
IMPRENSA
Lástima previsível. Futuro incerto!
E a festa acabou piazada. Confesso que não fiquei muito triste ao ver a eliminação da Seleção Brasileira na Copa 2006. Tá, tudo bem... eu estava esperançoso. Mas ao parar alguns segundos para analisar tudo que existe por trás do selecionado canarinho... a tragédia era esperada.
O que mais me espantou na verdade foi ver que, à exceção do meia Juninho Pernambucano e do atacante Adriano (foram esses que eu vi falando), o resto pareceu não dar muita importância para o resultado final. Juninho disse achar que infelizmente seu tempo na seleção passou e que ele lamentava muito não ter conseguido sucesso. O atacante Adriano também lamentou ter sido sacado do time e prometeu o título pra 2010.
Só que nenhum deles, nem os supracitados, teve a dignidade, a honra e a coragem de vir a público e dizer: "Peço desculpas para o povo brasileiro. Tenho vergonha do papelão que fizemos e peço humildes desculpas". Mas também, tendo um comandante como o Parreira, arrogante por convicção, não podíamos esperar mais nada.
Eu juro que esperava do Parreira algo mais digno, assim como fez José Pekermann ao ser desclassificado no comando da Argentina. Pede pra sair. Reconhece o erro e segue o caminho, caboclo.
Acho que faltou vergonha na cara... (de muita gente, na verdade). Faltou pulso e competência para lidar com os egos da seleção. Existem os egos das "estrelas" sim, é evidente, só que também existem os talentos e ao comandante esculpi-los, adequá-los e, se for preciso, lapidá-los. Fazer a preparação do individual, para obter o
sucesso no coletivo.
Agora, com a eminente saída de Parreira, espero que venha alguém com mais "moral". Alguém que cobre dos malandros. Fala-se em Felipão e Luxemburgo... ok, acho excelentes nomes, mas queria ver sangue novo.
Riram de mim quando citei um nome para a vaga de Parreira, mas gostaria muito de vê-lo no comando do selecionado canarinho: Abel Braga. Acho o Abelão um neo-Felipão. É um agregador de elencos. Um paizão... que mete a boca, mas ensina, não se omite.
Lembrei de uma de suas vitoriosas passagens pelo futebol paranaense. Na ocasião, recém campeão paranaense com o Coritiba - diga-se de passagem, após 10 anos de jejum de títulos - presenciei uma coisa impressionante. Isso deve ter acontecido com alguma outra torcida, em algum outro time. Mas naquele dia, a torcida em coro gritava:
"Fica Abel, fora Jacob Mehl!".
João Jacob Mehl era presidente do clube, e não pensem que vou falar aqui sobre seus defeitos ou qualidades. Mas naquele dia um treinador marcava seu nome na história de um clube de futebol e recebeu um prêmio de reconhecimento que poucos, eu garanto, poucos devem ter recebido na vida.
Abel Braga... está aí bom nome para assumir o comando da Seleção Brasileira.
Eduardo Luiz Klisiewicz, do blog da Copa do Mundo da Gazeta do Povo Online
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)