
AVALIAÇÃO
O MOMENTO DO CORITIBA
Quando todos já se preparavam para comemorar, por antecipação, o título de campeão da Série “B”, de repente (de repente?) o Coritiba começou a vacilar, vencer com dificuldades e nos estertores das partidas; não vencer; empatar por lances fortuitos e derivados da sorte e a perder para adversários muito limitados e em jogos de nenhuma inspiração ofensiva.
Mas será que tudo aconteceu de repente? Ou será que é uma fase passageira? Foi o Coritiba que entrou em descendência técnica ou os adversários que ascenderam tecnicamente?
- Procurarei responder com simplicidade as questões postas. Nem foi de repente, nem a fase é passageira e é cedo para falar em declínio técnico, sem antes observar as reais condições técnicas do elenco de atletas que o clube dispõe.
- Não foi de repente porque o “foco” do Coritiba está errado. Ao aproximar-se das primeiras colocações “focou” exagerada e unicamente a liderança e o título da competição, olvidando que o mais importante é o acesso à Série “A” e não o primeiro lugar. Debates sobre a colocação ou não de uma “estrela de prata” na camisa oficial são de um primarismo absoluto. Vendeu-se a importância de um título, desmerecendo o real objetivo a ser perseguido e alcançado. Assim, parece que já não basta “subir”, tendo que “campeonar” a qualquer custo. Esnobou sua condição de “grande” e perdeu a humildade.
- A fase negativa não é passageira porque a fase positiva foi ilusória. O Coritiba não possui um bom elenco de jogadores e não está tão à frente dos demais competidores como imaginaram alguns (de dentro e fora do clube). Os diferenciais coxas residem em sua Comissão Técnica – sem dúvida a melhor da Série “B” e na presença de um dos melhores zagueiros hoje em atividade no futebol brasileiro, o excelente Henrique. No resto, o Coritiba é tão comum e previsível como os outros, podendo sim, alternar bons e maus momentos, boas e más atuações.
O grupo de atletas foi mal formado e as dezenas de contratações realizadas resultaram poucos efeitos positivos. Os jogadores da “casa” e “feitos em casa” foram preteridos por “estrangeiros” que quando conseguem dominar a bola erram o passe e quando acertam o passe, pecam nas conclusões. Uma lástima. Mas se é assim, como explicar alguns bons resultados pós Copa do Mundo? Simples. A equipe reforçou-se nas posições certas mas com os jogadores errados; trabalhou extenuadamente os aspectos físico, técnico/tático e emocional. Pronto. A explicação está dada: atingiu alguns limites antes do tempo certo.
Está tudo perdido? – Claro que não, mas parem de falar em título da segundona. Se ele vier coloquem o troféu no Memorial (ou será Museu?)... O importante é subir, nem que seja em quarto, no último jogo e nos instantes derradeiros... Pensando assim e com calma, planejamento e decisões eminentemente técnicas (e nunca políticas), poderá dar certo.
Em 22.09.06, do Rio e voltando para Curitiba, ESTÁ PAUTADO...
Domingos Moro
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)