
ENTREVISTA
Por e-mail, Domingos Moro, ex-Vice-Presidente do Coritiba Foot Ball Club, concedeu uma entrevista na qual fala, entre outros assuntos, sobre o momento do Coritiba na Série B.
COXAnautas: Como você vê o atual momento do Coritiba, no que se refere à administração do Clube de um modo geral e à administração do departamento de futebol, mais especificamente?
Moro: A queda para a Série “B” do campeonato brasileiro fez com que a administração do Coritiba voltasse seus olhos exclusivamente para o futebol. Nada seria mais importante do que o retorno à Série “A”. Assim, outros projetos (acaso realmente existentes) foram paralisados ou não tiveram andamento normal e desejável.
O problema é que mesmo voltados unicamente ao futebol, os atuais administradores não têm conseguido o sucesso almejado e desejado pelos torcedores. O campeonato paranaense, a “Copa do Brasil” e as incertezas na atual campanha de acesso são as provas dos equívocos de planejamentos (?) e principalmente de avaliações.
Desde o início de 2006 não percebo uma estrutura que pudesse produzir resultados diferentes dos que os verificados (pelo menos até o momento atual). Sinto estagnação no trabalho de base e desconhecimento na contratação de atletas para a equipe principal. Contratou-se muito e contratou-se muito mal.
Outra questão fundamental é a falta de autonomia do Departamento de Futebol, cumpridor de ordens e não gestor (como seria desejável e recomendável).
COXAnautas: Na sua opinião, quais são as principais diferenças no Clube hoje em relação à época em que você foi vice-presidente?
Moro: A situação é completamente diferente, pois hoje não estamos (momentaneamente) na Série “A”, não somos campeões estaduais invictos ou bicampeões estaduais, não temos calendário internacional e nem estamos disputando títulos nas principais categorias formadoras. Não há como comparar. Aliás, no futebol não tem comparação, tem resultado. Não se comparam vitórias, conquistas, campeonatos. Resultados sim é que são importantes e eles são frutos de bons trabalhos.
Contratar acertadamente (atletas que tragam benefício técnico e retorno financeiro) e revelar bons jogadores (para a equipe principal e para uma futura recompensa econômica) são espécies de bons trabalhos, hoje ausentes, lamentavelmente.
COXAnautas: Você vislumbra alguma possibilidade de voltar ao clube em alguma função diretiva, seja na Diretoria Executiva (Conselho Administrativo, no estatuto vigente), seja no Conselho de Administração (Conselho Deliberativo, no estatuto vigente)? Ou ainda exercendo algum cargo de direção no departamento de futebol e/ou categorias de base?
Moro: Continuo no Conselho Deliberativo, do qual sou membro vitalício. Já ocupei inúmeros cargos nos Conselhos existentes e o futuro poderá conduzir a novos desafios e a novas funções. Aprendi com meu saudoso Pai que “nunca se deve dizer nunca”. Só que no atual momento do clube e considerando alguns “diretores” existentes, acho impossível minha participação.
Participei dos processos eletivos e tive grande importância nas definições eleitorais. O tempo passou e não sinto arrependimento nem saudades. Não sei se todos os que permaneceram podem corroborar tal afirmação.
COXAnautas: Qual a sua visão do Direito Desportivo no nosso estado, tanto no que se refere aos julgadores, quanto aos advogados que atuam nessa área?
Moro: O estado do Paraná está numa posição de destaque no cenário nacional do Direito Desportivo. Possuímos hoje doutrinadores, julgadores nas principais cortes desportivas do país, representantes na Procuradoria Desportiva e excelentes advogados militantes. As Comissões Disciplinares do TJD do Paraná, assim como o Tribunal Pleno funcionam bastante bem e são respeitadas em todo o Brasil.
Lamentavelmente perdemos o convívio do Dr. José Cadilhe de Oliveira, o baluarte de nossa Justiça Desportiva e de nosso Direito Desportivo, mas temos força suficiente para continuarmos a brilhar, aprofundando estudos e alicerçando o Direito Desportivo como um dos ramos mais promissores da ciência jurídica.
COXAnautas: O Paraná tem problemas históricos de falta de representatividade efetiva perante a Confederação Brasileira de Futebol e o STJD. Como exemplo, pode-se fazer menção ao rebaixamento do Coritiba em 1989, no tapetão. Dentro desse cenário, você vê alguma evolução ou possibilidade de mudança desse panorama a curto prazo? Ou você acha que já houve uma melhora?
Moro: Melhorou muito a representatividade de nossos clubes na esfera nacional, principalmente porque individualmente passaram a se fazer presentes. Tanto na CBF como no STJD a presença do Estado do Paraná e dos clubes do Paraná é forte e vigorosa. Há exceções, mas no geral evoluímos muito. O que ainda precisa ser mais bem trabalhado é a mídia esportiva nacional, que teima em não valorizar nosso futebol, nossos clubes e nossas realizações.
Esperando ter contribuído com esse fundamental veículo da vida do Coritiba Foot Ball Club, cumprimento a todos e agradeço a oportunidade.
Serviço
Para entrar em contato com o entrevistado, mande um email para futebolempauta@domingosmoro.com.br.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)