
OPINIÃO
Ponta de estoque
Quando ainda era técnico do Corinthians, o polêmico treinador Emerson Leão reclamava muito da dificuldade em contratar reforços. Segundo ele, os clubes brasileiros enfrentam uma escassez de bons jogadores, causada pela Lei Pelé, que permitiu uma invasão de empresários no mercado da bola. Especialistas em negociar qualquer atleta "meia-boca" para o exterior, eles acabam deixando no país apenas aqueles jogadores sem mercado nos clubes estrangeiros. E graças a esse sistema de exportação dos nossos craques, nossas equipes estão sendo montadas utilizando a "ponta de estoque" do futebol nacional.
Lembrei desse comentário do Leão após tomar conhecimento das pedidas salariais dos treinadores que negociam com o Coritiba. Celso Roth, um técnico de segunda categoria, pediu R$ 200 mil reais por mês. Dorival Junior, um treinador emergente, quer ganhar cento e quarenta mil. E até mesmo o inexpressivo Giba teve a cara-de-pau de pedir R$ 120 mil reais de
salários. Valores absurdos que são motivados pela falta de bons profissionais disponíveis no Brasil, pois nossos treinadores também são cobiçados pelo futebol estrangeiro.
Essa insensatez, em que as equipes são obrigadas a pagar supersalários para técnicos de qualidade duvidosa, acabará forçando os clubes brasileiros a mudarem seus conceitos.
A partir de agora, além de investir na formação de atletas, eles terão que começar a formar profissionais para suas comissões técnicas. Treinadores, preparadores físicos e auxiliares deverão ser criados dentro de casa. Caso contrário nossos times serão obrigados a pagar verdadeiras fortunas pelos profissionais disponíveis na "ponta de estoque" do futebol nacional.
Natal
Aos leitores da coluna, e em especial para a Nação Coxa, um Feliz Natal com muita paz, harmonia e felicidade. Que Deus abençoe a todos.
Leandro Requena
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)