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Historicamente os dirigentes comentam que o campeonato estadual é deficitário, uma análise dos borderôs pode esclarecer o porquê disso. O "custo futebol" tem se mostrado extremamente elevado, como mostram os números da última partida do Coritiba. De uma renda de R$ 74.475,00 sobraram como receita somente R$ 18.005,35, ou seja 24,18%. Se contarmos que parte dessa receita veio do pagamento antecipado dos sócios, R$ 14.365,00, resta a mísera quantia de R$ 3.640,35 efetivamente ganhos na partida contra a Adap/Galo. E não se pode nem falar que isso é o lucro, pois o clube não discrimina nos borderôs os custos de manutenção do campo, gastos com energia elétrica, água, limpeza e outros provenientes da "abertura do estádio".
O "custo futebol" pode ser dividido basicamente em 5 categorias: gastos com o quadro móvel (seguranças, equipe e material de limpeza, ambulância, gastos com som, placar etc); custo da confecção dos ingressos; taxas de arbitragem, anti-doping e seguro obrigatório; taxas das federações e impostos. Existem outras despesas além dessas cinco, mas não tão significativas.
No paranaense de 2007, por exemplo, o Cori teve uma renda bruta total de R$ 725.027,00, mas desse total 36,28% foram gastos com o quadro móvel; 19,32% em despesas com a empresa Ingresso Fácil – BWA, responsável pela confecção dos ingressos; 11,61% foram impostos; 9,67% em taxas de arbitragem, exame anti-doping e seguro obrigatório; e, finalmente, sobrou 2,38% para o clube – ou R$ 17.240,82 – isso sem contar os gastos de concentração e manutenção do campo. se essa é a situação em casa, como ainda pagar as despesas do jogos fora?
O que fazer para melhorar a arrecadação?
Infelizmente, o "custo futebol" engessa muito as ações do Clube. Não há como economizar nos impostos, taxas das federações ou de arbitragem. Parte dessas despesas são valores percentuais, que aumentam junto com a renda, mas parte importante é de taxas fixas, que pesam cada vez menos à medida em que o público pagante aumenta. Prova disso estão nos borderôs da Série B 2007.
Com um bom público pagante, a renda ultrapassou R$ 400 mil em alguns jogos, tendo como agradável conseqüência uma inversão naquelas porcentagens anteriores. O Coritiba, de último na participação da renda, passou a embolsar 36,12% – R$ 1.740.885,38; as despesas com a BWA foram de 21,65%; o quadro móvel ficou com 14,76% da renda; os impostos corresponderam a 8,03%, as taxas das federações custaram 5,28% e as despesas com a arbitragem, anti-doping e seguro obrigatório ficaram com 3,71% da arrecadação.
Assim, fica claro que a presença do torcedor é fundamental para a receita do Coxa. Infelizmente, não se pode ainda falar em lucro, ou em contratações que "a torcida paga", pois desse total de R$ 1,7 milhões terão que ser descontados os custos dos jogos fora de casa, manutenção de campo e concentração. Mas já pode diminuir o déficit existente e liberar as outras fontes de renda (cotas da TV; patrocínios) para investimento, seja em atletas e demais profissionais, seja no patrimônio do clube.
Para isso, a alternativa mais viável é ampliar o quadro de sócios do clube. A receita dos sócios é paga antecipadamente, com tributos descontados integralmente somente na data dos jogos e independe de fatores que possam afastar o torcedor do estádio, como o clima, a data e horário da partida, o adversário etc.
Este panorama financeiro deixa mais evidente a importância e prioridade para o Verdão de ter um quadro associativo forte, ampliando o número de sócios que o Cori tem, inclusive fora de Curitiba.
Nesse sentido, o Clube dispõe de algumas alternativas com preços populares para planos de sócios às arquibancada. E para quem quer assistir ao jogo num lugar mais confortável, os planos de sócios para a Mauá e cadeiras superiores do Couto continuam disponíveis.
Para saber mais sobre os planos de sócios do Coritiba, clique aqui.
Confira a tabela comparativa entre os campeonatos de 2007 e a importância do público pagante na arrecadação
| Paranaense 2007 | Brasileiro 2007 | |
| Média do Público Pagante | 5.640 | 17.377 |
| Renda Total | R$ 725.027,00 | R$ 4.819.228,00 |
| Quadro Móvel | R$ 263.038,97 (36,28%) | R$ 711.282,69 (14,76%) |
| BWA / Ingresso Fácil | R$ 140.072,06 (19,32%) | R$ 1.043.435,58 (21,65%) |
| Impostos | R$ 84.162,56 (11,61%) | R$ 386.877,15 (8,03%) |
| Taxas das Federações | R$ 80.635,76 (11,12%) | R$ 254.628,80 (5,28%) |
| Taxas de Arbitragem, Anti-doping e Seguro | R$ 70.139,74 (9,67%) | R$ 178.625,28 (3,71%) |
| Coritiba | R$ 17.240,82 (2,38%) | R$ 1.740.885,38 (36,12%) |
O caso BWA
Dentre as cinco classes de gasto citadas, duas delas podem ser alvo do corte de custos: o quadro-móvel e a confecção de ingressos. Ambos são casos delicados, que necessitam de muito conhecimento das entranhas do clube para opinar. Mas o valor pago à BWA chama a atenção.
A BWA/Ingresso Fácil é uma empresa que teve seu nome envolvido em escândalos do futebol desde a CPI de 2001. É difícil obter informações sobre ela, mas pelo que a equipe dos COXAnautas conseguiu levantar, a empresa é responsável pelas catracas, pela confecção dos ingressos e por algumas formas de venda. Além disso, pode comprar antecipadamente os ingressos e os clubes assinam notas promissórias que serão pagas, obviamente com juros, futuramente. Um percentual da renda das partidas é recolhido para a BWA com a finalidade de amortizar essa dívida.
No caso do Coritiba, pelo que se pode ver discriminado nos borderôs, o clube paga, normalmente, uma taxa fixa de R$ 0,40 por ingresso confeccionado (que parece ser o preço de mercado da confecção dos mesmos) e uma taxa de até 17% sobre a renda bruta (provavelmente como forma de amortização da dívida adquirida pela antecipação da renda).
Sem maiores detalhes não se pode julgar o negócio, mas a título de comparação a equipe COXAnautas fez uma amostragem nos borderôs de outras equipes nacionais para informar o torcedor.
Alguns times pagam uma quantia fixa e uma porcentagem variável para a empresa que cuida dos ingressos, é o caso do P. Clube com a empresa TASK. Pelos ingressos e catracas eles pagam uma taxa fixa por jogo de R$ 4.915 e aproximadamente R$ 0,50 por ingresso como "taxa de acesso".
Outros clubes mostraram em seus borderôs apenas uma porcentagem paga à empresa administradora dos ingressos, sem parcela fixa, como São Paulo, Flamengo e Grêmio. Os três clubes possuem contratos com a BWA, pagando, respectivamente, 11%, 10% e 8% da renda bruta.
Há ainda associações que apresentam em seus borderôs somente uma taxa fixa por ingresso. É o caso de Figueirense e A. Paranaense, que têm despesas de R$ 0,42 e R$ 0,40 por ingresso confeccionado.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)