
FALA, COXAnauta!
'Sem parar, sem parar...'
É inexplicável a emoção. Não há, no mundo, torcida que faça o que fizemos naquele domingo. Não há torcida argentina que supere a emoção, o conjunto, a harmonia e a raça que nossa torcida apresentou. Mais emocionante, pessoalmente, é ser responsável pelo começo de tudo aquilo.
Senhoras e senhores, apresento a vocês meu amigo Rodrigo Strapasson. Coxa-branca desde o âmago da sua alma. Uma pessoa que sequer usa algo na cor vermelha. Uma pessoa para a qual, no momento em que você olhar, estará cantando bravamente músicas de incentivo, que revelam o valor de um verdadeiro Coxa-Branca.
Em um ano onde a maioria das torcidas gritava “Poeira, poeira, levantou poeira”, e em meio a inúmeras opções de canções alviverdes, um grito curto, porém muito significativo, foi o instrumento que levou o Coritiba a seu 32º título de Campeão Paranaense. Amigos, nunca vi algo tão lindo na vida. Não há paisagem, show, viagem, torcida, evento ou qualquer outra coisa no mundo que proporcione tal emoção.
Por volta dos 20 minutos do segundo tempo percebi aquele meu amigo de quem eu falava, gritando. Só ele, mais ninguém, e como sempre, gritando. Por volta de uns 2 minutos ele cantou sozinho, até que resolvi me somar a seus esforços e gritar também, mas um pouco mais forte. A nós, pouco depois, outros quatro se juntaram. Depois mais oito, vinte, sessenta... e dessa maneira até que todos os 2.500 se uniram em uma só voz e, por 30 minutos ininterruptos calamos outros cerca de 17 mil do outro lado.
COOOOOOOXXXXXXXXXXAAAAAAAAA
SEM PARAR, SEM PARAR!
COOOOOOOXXXXXXXXXXAAAAAAAAA...
Houve uma pausa para gritar GOL, é verdade, mas depois continuamos, bravamente, até o jogo acabar.
Para você que está lendo isso, pode não significar nada, ou você pode ter lágrimas arrancadas mesmo que as segurando, pois é um amante do futebol, como eu. Esse capítulo que foi escrito na história da minha vida nunca será esquecido. Assim como a emoção do terceiro e conclusivo gol, sabendo que ao menos uma parte dele é meu. A emoção de, abraçados, chorar por um longo tempo na celebração de um simples título estadual, mas que é o NOSSO título estadual. A emoção de lembrar como tudo começou (e também como terminou, afinal foram 30 minutos gritando), e que façamos sempre assim, que a partir de hoje, cantemos todos, Coxas... SEM PARAR, SEM PARAR...
COOOOOOOXXXXXXXXXXAAAAAAAAA
SEM PARAR, SEM PARAR!
COOOOOOOXXXXXXXXXXAAAAAAAAA
SEM PARAR, SEM PARAR!
COOOOOOOXXXXXXXXXXAAAAAAAAA
SEM PARAR, SEM PARAR!
COOOOOOOXXXXXXXXXXAAAAAAAAA
(calafrios...)
André Riekes Bruel, em 23 de abril de 2004
André Riekes Bruel é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)