
DE SAÍDA
Agora o fato virou público. Aquilo que todo mundo imaginava tornou-se realidade e agora todo mundo já sabe: René Simões (foto) não continuará dirigindo o Coritiba. Seu destino será a Jamaica. Ele disse que recebeu uma proposta tentadora, mas que não aceitou por dinheiro e sim porque precisam dele por lá.
Em entrevista à imprensa, René contou, ainda, que comunicou à diretoria sua decisão de ir embora assim que a vaga na primeira divisão foi conquistada e que foi falta de habilidade da diretoria comunicar sua saída aos jogadores antes da decisão de sábado, contra o Santa Cruz. Resumindo: procura-se um técnico para as disputas da Série A em 2008.
Confira os principais trechos da entrevista do treinador à imprensa
A SAÍDA
“Desde que nós nos classificamos eu comentei com o presidente e ele fez o anúncio de que ele não seria mais candidato e que ele tinha o candidato dele. Eu disse a ele que eu não ficaria mais no Coritiba por razões pessoais.
Eu até gostaria de ser o Mano Menezes do Coritiba, mas, da forma como as coisas estavam se desenhando, pra mim não dava mais. Eu gostaria de fazer essa comunicação só depois do título.
Tenho certeza que isso não iria ajudar na briga pelo título, caso os jogadores soubessem. Se vai atrapalhar eu não sei. Eu sei que falaram para os atletas que eu não ficaria mais no Clube e que eu estaria certo com a Jamaica, o que é quase verdade. A Jamaica vem me procurando há dez anos, desde que eu saí de lá. Eles vieram fortes e eu descartei.
Até contei pro André Ribeiro (vice-presidente do Cori) que eu havia descartado de vez a Jamaica, mas acabaram as coisas ocorrendo de uma forma de uma forma que eu não gosto e tive a honestidade de comunicar, logo depois da classificação, que eu não ficaria no Clube.
Não gostaria que isso passasse para os jogadores porque isso poderia atrapalhar. Só não entendi a falta de habilidade de se contar isso para os atletas. Não consigo entender. Disse aos atletas que era uma posição minha. A gente devia estar discutindo somente o Santa Cruz. Depois isso seria resolvido da melhor maneira possível.
Porém, falaram isso pra eles e eu tive que ter essa reunião com os atletas. Firmamos um pacto, vamos fazer uma oração pensando em quem vai ficar aqui e prometendo muita luta, muita força para ajudar aos que vão ficar aqui. Temos que ter esse aumento de prêmio, o prêmio de campeão, que vai ajudá-los também. O grupo do Coritiba é um dos melhores que eu já peguei na minha vida.
Nós conseguimos a vaga com oito rodadas de antecedência. Chegamos aos 58 pontos faltando oito rodadas e tenho certeza absoluta que vamos conseguir o título também. Esse é um pacto nosso. Só não entendi essa comunicação na hora errada.
Eu sempre parabenizei a situação e a oposição por não misturarem política com o futebol. A mistura do título com a eleição não é saudável.
E outra: eu não estou indo pro mundo árabe, não. Estou indo para a Jamaica. A Jamaica não é um país rico, não. E mais uma vez eu vou e não vou por dinheiro. Eu vou pela necessidade que eles têm da minha presença. Não vou receber nenhum salário que o Coritiba não possa me pagar na primeira divisão.
Eu só não sei lhe dizer qual foi a intenção de se fazer essa comunicação aos jogadores, já que a gente sabe disso desde o jogo contra o Santo André, que eu não ficaria no clube, mas vínhamos mantendo segredo para não atrapalhar o ambiente".
O INCIDENTE APÓS O JOGO CONTRA O GAMA
"Quando eu fui demitido, após o jogo contra o Gama, quem me convenceu a voltar atrás foi o Antônio Lopes. Ele me convenceu a não sair. Eu liguei pra ele, ele não estava e ele me ligou justamente quando eu conversava com o Vialle.
Ele disse que conhecia bem o presidente, que o Gionédis era um cara impulsivo e que toma decisões precipitadas. Ele disse para eu dar continuidade ao meu trabalho e que o Giovani era uma pessoa boa e que eu iria virar amigo do presidente. E foi o que aconteceu. Eu fiquei e virei amigo do presidente. Podem perguntar isso ao Lopes".
PRESSÃO
"Eu tenho 54 anos. São muitos anos de estrada. Mas posso garantir que foram muitas noites sem dormir. Eu gosto de trabalhar congregando, mas acho que consegui suportar bem e disfarçar bem. Nem sei se vocês percebiam isso, mas em nome do grupo a gente levou numa boa".
TRÊS PALAVRINHAS
"Eu não posso responder se ficaria se mudasse o presidente porque não quero interferir no processo eleitoral do Clube. Não tenho esse direito. Não saio magoado com ninguém. Absolutamente. Só cheguei num nível da minha vida que me dou o direito de escolher.
São aquelas três palavrinhas: eu quero ser útil, produtivo e feliz. Se você me arrumar essas três coisas eu fico. Por exemplo, serei útil porque a Jamaica precisa de mim.
Produtivo eu serei porque terei as possibilidades de realizar meu trabalho e feliz por estou na Jamaica. Até poderia esperar uma proposta melhor de um clube, mas esses clubes dificilmente juntariam as três palavrinhas, que eu terei na Jamaica".
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)