
EXTRACAMPO
O mundo esportivo de alto rendimento cada vez mais exige um trabalho integrado entre as mais diversas áreas da ciência. No futebol, não há mais espaço para a antiga rotina de treinos físicos e técnicos, tão somente. A atualidade exige a participação de fisiologistas, nutricionistas, preparadores físicos, médicos, dentistas e, até mesmo, psicólogos, o que demonstra que corpo e mente precisam estar em perfeita sintonia para a busca de resultados cada vez mais expressivos.
Esta interdisciplinariedade marca os trabalhos desenvolvidos no Coritiba. Em entrevista concedida aos jornalistas Rodrigo Sell e Allan Costa Pinto, a psicóloga Flávia Focaccia - responsável pela preparação mental de todos os atletas coritibanos -, concentra seus trabalhos com os atletas da equipe sub-20.
Flávia destaca a importância de orientar os atletas que estão a um passo do elenco profissional do clube: "Nos juniores, a gente trabalha mais com os jogadores porque eles vão começar a ganhar dinheiro, lidar com a imprensa, com os torcedores e o papel do psicólogo é importante. Eu costumo dizer para eles que a categoria é o vestibular do atleta. Ou vira jogador profissional ou acaba (o sonho). O meu trabalho é bem direcionado para o rendimento", declarou.
Os aspectos social e familiar são pontos chave na preparação mental dos atletas: "Quando tem problema familiar e está afetando o grupo eu entro e faço o meu papel, mas quando é uma questão maior eu encaminho para um colega, um psicólogo clínico", ressaltou a psicóloga, para logo depois revelar que este trabalho já surtiu efeitos positivos num jogador coritibano, que estava se separando e estava desorientado até com relação à postura que deveria adotar com os filhos: "Ele fez esse trabalho e voltou a jogar bem e foi bem bacana", afirmou.
Focaccia aponta a questão sentimental como algo que precisa ser muito bem esclarecida aos jovens jogadores, especialmente quando ocorrem problemas nos relacionamentos: "O psicólogo tem que identificar o que está acontecendo. Quando a gente atende os atletas das categorias de base, que começam a ter as namoradinhas, a gente orienta”, contou.
A precocidade peculiar à carreira de jogador de futebol também é um fator que exige muito trabalho psicológico: "Eles amadurecem mais cedo, mas a carreira deles acaba mais cedo e damos exemplos de atletas bem sucedidos. Na base, a gente também faz o contato familiar, contato com os pais com uma assistente social que faz a visita”, disse Flávia
Os bons resultados obtidos pela profissional são verificados no comportamento dos atletas que chegam ou saem do Coritiba: "Atletas que saem do Coritiba me ligam, dizem que não tem psicólogo em outros clubes e acabo instruindo através de fone ou e-mail. Outros atletas que chegam e dizem que não precisam do atendimento recebem a recomendação dos companheiros que já conhecem como é", finalizou a psicóloga.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)