
ELENCO
Ainda bem que existe
Alan Neto, No Olhar
20 de Setembro de 2004
Quem não tem Segundona caça com o quê? A resposta é fácil: Terceirona. Ainda bem que ela existe para preencher o domingo vazio e sem graça. Como perdeu o mando de campo, o jogo contra o Moto foi transferido para o PV que funcionou como segunda opção. Nem assim o bom time do Limoeiro perdeu a pose. Encarou o Moto venceu de 2x0, placar injusto, pois merecia ter sido o dobro. O PV para ele não era estranho já que aqui, afinal, disputou recentemente o Campeonato Cearense e foi a gratissima surpresa da competição. Quem gosta de futebol foi ao PV torcer por uma vitória do Limoeiro. Era o único resultado de que dependia para se classificar. O outro seria o zero a zero, quando decidiria por pênalti. Não podia era deixar o Moto fazer gol. Uma preocupação que se tornou constante para os zagueiros. E lá atrás, feito uma muralha, este ótimo goleiro Marleudo.
SEM ESQUECER QUE o critério agora é o terrível mata-mata. Qualquer descuido é fatal. Quem mandou o Moto, campeão maranhense, empatar em casa na primeira partida? Melhor para o Limoeiro. Decidiria aqui com tudo, quase, a favor. Em casa seria se a partida fosse realizada no Bandeirão que é o seu alçapão. Com a perda do mando de campo o jeito foi vir para o PV. Dos males, o menor. Venceu bem (2x0) se impôs ao adversário e vai continuar na Terceirona. Perguntinha inócua: e se aquela partida de ontem fosse no Bandeirão o placar seria uma goleada? Em futebol é preferível não fazer previsões. Elas nem sempre funcionam. E muitas vezes pode acontecer uma zebra.
COM FARO DE GOL
Tem jogador predestinado a balançar as redes. ô aquele que tem faro de gol na camisa que veste, seja lá qual for. É o caso, por exemplo, deste Marciano que, rejeitado pelo Ceará, foi bater com os costados em Limoeiro, após ter sido o segundo artilheiro do campeonato vestindo a camisa do verdão Icasa. Moésio Gomes, a quem tanto gosto de citar, do alto da sua santa sabedoria, ficava catando artilheiros nos campeonatos regionais. Foi assim que descobriu Croinha, no Maranhão. Trouxe-o para o Fortaleza e aqui transformou-se em ídolo. Em tom de ironia um dia lhe perguntei: ''Onde você foi achar um artilheiro com este apelido?'. Foi aí que ele ensinou o pulo do gato: ''Atacante que em dois campeonatos é o artilheiro com mais de 20 gols, pode apostar nele. Quem faz gol no Maranhão, faz em qualquer lugar do mundo porque o tamanho das traves para ele não diminui''. De tão encabulado botei a viola no saco. A história de Croinha todos conhecem.
GOLEADORES OU ENGANADORES?
Sem querer fazer comparações Marciano é artilheiro por onde passa. O jeito é apostar no homem. Veio para o Ceará, passou 20 dias, ninguém sequer falava com ele. Contrato? Nem pensar. Uma única vez quando apresentado a Lula Pereira, este lhe disse: ''Tomara que você tenha a mesma sorte que o outro Marciano teve''. Depois mandou que treinasse em separado fisicamente com a turma da laranja. Não aguentou vinte dias. Sem ver a cara de um dirigente arrumou os breguessos e voltou pra Juazeiro. Foi aí que o Limoeiro entrou na parada e o fisgou. A diferença é que o time limoeirense precisava de um goleador. O Ceará tinha uns oito no elenco. Cada qual pior que o outro. Não goleadores e sim enganadores.
FICHAS NÃO APOSTADAS
Só Lula Pereira não enxergou ou não quis enxergar. Por qual razão? Perguntem a ele. Se tem apostado suas fichas em Marciano a história hoje podia ser outra. Na Terceirona, só para refrescar a memória, ele já é o principal artilheiro com 7 gols com aquele marcado ontem, logo aos 4 minutos de partida. O outro foi de Júnior Ferreira, no segundo tempo sacramentando a permanência do time na competição. Ainda houve um gol perdido, aos 47, por Lequinha. Só ele o goleiro e a trave. Se é o Marciano em seu lugar era rede estufada. Bom jogo? Eu gostei pela movimentação em campo. Mas, também, por ter dado Limoeiro na cabeça. Afinal, ele é o futebol cearense na Terceirona.
SAUDADE
Nesta longa caminhada pelas veredas do futebol cearense, com tantos personagens, indo e voltando, outros sumindo do mapa, foi Jociê Orcine Cavalcante o mais gentil e elegante com quem me deparei. Ele como representante do Usina, do qual foi um dos seus fundadores, e posteriormente Ceará. Nunca o vi perder a fidalguia mesmo nos momentos das discussões mais acaloradas. A ele cheguei através de Raimundo Santana, seu amigo de infância, com o qual chegou ao Usina Ceará e posteriormente à FCF. Santana é outro cavalheiro. Amizade construida no futebol, há mais de três décadas, que até agora perdura. Jociê Orcine, que faleceu há uma semana, terá sua missa de sétimo dia celebrada hoje, 19h30min, na Igreja do Carmo. Onde todos nós, parentes e amigos, rezaremos por sua bondosa alma.
Colaborou o Coxan@uta Luis Henrique da Costa
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)