
ESTATÍSTICA
O scout técnico é uma importante ferramenta para auxiliar a tomada de decisões da comissão técnica de um time de futebol. Quando aliado adequadamente a técnicas estatísticas se torna um poderoso instrumento capaz de, por exemplo:
- detectar pontos fortes e fracos da equipe e de jogadores;
- evidenciar diferenças de atuação nos jogos dentro e fora de casa;
- selecionar quais fatores realmente fazem diferença e devem ser observados;
- relacionar quais fundamentos são mais importantes para explicar o desempenho da equipe e quais são mais importantes para determinada posição;
- comparar o desempenho de jogadores com seu próprio desempenho passado e com o - desempenho dos outros atletas da mesma posição;
- identificar períodos de decaimento técnico da equipe ou de determinado jogador;
- identificar jogadores que, apesar de boa técnica, são inconstantes nos jogos;
- relocar jogadores, com base em sua técnica, para posicionamentos táticos em que podem ser melhor aproveitados;
- fornecer subsídios para renovações e contratações através de um comparativo com o restante da equipe e jogadores de reconhecida qualidade.
Para fundamentar melhor a opinião de seus colunistas e informar com qualidade seu leitor, o site COXAnautas fez o scout técnico individual de 14 partidas do Coritiba na Série B de 2007. Devido aos poucos jogos observados, os números aqui apresentados não são conclusivos e não possuem significância estatística, servido mais como curiosidade e sugestão de trabalho. Desta forma, os comentários que se seguem são apenas sugestões, nunca posicionamentos definitivos, afinal a equipe não possui nem os dados completos e nem o conhecimento e experiência profissional necessários para esse tipo de conclusão. Com mais voluntários e mais tempo disponível o site espera, no futuro, poder oferecer um serviço ainda melhor nessa área.
Em estatística, além da média, um importante descritor é o desvio padrão, que nos diz como algo varia em relação ao seu valor médio. Um desvio padrão elevado significa que aquela variável é bastante inconstante de jogo para jogo. Apresentamos a seguir as médias por jogo e o desvio padrão (em % da média), de vários fundamentos observados:
| MÉDIA POR JOGO | DESVIO PADRÃO | |
| Desarmes totais | 108 | 5,56% |
| % Antecipação | 42,1% | 30,47% |
| % Desarmes por baixo | 35,7% | 23,80% |
| % Desarmes pelo alto | 22,2% | 35,78% |
| Faltas cometidas | 23,7 | 26,14% |
| Dribles tentados sobre o time | 25 | 21,73% |
| % Dribles levados | 66,4% | 14,70% |
| Passes totais | 284 | 15,48% |
| % Passes errados | 7,7% | 14,42% |
| % Passes errados NF* | 1,7% | 51,25% |
| % Passes para frente | 43,1% | 6,18% |
| Lançamentos | 23 | 30,90% |
| % Lançamentos Errados NF* | 23,4% | 63,20% |
| Inversões | 5,6 | 20,36% |
| % Inversões erradas NF* | 20,2% | 96,48% |
| Cruzamentos | 23,3 | 37,13% |
| % Cruzamentos finalizados | 14,1% | 66,95% |
| % Cruzamentos errados | 56,0% | 14,73% |
| Assistências | 6 | 47,14% |
| % Assistências erradas | 33,8% | 22,41% |
| Dribles tentados pelo time | 41,6 | 20,01% |
| % Dribles conseguidos | 54,3% | 10,05% |
| Bolas recebidas | 378,8 | 12,35% |
| % Bolas perdidas total | 23,8% | 11,70% |
| Faltas recebidas | 22,2 | 31,44% |
| Impedimentos | 2,5 | 70,43% |
| Finalizações | 15,5 | 28,20% |
| % Finalizações erradas | 60,7% | 35,60% |
| % Finalizações que foram gol | 11,2% | 48,00% |
Alguns pontos chamam a atenção nessa tabela:
- 66,4% de dribles levados pelo time, apesar de não haver parâmetro quantitativo de comparação, parece ser um índice alto para um time de primeiro nível;
- Os passes errados, dados de maneira não forçada, estão num índice baixo, mas variando muito de um jogo para outro, o que pode indicar falta de concentração em determinados momentos da competição.
- Os lançamentos e inversões erradas, dados de maneira não forçada, são numerosos e variam muito no decorrer dos jogos. Uma solução seria um melhor refinamento técnico nesses fundamentos ou a opção de passes mais curtos para evitar a perda de bola dessa maneira.
- O número de cruzamentos finalizados (14,1%) pode parecer baixo, mas está dentro dos padrões cientificamente observados no Brasil, preocupante é apenas a oscilação desse número, dado pelo alto índice do desvio padrão.
- A quantidade de dribles tentados pelo time – 41,6 – é muito mais elevado do que o número de dribles que o adversário tentava por jogo (25), indicando uma opção tática do Coritiba que possuía um índice de acerto de 54,3%.
- Da maneira com que é computada. a porcentagem de bolas perdidas (23,8%) mostra que, aproximadamente, quatro jogadores têm a posse da bola antes dela voltar para o adversário.
- Os impedimentos também se mostraram muito inconstantes durante os jogos, uma possível explicação pode ser dada mais pelo posicionamento das defesas adversárias em determinadas situações de jogo do que por falta de atenção dos atacantes, visto que a média de impedimentos é baixa por jogo.
- Apesar de parecer pouco, o índice de 11,2% de finalizações que se tornaram gols também está dentro do cientificamente dado como normal para as competições brasileiras; porém o índice de finalizações erradas (60,7%) está um pouco acima da média observada em trabalhos científicos, de 50%.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)