
O sonho do bicampeonato invicto acabou cedo. Cedo demais, até. Nem o mais pessimista dos coxas-brancas (e tem bastante) poderia prever uma estréia desastrosa como a que se viu nesta fria noite de quinta-feira no Couto Pereira.
Pouca gente se dispôs a gastar R$15 para assistir ao que já se sabia de antemão que seria um jogo de discutível nível técnico - poucos treinos, muitas novidades, entrosamento zero. Ao todo, compareceram 5.010 pagantes, contando com estudantes, menores e aposentados, que pagaram R$7,50.
Em alguns momentos, o novo time alviverde - já com Luiz Mário, Éder e Capixaba, mas sem Aristizábal - chegou a empolgar a torcida, principalmente no primeiro tempo. No segundo, porém, o fôlego acabou e a desordem tática ditou o ritmo para a virada do time visitante que, historicamente, sempre atrapalha a vida do Coritiba.
No balanço final, ganhou o time que correu mais, empenhou-se mais e aproveitou as suas chances. Fechado na defesa, o Iraty matou o jogo em dois contra-golpes bem aplicados. E ainda teve a chance de ampliar no finzinho da partida.
No domingo, o Coxa vai ao Pinheirão, onde enfrenta o Paraná Clube, também derrotado na estréia - porém, fora de casa: 1x0 Cianorte.
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Aos sete minutos, o primeiro bom momento do Verdão. Na base da individualidade e de toques rápidos, Éder, Luiz Mário e Tesser armaram ótima chance, mas Tesser chutou por cima.
No minuto seguinte, a resposta do Iraty já deixava claro: a zaga com Juninho, Danilo e Nascimento - protegidos pelo volante Roberto Brum - seria suicídio. Por sorte, o goleiro Fernando conseguiu defender o chute de Chimba.
Aos 17, Luiz Mário tentou uma bicicleta na área e a bola foi por cima. Nova resposta dos azuis: Careca entrou na área e bateu cruzado, com perigo, para fora.
Até os 30 minutos, o Coritiba ainda conseguia salvar a noite de seus torcedores mostrando algum toque de bola no setor de ataque - do meio para trás era na base do chutão.
A estratégia de Antônio Lopes, porém, de não querer jogador com posição fixa, acabou gerando uma confusão sem tamanho. Lira e Tesser várias vezes foram para o meio, armar jogadas, enquanto Luiz Mário e Capixaba caíam pelas pontas para fazer cruzamentos totalmente ineficientes para o centro-avante André que, isolado, nada podia fazer contra três ou quatro marcadores.
Aos 37, o gol do Coxa saiu num lance um pouco confuso. Luiz Mário deixou André Nunes em boa posição na área e o atacante, atrapalhado, conseguiu devolver a bola para o estreante mandar um belo chute de fora da área: 1x0.
No finalzinho, Nascimento quase ampliou após cobrança de escanteio, mas a cabeçada passou à esquerda do gol.
À primeira vista, o Coxa voltava para a segunda etapa com mais ânimo, disposto a liquidar a fatura. Antes dos cinco minutos, uma excelente oportunidade: Eder cobrou falta pela meia direita para Luiz Mário, na entrada da área. Com muita categoria, ele chutou a bola que, teimosamente, explodiu no travessão.
Nesse lance, o goleiro Marco Antonio se machucou e precisou ser substituído por Emerson.
Tão logo o goleiro reserva entrou, o árbitro Carlos Jack Rodrigues fez vistas grossas para um lance claríssimo e acabou comprometendo o resultado do Coritiba.
Numa ligação direta defesa-ataque, Luiz Mário foi lançado e chegou na bola antes do goleiro. O atacante bateu por cobertura, mas Emerson, rapidamente, abafou a bola com as mãos. Detalhe: ele estava fora da área.
O árbitro sequer assinalou falta e, no contra-ataque, veio o castigo do Iraty. O cronômetro marcava 12 minutos quando Tesser perdeu a bola na direita e, após excelente jogada, Cláudio, já na esquerda da defesa alviverde, cruzou fechado. A bola passou por Fernando e tocou na trave direita. No rebote, Lulinha mandou para a rede.
As primeiras vaias de 2004 pipocaram no Couto Pereira e Antônio Lopes tirou Lira e André, colocando Malzoni e Josafá. Daí para frente a maionese desandou.
Aos 31 foi a vez de Roberto Brum contribuir para o maior fiasco da rodada. O meia tentou uma jogada de efeito no círculo central, perdeu a bola e Chimba lançou Lulinha. O atacante perdeu a chance de arrematar, mas conseguiu cruzar na cabeça de Adriano: 2x1.
Aos 41, Assis recebeu sozinho na entrada da área alviverde e mandou um chinelaço no travessão. Antes do apito final, na base do chuveirinho, o Coxa ainda teve uma grande chance com Luiz Mário, mas a bola foi cabeceada nas mãos do goleiro.
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Eis um pequeno aperitivo do que os Coxanautas vão trazer para você a cada "pós-jogo" do Cori no Couto Pereira.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)