessoas para discutir assunto tão sério e delicado. Para a Assembleia Geral cabe a aprovação da Reforma.
O estatuto atual já estabelece que um conjunto mínimo de 20 associados pode apresentar sugestões de reforma ao Conselho Legislativo. Mas aí está a dificuldade: mais fácil criar o factoide do que apresentar alterações justas e coerentes.
Nestes meses todos, para mim tem ficado clara a necessidade de modernizar o estatuto, não por ele em si, mas porque o clube carece. Várias áreas e temas carecem, só para exemplificar alguns: uma revisão do plano de fidelização de sócios, um choque de gestão, orçamento, etc.
Olhando por este enfoque, surgem as necessidades de se estabelecer novas regras a questão reside em como regulamentá-las, este sim papel do Estatuto.
Dentre os vários assuntos, inicialmente proporia para o debate o Choque de Gestão, que passaria pela reforma do estatuto nos capítulos I ao VI, que tratam do Conselho Administrativo suas competências e como está organizada a administração. Proponho a alteração do nome de Conselho Administrativo para Conselho de Administração e alteraria suas competências, ajustado-as à nova ordem.
O estatuto no capitulo VI – Competências e Delegações do Conselho Administrativo - estabelece a possibilidade da criação de uma diretoria executiva, que - acho - não seria o caso, pois incharia mais a lista de chefes, mas proporia a reforma do estatuto no sentido de ali constar a exigência de um Superintendente na Administração do clube.
Justifico:
Não há como esperar que a pessoa num trabalho voluntário, como determina o estatuto, em relação aos componentes do Conselho Administrativo, abandone seus afazeres particulares para se dedicar exclusivamente em administrar o clube.
Remunerar estas pessoas não significa profissionalizar a gestão, mesmo porque muitos são empresários, mas de negócios familiares e não têm experiência num mundo corporativo, em que as coisas são resolvidas pela meritocracia e não pelas relações.
O clube precisa de um executivo, profissional de renome com vasta experiência em gestão de pessoas, de recursos administrativos e financeiros. Este executivo será responsável pela administração diária dos negócios do clube, bem como pela orientação geral da política estratégica, administrativa, organizacional e operacional.
O profissional em questão conduzirá a gestão do clube com base em código de conduta e o Conselho de Administração será o responsável pela orientação geral dos negócios, bem como pela fiscalização de seu desempenho. Dentre outras atribuições, o conselho de administração é competente para contratá-lo e destituí-lo, fixando-lhe as atribuições e supervisionando o exercício de suas funções.
Esta é uma Reforma Estatutária factível, com embasamento e enormes chances de ser aprovada, tem que ser debatida e lapidada fora do âmbito da paixão, com uma visão do que pretendemos para o futuro do Coritiba. E assim são outros temas dentro do clube, o futebol profissional e a face visível do processo. Neste caso específico só teremos sucesso se perseverarmos na quebra dos paradigmas estabelecidos, que ainda imperam nos bastidores e adormecem o Coritiba sobre a sua história passada, e darmos soluções modernas para as questões que o suportam, como um quadro social forte e comprometido, categoria de base qualificada e competente, ações de marketing, etc.
Estou conselheiro, sou eternamente COXA
Carlos Alberti
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)