
BASTIDORES
Histórias de quem viveu os bastidores
A importância dos 'Invisíveis'
O ano era 1999. Lá se iam dez anos sem títulos, sem alegrias, uma eternidade para uma torcida que é a maior do estado. Uma agonia que teimava em não acabar. Para piorar um ano antes passamos por duas amargas experiências, perdemos a final para o time lá das Terras de Baixo, onde até pênalti perdemos ,onde o nosso goleiro da época bateu muito mal.
Ainda no mesmo ano de 1998 quando tínhamos uma boa equipe fomos abandonados pelo técnico que preferiu nos trocar por um time carioca, fomos desclassificados pelo time da Portuguesa em três jogos ,sendo que aquela quarta feira a noite teima em ficar em nossas memórias,ganhando o jogo de 2x0 resultado que nos colocaria na próxima fase,o Claudinho tem a bola do jogo e desperdiça com uma 'categoria' incrível. Era muito sofrimento para uma nação,era humilhante toda esta situação.
O ano de 1999 começou mal,perdemos alguns atletas e a reposição foi de menor nível técnica,contratamos um técnico que veio com um currículo interessante ,mas chegando aqui notamos que era fogo de palha.
Jacob Mhel nosso presidente tomou as ações que deveriam ser tomadas.
Trouxe de volta ao Coritiba um dos maiores vencedores da história do futebol paranaense, professor Munir Calluf. E ali começa toda uma nova fase.
O Prof. Munir começou a reorganizar tudo e a sua primeira 'contratação' foi o Moacyr Medeiros, o famoso Gargamel.
Depois de sermos desclassificados na Copa do Brasil, chegou o nosso novo Técnico Abel Braga com toda aquela delicadeza Munir e Abel Braga não tinham condições de fazer grandes contratações, mas chegaram a uma conclusão... Os invisíveis iriam ganhar aquele campeonato, blindaríamos o elenco e resgataríamos a tradição do Glorioso. Juro que não entendi nada... quem eram os invisíveis? Que papo é este do blindar... e olha que tinha uma experiência de trabalho de muitos e muitos anos com o Munir e literalmente milhares de milhas com o homem... Japão, China, etc. etc...
Fomos nós para o primeiro jogo,lá na Vila Olímpica do Boqueirão,o time dos paranistas tinha Regis, Whashington, Fernando Diniz, Ilan, um time respeitável... tomamos de 6x2, fora a humilhação... foi feio demais.
Pensei comigo... Meu Deus é o final do Mundo.
Os dois lideres do time prof. Munir e Abel convocaram uma reunião às 7 da manhã no CT,mas aí que esta a sabedoria a inteligência e a vivência. A reunião foi com os Invisíveis... No final da reunião senti que o mundo não tinha acabado e que seriamos campeões novamente.
O tempo passou, chegamos a semifinal contra o time das Terras Baixas. Primeiro jogo lá no Pinheirão. Basílio e Cléber acabaram com o jogo. Ganhamos com folga e trouxemos a partida decisiva para o Couto. Semana inteira pra trabalhar calor, sol, nenhum jogador machucado (tínhamos o Darci, mas isto é uma outra história...). Na quarta feira um susto o nosso goleiro reserva sofre uma fratura no tornozelo ,não tínhamos um terceiro goleiro, chamamos um garoto do Juniores.
Sábado, treino apronto no Couto. Tudo tranqüilo e na metade do treino um temporal chegou e a temperatura caiu absurdamente.
Treino encerrado, mas um detalhe não passou aos olhos do Dr. Lucio e do Moacyr: Gilberto nosso grande goleiro, que estava em uma fase fantástica, quieto no seu canto.
Fomos para a concentração almoçamos tranqüilamente e à tarde, movimentação nos quinto andar do hotel: Gilberto estava se retorcendo de dores nas costas. Chegava a quase chorar de tanta dor. O que teria acontecido? O que ocorreu até hoje não sabemos...
Moacyr e Lucio começaram a tratar o goleiro. Reunião para decidirmos quem chamar para compor o banco e preparar o goleiro reserva, Júnior, para o AtleTiba de sua vida - e das nossas também (risos). Voltou o fantasma do ano anterior, quando perdemos o título.
No meio da reunião, Moacyr, 'seo' João e Dr. Lucio bateram na mesa e afirmaram: Gilberto estaria em campo! Silêncio tétrico...
Durante toda a madrugada os invisíveis se revezaram. Entre massagem, medicamentos, rezas e muita competência...
Dia de decisão e um domingo chuvoso. Os céus mandavam água que não tinha fim. Primeiro, tempo o time lá de baixo fez a maior pressão e tiveram três oportunidade fantásticas, mas Gilberto fechou o gol.
Cleber, de pênalti, quase arranca a cabeça do Flávio: 1x0. Com o resultado, chegávamos à final.
O bicho foi bom, pago numa famosa churrascaria de Curitiba. Prof. Munir pagou e eu acho que foi do bolso dele o maior bicho da minha vida, regado a vinho do bom e carne de primeira.
Quem estava no jantar? Somente os invisíveis...
E a final contra os paranistas?
Bem, esta é outra história...
Prof. Miguel Zacarias Neto
Formado em Educação Física pela UFPr
Com Especialização em Fisiologia do Exercício/UFSC
Administração Esportiva na Sendai Ikuey GHS/Sendai Myagi Japan
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)