
COPA DO MUNDO
Por COXAnautas
Atualizado em 17/12/2012 - 17h20
Até quinta-feira será votada na câmara municipal, a autorização para repassar mais R$ 33 milhões em potencial construtivo ao A. Paranaense. Este valor é um excedente aos R$ 90 milhões já aprovados incorretamente pela câmara através da lei 13.620 de 2010, quando os vereadores foram induzidos ao erro.
Este dinheiro já foi declarado público pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná em novembro. O mesmo valor que foi enviado à câmara para votação, através de seu criador, prefeito Luciano Ducci, que na tentativa de uma manobra eleitoreira, retirou o pedido dias antes da eleição. Passada a eleição e a resposta popular nas urnas, uma nova proposição de Luciano Ducci, que altera a lei 13.620/2010, eleva o limite de títulos do potencial construtivo de R$ 90 milhões para R$ 123 milhões divididas em 246.134 de Potencial Construtivo. São mais R$ 33 milhões em Potencial Construtivo/Dinheiro Público para uso em bem privado. O valor da obra, que exceder este montante, seria pago pelo A.Paranaense. É sempre bom lembrar, que em sua campanha de eleição ao governo, Beto Richa afirmou que era contra o uso de dinheiro público em obra privada.
O Secretário Municipal da Copa do Mundo, Sr. Luiz de Carvalho, tem como bandeira de campanha para liberação deste valor, que Curitiba é a cidade que está gastando menos dinheiro, comparando com Maracanã e Mineirão. Esquece-se o Sr. Luiz de Carvalho, que os estádios Maracanã e Mineirão não são estádios particulares. Em Curitiba, o estádio onde hoje está sendo investido dinheiro público pertence ao Clube A. Parananense e não à população de Curitiba e do Paraná. O Sr. Luiz de Carvalho, também, afirma que o dinheiro aplicado no Joaquim Américo não é público, contrariando o determinado e afirmado pelo TCE em novembro.
Inicialmente, o BNDES negou empréstimo ao A.Paranaense, mas acabou aprovando o empréstimo do valor ao Estado do Paraná, que repassará o valor para a CAP/SA (empresa criada pelo A.Paranaense para gerir os recursos da Copa). No último dia 13, um contrato foi assinado na Agência de Fomento do Paraná, onde o presidente do A.Paranaense diz aceitar a obra, condicionando à aprovação do excedente de R$ 33 milhões. Caso não seja aprovado, retira seu estádio da Copa. Mais uma manobra para induzir os vereadores ao erro. Sendo assim, o A.Paranaense exige o aumento do valor em R$ 33 milhões, para poder pagar ao governo do estado com dinheiro público criado pela prefeitura. Desta forma, o A.Paranaense cria um círculo, em que o dinheiro aplicado em seu próprio bem, sai do município para pagar o estado, que por sua vez, pagará o governo federal. O dono da obra, não coloca um centavo de seu dinheiro, recebe de mãos beijadas um estádio novo, a copa do mundo e um aumento fenomenal de patrimônio. Tudo isso, com dinheiro público. Caso a votação da próxima quinta seja negativa ao aumento do potencial, o A.Paranaense será obrigado a entregar o seu estádio como forma de garantia de pagamento e aí sim, realmente pagar pelo que construirá.
O Portal COXAnautas entrou em contato com o Vereador Felipe Braga Cortes, que esteve presente nesta segunda-feira, 17 a uma reunião da Comissão de Legislação, onde deu seu parecer contrário ao uso de verba pública no Estádio Joaquim Américo, porém acabou sendo voto vencido nesta questão. O vereador também destacou a importância da mobilização da bancada Coxa-Branca e também de todos os vereadores que se mostram descontentes com o uso de verba pública em obra privada, os chamados "vereadores do bem", no evento desta quinta-feira. O vereador Aladim Luciano, respondeu ao nosso contato, esclarecendo que votou contra a lei 13.620 em 2010 e continua contrário ao projeto de aumento da verba, mantendo seu voto contrário na quinta-feira. "Mesmo tendo me manifestado e votado contra quando da aprovação da lei 13.620, fui xingado, desonrado, humilhado, caluniado e difamado pela maioria esmagadora dos cidadãos que buscaram saber a posição deste vereador sobre o assunto, com uma virulência assustadora. Cheguei a ser ameaçado. Disseram que só votei contra porque sabia que haveria a aprovação. Disseram que votei contra para conseguir potencial construtivo para a minha padaria (mesmo que o imóvel onde funciona a panificadora há 27 anos seja alugado). Disseram que votei contra para jogar pra torcida. Minha resposta será meu voto no dia da apreciação do projeto. Adianto que será contra. Infelizmente para pessoas mais afeitas ao fanatismo das torcidas do que à probidade na gestão pública, não será o suficiente", declarou o vereador com exclusividade ao Portal COXAnautas.
Nesta segunda-feira, a torcida organizada do rival, os fanáticos, esteve presente em peso na reunião e ainda garantiu uma enorme mobilização popular na quinta-feira, 14h, dia da votação, pressionando para que seja injetado ainda mais dinheiro público em seu patrimônio.
Repudiamos todo e qualquer uso de dinheiro público em obra privada, seja qual for a cor da camisa que o receberá. Dinheiro público deve ser usado para obras públicas e para benefício coletivo. Chegou a hora do povo curitibano mostrar a sua força, independente se veste verde e branco, azul e vermelho ou outra cor. É hora de vestir a camisa de nossa cidade e dar um basta no uso do dinheiro público nas obras privadas!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)