
Bom público compareceu ao Alto da Glória para assistir a mais um triunfo coxa-branca sobre um rival paranaense - segundo a renda oficial, 22 mil. Depois do Paraná Clube, a vítima da vez foi o A. Paranaense. O carrasco foi o mesmo de sempre: Marcel. Recuperando a confiança perdida no início do Brasileirão, quando as coisas realmente não deram certo para ele, o jovem prata-da-casa está brilhando mais a cada dia. E a cada clássico: Marcel marcou gol em todos os jogos contra Atlético e Paraná que disputou pelo time profissional do Coritiba.
Graças a ele - e, claro, a cada jogador, dirigente e comissão técnica - o clube chega à marca dos 23 pontos e ocupa, ainda que provisoriamente, a terceira posição do Campeonato Brasileiro, com um jogo a mais e um ponto a menos do que o vice-líder Santos. O rubro-negro ficou com 17 pontos e amanhã deve cair na tabela - hoje, é o 12º. Detalhe: nesse meio de semana, o Santos pega o A. Paranaense, aqui em Curitiba.
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Apesar de truncado e com muitas faltas, o primeiro tempo foi de amplo domínio alviverde. Do outro lado do campo, consciente da limitação técnica de sua equipe, o treinador atleticano colocou o time totalmente recuado, aproveitando cada bola parada para ganhar alguns segundos.
Com maior volume de jogo, mas sem muito espaço, a bola alta passou a ser o principal artifício do Cori para furar a retranca atleticana. Mas apesar de ganhar praticamente todas as jogadas aéreas, as cabeçadas coritibanas não tiveram direção: aos 13 minutos, Danilo errou o alvo; aos 15min, Tcheco cobrou escanteio e Edinho Baiano jogou a bola rente ao travessão de Diego.
Aos 24, a melhor chance do jogo. Lima fez boa jogada e tocou para Edu Sales na direita, que cruzou fechado. A bola passou por Diego, mas Marcel não conseguiu aproveitar.
Depois, o jogo perdeu um pouco de ritmo. E um pouco de culpa tem de ser dada à péssima arbitragem de Luciano de Almeida. Com medo de deixar o jogo correr, ele apitava a toda hora, deixando a partida ainda mais truncada. Claro, sem contar a injustiça e falta de critérios na aplicação dos cartões amarelas - exemplo: reclamação do Tcheco mereceu punição, falta por trás em Edu Sales, não.
O Verdão voltou sem modificações para o segundo tempo, mas a conversa nos vestiários parece que acabou atrapalhando o time. Errando muitos passes, a equipe chegou a ser pressionada pelo adversário. Aquele mesmo que, no primeiro tempo, mal havia passado do meio-campo.
Mas é inexplicável a lógica desse tal futebol... quando a torcida alviverde dava os primeiros sinais de descontentamento, saiu o gol coxa-branca. Eram jogados 12 minutos quando Lima fez maravilhosa jogada pela esquerda, parou a bola próximo à linha de fundo, olhou a movimentação dos companheiros na pequena área e cruzou rasteiro, na medida, para Marcel empurrar para as redes.
Era só o que o Verdão precisava. Toda a catimba rubro-negra (a cada dois minutos caía um jogador pedindo atendimento médico) foi deixada de lado e o jogo melhorou, com chances dos dois lados. As melhores do lado alviverde. Aos 20, Marcel fez jogada pela esquerda, livrou-se de dois marcadores, e de forma egoísta, tentou fazer o gol, chutando cruzado. Por 30 centímetros Edu Sales não conseguiu colocar o pé na bola para marcar o segundo.
Aos 40, outra boa jogada do 9 alviverde. Depois de uma furada incrível de um zagueiro atleticano (uma jogada que já havia se repetido várias vezes antes), Marcel ganhou a bola, driblou Diego e ficou sem ângulo para o arremate. Mesmo assim, chutou e a bola bateu na primeira trave.
Mas tudo bem. O segundo gol já estava tão maduro que coube ao estreante Nivaldo - primeiro jogo dele com a camisa alviverde no Couto Pereira - se "auto-presentear" pela impecável atuação com o balançar das redes aos 43. Tcheco cobrou escanteio, o zagueirão foi no 4o. andar e cabeceou no chão, como manda o figurino. Diego nem se mexeu: 2x0.
E havia espaço para mais. Aos 45, depois de Edu Sales ser agredido por um ponta-pé (o árbitro puniu o rubro-negro apenas com o amarelo), Tcheco cobrou a falta com perfeição, mas Diego foi buscar no ângulo direito.
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Na quinta-feira, o Verdão vai à Fonte Nova, em Salvador, enfrentar o Bahia. Vale destacar que se o campeonato acabasse hoje, o Coritiba teria por direito uma vaga à Copa Libertadores da América.
O Coxa jogou com Fernando; Danilo, Edinho Baiano e Nivaldo; Jackson, Roberto Brum (Willians), Lima (Pepo), Tcheco e Adriano; Edu Sales e Marcel (Helinho)
Técnico: Paulo Bonamigo
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)