
TERCEIRO SETOR
Anemia falciforme: uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil
O portador não é doente, mas pode passar o gene para seus descendentes
Foi através de um exame de sangue que o segurança Jackson Luis de Oliveira, 30, descobriu que tinha uma doença chamada Anemia Falciforme. Na época, com apenas 15, o segurança tinha pouco conhecimento sobre a anemia que atinge principalmente pessoas de pele negra. A Anemia Falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil. A cada 37400 crianças negras que nascem no País, uma é portadora do traço.
O portador do traço falcêmico não é considerado doente, mas pode transmitir o gene para seus filhos. A doença afeta o sangue. Bombeado do coração para todas as partes do corpo por tubos ocos, o sangue é uma mistura de vários tipos diferentes de células suspensas no liquido denominado plasma.
Algumas células são necessárias para a luta contra infecções e outras para estancar sangramentos. Entretanto, a maior parte das células do sangue são hemácias ou glóbulos vermelhos. São elas que levam oxigênio para todo o corpo. Como tem forma de disco bicôncavo são flexíveis e passam facilmente pelos vasos sanguíneos. Isso é importante já que entregam oxigênio partindo inclusive por pequenos vasos.
Dentro das hemácias existem milhões de moléculas de hemoglobina que são pequenas esferas. As cadeias de hemoglobina são feitas de redes de aminoácidos. Na Anemia Falciforme o aminoácido ácido glutâmico é substituído pelo aminoácido valina. A substituição é a causa do fenômeno de afoiçamento.
As células afoiçadas são endurecidas e quebram facilmente. Elas vivem metade do tempo de uma célula normal. Sua forma irregular leva a uma dificuldade para passarem pela corrente sanguínea.
Os sintomas
Pacientes com Anemia Falciforme sentem dores, cansaço e falta de apetite. Algumas vezes as células afoiçadas bloqueiam o fluxo de sangue aos tecidos e órgãos. As crises falcêmicas levam à dor. Quando a dor é intensa o paciente pode ser internado. Se a crise afetar membros superiores causa apenas a dor, mas quando afeta órgãos como cérebro ou pulmão, por exemplo, pode ocasionar lesões.
O diagnóstico é feito através de testes hematológicos como o teste de afoiçamento em pessoas afro-descendentes. Um diagnóstico precoce também pode ser feito através do teste do pezinho, em recém-nascidos.
No caso de presença da doença alguns cuidados devem ser tomados: ter uma alimentação rica em saladas cruas, doces e proteína; beber bastante líquido; evitar ficar muito tempo na praia; estar bem agasalhado em dias frios; ir ao dentista pelo menos uma vez por ano; ir ao ginecologista a cada seis meses; e ir ao médico regularmente.
No caso do segurança Jackson Oliveira, ele procura tomar os cuidados necessários. “Não se pode beber, fumar ou amanhecer acordado. Procuro também não exagerar no esforço físico”, conta o segurança.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)