
UM NOVO COUTO
Couto pra sempre – II
Foram tantos os comentários, e-mails, telefonemas, opiniões, idéias e contatos (aos quais agradeço), que me obriguei a pensar ainda mais no tema da última Coluna. Pensando me vieram as lembranças e lembrando me veio a saudade de tempos vitoriosos e recheados de conquistas e glórias do clube que aprendi a amar.
Cresci no estádio do Coritiba. Desde os tempos de Belfort Duarte até os atuais do Couto Pereira. Aos seis anos de idade, já era sócio remido e proprietário de Cadeira Cativa Perpétua, presenteada por meu Pai Constante Moro. Localizada no setor central do estádio e com o número contratual 121, meu local de assistir aos jogos situava-se bem no centro da social e na exata linha do meio de campo. Foi ali que presenciei alguns momentos inesquecíveis de minha vida, num desfile de grandes atletas, importantes jogadas e vitórias emolduradas pela beleza da torcida alviverde.
Em minha memória saltaram histórias que ouvi e que me foram contadas sobre ilustres coritibanos que ajudaram a edificar o majestoso estádio. Lembrei-me dos Presidentes Arion, Bayard e Evangelino, da família Mauad e pensei nos inúmeros e incontáveis personagens que auxiliaram na edificação hoje existente. Recordei-me de meus tios que presidiram o clube e de outros tantos que nunca pouparam esforços para que o Couto fosse um marco de Curitiba e do Coritiba.
Na “ante-sala” da nova visita papal ao Brasil, me vieram recordações de João Paulo II no estádio, com as construções polonesas lá reproduzidas. Sozinho, entoei o “canto de guerra” da torcida, que pedia “a benção João de Deus, nosso povo te abraça, tu vens em missão de paz, sê bem vindo e abençoa este povo que te ama...”.
Os shows, os desfiles, as comemorações cívicas preencheram com saudosismo meus pensamentos. Lembrei de gente que já se foi e tantos que até hoje estão lá, nas cadeiras e nas arquibancadas, nos camarotes e nas cabines de imprensa, na Tribuna de Honra ou próximos ao fosso. Pensei no Museu (com seu notável acervo), nas placas afixadas no estádio (que homenageiam alguns dos que construíram a história do Clube) e no campo de jogo, que a muitos abrigou e que de muitos títulos foi palco (com aquelas invasões festivas de torcedores em comemorações de campeonatos vencidos).
Por conhecer todos os cantos do Couto, pensei nele e em todas as melhorias que foram introduzidas ao longo dos anos. Pensei no esforço dos engenheiros, dos arquitetos, dos operários e dos funcionários. Pensei numa multidão de talentos que se dedicaram e que se dedicam ao estádio. Lembrei até do drama da cobertura da social...
De tanto pensar acabei pegando no sono e dormindo. O maior presente estava por vir: enquanto dormia sonhei com o Couto totalmente concluído. Ele estava lindo, lotado e com torcedores felizes e empolgados. Bem diferente do que se viu nas últimas semanas, onde se divulgaram intenções de sua parcial desativação e onde, mais uma vez, os torcedores saíram entristecidos por novos resultados negativos.
Fico com o meu sonho (que é de muitos). Quero o Couto modernizado, terminado e feliz. Para o “glorioso”, só o “Alto da Glória”, o lar dos verdadeiros “Coxas-Brancas”.
Em 23/04/2007, está pautado...
Domingos Moro
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)